Arcadismo: Características, Principais Autores e Contexto Histórico

O Arcadismo foi um movimento literário que surgiu na Europa no século XVIII e teve grande repercussão no Brasil. Também chamado de Neoclassicismo, o Arcadismo valorizava a razão e a natureza, buscando inspiração nas obras da Antiguidade da Grécia Antiga Clássica.

O movimento está relacionado ao Iluminismo, movimento intelectual que surgiu no século XVIII e que defendia a razão, a ciência, a liberdade individual e a igualdade.

Ambos os movimentos buscavam uma ruptura com o Barroco e o Absolutismo, e acreditavam que a literatura e as artes deveriam ter uma função social e educativa.

Entre as principais características do movimento, destacam-se o bucolismo, a idealização da vida no campo, a simplicidade e a clareza na escrita, além da presença de um ideal de amor platônico e a adoção de pseudônimos que evocavam a mitologia greco-romana.

No Brasil, o Arcadismo é conhecido por suas obras de poesia e prosa, como as de Tomás Antônio Gonzaga, Cláudio Manuel da Costa e Basílio da Gama. Vamos falar sobre esse movimento literário e, se ficar com dúvidas, é só deixar nos comentários.

Contexto Histórico

O Arcadismo, surgiu como uma das sociedades literárias portuguesas do século XVIII que tentou reviver a poesia naquele país, insistindo em um retorno ao classicismo. Eles se inspiravam na Academia de Arcadista, que havia sido estabelecida em Roma em 1690.

Em 1756, Antônio Dinis da Cruz e Silva, junto com outros fundaram a Arcádia Lusitana, tendo como primeiro objetivo o desenraizamento do gongorismo, estilo repleto de concepções barrocas e influência espanhola em geral.

O poema heróico de Cruz e Silva, O Hissope (1768), inspirado no épico simulado do poeta francês Nicolas Boileau, Le Lutrin (1674), foi um documento satírico revelador. Pedro Antônio Correia Garção, o mais proeminente arcadista, era um exímio devoto do poeta clássico latino, Horácio.

Já o verso bucólico de Domingos dos Reis Quita significou um retorno à tradição nativa de dois séculos antes. Sinceridade e sofrimento eram mais proeminentes e conhecidos nas obras de Marília de Dirceu (pseudônimo de Tomás Antônio Gonzaga), que tinham letras pastorais de amor escritas e publicadas em três volumes (1792, 1799, 1812).

Em 1790, nasce a Nova Arcádia, tendo como dois mais ilustres membros os poetas rivais Manuel Maria Barbosa du Bocage, hoje lembrado por alguns sonetos marcantes, e José Agostinho de Macedo, conhecido pelas suas experiências com as epopeias. Curvo Semedo foi outro dos fundadores da Nova Arcádia.

Antônio Dinis da Cruz e Silva foi enviado ao Brasil como juiz em 1776; ali ajudou a estimular o interesse brasileiro pelo movimento arcadista, que deu origem à chamada escola mineira de poetas épicos e neoclássicos, da qual fazem parte José Basílio da Gama e José de Santa Rita Durão.

Características do Arcadismo

A Linguagem do Arcadismo é racional, clássica e sem elaborações, ou seja, adota um vocabulário simples. Em oposição ao período anterior, o barroco, os escritores arcadistas propõem o equilíbrio clássico e a clareza de ideias, negando assim a provocação, a rebeldia e a dúvida expressas na linguagem dos artistas barrocos.

Outra grande diferença entre a linguagem do barroco e do Arcádio é que enquanto no barroco é recorrente o uso de figuras de linguagem (antítese, hipérbole, paradoxo, etc.), no Arcádio os autores usam pouco, aproximando-se assim da linguagem denotativa.

É importante notar que os escritores árcades valorizavam a simplicidade da linguagem, expressa principalmente nos sonetos (forma literária fixa amplamente utilizada por eles) de versos deciláveis (dez sílabas poéticas).

Além disso, