Alta Idade Média: Da Ascensão do Cristianismo ao Fim da Idade Média

A Alta Idade Média é o período de tempo que parece tipificar melhor a Idade Média. Geralmente começando com o século 11, alguns estudiosos terminam em 1300 e outros o estendem por mais 150 anos. Mesmo limitando-a a meros 300 anos, a Alta Idade Média viu eventos significativos como as conquistas normandas na Grã-Bretanha e na Sicília, as Cruzadas anteriores, a Questão das Investiduras e a assinatura da Carta Magna.

No final do século 11, quase todos os cantos da Europa haviam se tornado cristianizados (com a notável exceção de grande parte da Espanha), e o papado, há muito estabelecido como uma força política, estava em constante luta com alguns governos seculares e aliança com outros.

Foi um período de crescimento também para as cidades. Londres, Paris, Colônia e outras cidades importantes foram estabelecidas ou experimentaram um crescimento significativo durante este período.

As fundações da Europa como é conhecida hoje foram lançadas durante este período. Os principais Estados-nação que dominariam a Europa Ocidental pelo resto do milênio – Inglaterra, França, Alemanha e Rússia – foram fundados durante a Alta Idade Média. Esta era também foi de renascimento econômico. O renascimento, em parte resultado de melhores condições climáticas, levou a padrões de vida mais elevados e a um aumento populacional enorme. Vamos falar sobre a Alta Idade Média e, se você ficar com dúvidas, é só deixar ai nos comentários.

A Queda do Império Romano

Após o fim do Império Romano, a Europa passou por mudanças significativas. A autoridade central romana foi substituída por uma estrutura descentralizada de poder, com os invasores germânicos estabelecendo reinos independentes. Esses povos germânicos incorporaram elementos da cultura romana e formaram novas sociedades, combinando suas tradições com a herança romana.

O fim do Império Romano também teve um impacto profundo no aspecto político. A autoridade centralizada de Roma desmoronou, levando à fragmentação política. Os reinos germânicos, como o Reino Visigótico, o Reino Ostrogótico e o Reino Franco, emergiram como entidades políticas distintas.

Do ponto de vista econômico, a economia romana baseada no comércio e na agricultura entrou em declínio. O comércio diminuiu e muitas cidades romanas foram abandonadas. A produção agrícola se tornou mais localizada e voltada para o sustento próprio, e a sociedade se tornou mais agrária.

A Igreja Católica Romana, por sua vez, desempenhou um papel fundamental durante a Idade Média, assumindo uma posição de autoridade e influência. O cristianismo tornou-se a religião dominante e a Igreja desempenhou um papel significativo na manutenção da ordem social e espiritual.

Florescimento da Sociedade Medieval

A Alta Idade Média é o período que frequentemente pensamos quando alguém menciona “cultura medieval”. Às vezes é referido como o “florescimento” da sociedade medieval, graças a um renascimento intelectual no século XII, a filósofos notáveis como Pedro Abelardo e Tomás de Aquino, e ao estabelecimento de universidades como as de Paris, Oxford e Bolonha. Houve uma explosão de construção de castelos de pedra e a construção de algumas das catedrais mais magníficas da Europa.

Principais Características da Alta Idade Média

Em termos de cultura material e estrutura política, a Alta Idade Média viu o medievalismo atingir seu auge. O que hoje chamamos de feudalismo estava firmemente estabelecido na Grã-Bretanha e em partes da Europa; o comércio de itens de luxo, bem como de produtos básicos, floresceu; as cidades receberam cartas de privilégio e até foram estabelecidas novamente pelos senhores feudais com entusiasmo, e uma população bem alimentada estava começando a crescer. No final do século XIII, a Europa estava em um auge econômico e cultural, à beira de uma recessão.

Ascensão do cristianismo

A ascensão do cristianismo durante a Alta Idade Média foi marcada por eventos e figuras importantes. Em 380 d.C., o imperador romano Teodósio I decretou o cristianismo como a religião oficial do Império Romano, encerrando a perseguição aos cristãos. Em 451 d.C., o Concílio de Calcedônia definiu a natureza dual de Jesus Cristo, estabelecendo a base para a teologia cristã.

Um personagem relevante foi o bispo de Roma, Leão I, conhecido como Leão Magno, que afirmou a supremacia papal e consolidou o poder da Igreja Católica. Durante seu papado (440-461 d.C.), ele defendeu Roma contra os hunos liderados por Átila e desempenhou um papel fundamental na política e na teologia cristã.

Outro marco importante foi o Grande Cisma do Oriente e do Ocidente em 1054, quando a Igreja Cristã se dividiu em Igreja Católica Romana e Igreja Ortodoxa Oriental. Essa divisão teve implicações duradouras na cultura, na política e na religião da Europa e do Oriente Médio.

Cruzadas

Além disso, nenhuma discussão sobre os desenvolvimentos políticos do período estaria completa sem discutir as Cruzadas. As Cruzadas, que começaram em resposta a um pedido de ajuda do imperador bizantino contra os turcos seljúcidas, logo se tornaram uma guerra santa contra os ‘infiéis’ ou incrédulos.

No caminho para a Terra Santa, o anti-semitismo latente veio à tona e milhares de judeus foram mortos. Quando os cruzados finalmente chegaram à Terra Santa e conquistaram Jerusalém, eles massacraram milhares de não crentes (judeus e muçulmanos). Por fim, os cruzados conseguiram manter Jerusalém por menos de 50 anos.

Durante este período, a Igreja atingiu o auge de seu poder. O Papa era supremo e a religião era popular entre as massas. As obras arquitetônicas mais importantes desse período foram as igrejas. Grandes estruturas românicas, bem como igrejas góticas como Notre Dame, foram construídas.

Foi também a época da Peste Negra. A praga que atingiu a Europa no século XIV causou a morte de cerca de 1/3 da população.

Invasões bárbaras e formação dos reinos germânicos

As invasões bárbaras e a formação dos reinos germânicos tiveram um impacto significativo na Alta Idade Média. Os visigodos, liderados por Alarico, saquearam Roma em 410 d.C., sinalizando a queda do Império Romano. Os ostrogodos, liderados por Teodorico, estabeleceram um reino na Itália no início do século V, combinando elementos romanos e germânicos em sua cultura e governo.

Os francos, liderados por Clóvis, também desempenharam um papel importante na formação dos reinos germânicos. Clóvis unificou as tribos francas e estabeleceu um reino na Gália em 481 d.C. Ele se converteu ao cristianismo católico, fortalecendo a relação entre os francos e a Igreja Católica.

Além disso, outros reinos germânicos surgiram, como os anglo-saxões na Inglaterra, os lombardos na Itália e os visigodos na Península Ibérica. Esses reinos estabeleceram suas próprias estruturas de governo e leis, contribuindo para a fragmentação política da Europa.

Sistema feudal

O sistema feudal foi uma característica central da Alta Idade Média. Baseado em relações de suserania e vassalagem, envolvia a concessão de terras em troca de serviços e obrigações. O senhor feudal, geralmente um nobre, concedia feudos aos vassalos, que eram responsáveis por prestar serviço militar e outros serviços ao senhor. Se quiser saber mais sobre o Feudalismo, temos uma matéria especial no site.

Renascimento carolíngio

O Renascimento Carolíngio foi um período de renovação cultural e intelectual durante a Alta Idade Média. Foi liderado por Carlos Magno, rei dos francos, que governou de 768 a 814 d.C. Durante seu reinado, Carlos Magno estabeleceu um vasto império que se estendia por grande parte da Europa Ocidental.

Carlos Magno foi um patrono das artes, da educação e da literatura. Ele fundou escolas e convidou estudiosos e intelectuais para sua corte em Aachen (atual Aquisgrano, na Alemanha). Lá, foram preservados e copiados muitos textos clássicos da antiguidade greco-romana, contribuindo para a preservação do conhecimento e a disseminação da cultura clássica.

O Renascimento Carolíngio também se refletiu na arquitetura e nas artes visuais. Foram construídas magníficas igrejas e palácios em estilo carolíngio, destacando-se a Capela Palatina em Aachen. As iluminuras, pinturas e esculturas produzidas nessa época refletiam uma mistura de influências romanas, germânicas e cristãs.

O legado do Renascimento Carolíngio foi duradouro. Ele estabeleceu as bases para o renascimento cultural e intelectual posterior na Europa e contribuiu para o desenvolvimento do estilo românico na arquitetura medieval.

Comércio e expansão territorial

Durante a Alta Idade Média, ocorreram avanços significativos no comércio e na expansão territorial. As Cruzadas, que começaram no final do século XI, trouxeram uma série de mudanças na Europa. O objetivo principal das Cruzadas era recuperar a Terra Santa dos muçulmanos, mas elas também levaram ao estabelecimento de rotas comerciais entre a Europa e o Oriente Médio.

Essas rotas comerciais, conhecidas como a Rota da Seda e a Rota dos Templários, facilitaram o comércio de produtos valiosos, como especiarias, seda e metais preciosos. As cidades europeias se desenvolveram como centros comerciais e urbanos, surgindo novas guildas de comerciantes e artesãos.

Um exemplo importante desse período é a Liga Hanseática, uma associação de cidades mercantis no norte da Europa. Fundada no século XIII, a Liga Hanseática facilitou o comércio entre as cidades membros e desempenhou um papel crucial na economia da região.

Guilherme, o conquistador
Guilherme, o Conquistador

Além disso, ocorreram expansões territoriais significativas durante a Alta Idade Média. Os normandos, liderados por Guilherme, o Conquistador, invadiram a Inglaterra em 1066 e estabeleceram o domínio normando. Os reinos cristãos da Península Ibérica expandiram seus territórios através da Reconquista, reconquistando terras anteriormente ocupadas pelos muçulmanos.

Durante este período, o comércio entre as cidades da Europa e além foi reavivado. Isso ajudou a rejuvenescer as cidades da Europa e a criar uma classe de mercadores e artesãos. As cidades situadas ao longo das rotas comerciais, quer ribeirinhas, quer costeiras, tiveram um crescimento excepcional.

Os líderes da sociedade europeia durante este período foram os homens que se engajaram na guerra. Seja defendendo o território nacional contra invasores ou participando das Cruzadas, a aristocracia estava intimamente envolvida na guerra.

Essas expansões territoriais e o aumento do comércio foram elementos-chave no desenvolvimento da Europa medieval, contribuindo para a formação de novos reinos, o crescimento das cidades e o desenvolvimento econômico. O comércio estimulou a criação de uma classe mercantil emergente, que desempenhou um papel crucial na economia e na sociedade medieval. As cidades comerciais, como Veneza, Gênova e Bruges, prosperaram como centros de trocas e comércio.

As rotas comerciais marítimas e terrestres se expandiram, conectando diferentes regiões e possibilitando a troca de mercadorias, ideias e conhecimentos. As feiras comerciais se tornaram importantes eventos, onde mercadores de diferentes partes da Europa se reuniam para realizar negócios.

A expansão do comércio também levou ao desenvolvimento de práticas financeiras e bancárias mais avançadas. Surgiram casas de câmbio, bancos e sistemas de crédito para facilitar as transações comerciais. As moedas cunhadas pelos reinos europeus tornaram-se cada vez mais comuns e facilitaram o comércio e as transações financeiras.

Essas características da Alta Idade Média, como o renascimento cultural, o sistema feudal, o comércio e a expansão territorial, contribuíram para a evolução da Europa medieval. Elas moldaram as estruturas políticas, sociais e econômicas da época e deixaram um legado duradouro na história europeia.

Carta Magna

O desenvolvimento de novas instituições políticas inglesas incluiu a emissão da Carta Magna. No final do período, os ingleses e franceses estavam envolvidos em uma guerra de 100 anos. Na França, a Alta Idade Média foi marcada pelo lento surgimento de uma monarquia centralizada. A Alemanha, por outro lado, não desenvolveu um governo central forte.

Carta magna
Carta Magna

A Carta Magna, também conhecida como Magna Carta, foi um documento histórico de grande importância na história política e legal da Inglaterra. Ela foi assinada pelo rei João da Inglaterra, conhecido como João Sem-Terra, em 1215, em resposta às demandas das classes nobres que buscavam limitar os poderes do monarca.

A Carta Magna tinha como objetivo estabelecer princípios de governança, proteger os direitos e privilégios dos barões e limitar o poder do rei. Entre as principais disposições da Carta Magna, destacam-se:

  • Limitação do poder real: A Carta Magna estabelecia que o rei estava sujeito à lei e não poderia agir arbitrariamente, protegendo os direitos e propriedades dos súditos.
  • Acesso à justiça: O documento garantia o direito à justiça e ao devido processo legal, assegurando que ninguém pudesse ser detido ou julgado sem um julgamento justo.
  • Proteção da propriedade: A Carta Magna protegia a propriedade privada, estabelecendo que nenhum imposto ou tributo poderia ser imposto sem o consentimento dos barões e que nenhuma propriedade poderia ser confiscada sem justa compensação.
  • Papel do conselho de barões: A Carta Magna instituiu um conselho de barões para aconselhar o rei nas decisões políticas e garantir que seus interesses fossem representados.

A assinatura da Carta Magna teve implicações de longo alcance. Embora tenha sido inicialmente uma solução para resolver as tensões entre o rei e a nobreza, ela estabeleceu um precedente de limitação do poder monárquico e influenciou futuros desenvolvimentos legais e constitucionais.

Final da idade média

O fim da Idade Média pode ser caracterizado como uma transformação do mundo medieval para o início da era moderna. Muitas vezes, considera-se que começou em 1300, embora alguns estudiosos considerem a metade do século XV como o início do fim. Mais uma vez, o fim do fim é discutível, variando de 1500 a 1650.

Eventos cataclísmicos e impressionantes do século 14 incluem a Guerra dos Cem Anos, a Peste Negra, o Papado de Avignon, o Renascimento Italiano e a Revolta dos Camponeses. O século XV viu Joana d’Arc ser queimada na fogueira, a queda de Constantinopla para os turcos, os mouros expulsos da Espanha e os judeus expulsos, a Guerra das Rosas e a viagem de Colombo ao Novo Mundo.

O século 16 foi devastado pela Reforma e abençoado pelo nascimento de Shakespeare. O século 17, raramente incluído na era medieval, viu o Grande Incêndio de Londres, uma onda de caça às bruxas e a Guerra dos Trinta Anos.

FAQ Rápido

Por que foi chamada de Alta Idade Média?

Os historiadores às vezes se referem ao período entre aproximadamente 1000 e 1300 EC como a “alta” Idade Média para enfatizar seu dinamismo, criatividade e importância na preparação do cenário para desenvolvimentos históricos subsequentes.

Qual foi a diferença entre a Baixa e a Alta Idade Média?

A Alta Idade Média foi caracterizada por mudanças sociais e políticas devido ao colapso do Império Romano. Durante a Alta Idade Média, houve muito crescimento populacional na Europa, assim como avanços tecnológicos. As Cruzadas ocorreram durante esse período, quando o feudalismo se tornou popular.

O que é a Carta Magna?

A Magna Carta foi emitida em junho de 1215 e foi o primeiro documento a colocar por escrito o princípio de que o rei e seu governo não estavam acima da lei. Procurou impedir que o rei explorasse seu poder e impôs limites à autoridade real ao estabelecer a lei como um poder em si.

Como as cruzadas afetaram o cristianismo?

O movimento ajudou tanto a militarizar a Igreja ocidental medieval quanto a sustentar críticas a essa militarização. Provavelmente ajudou a solidificar o controle do papa sobre a Igreja e tornou certas inovações financeiras centrais para as operações da Igreja. E refletiu e influenciou as tendências devocionais.

Fale conosco nos comentários e diga oque achou dessa matéria e aproveite para ler mais notícias e estudar, como por exemplo, , no nosso site.

Deixe um comentário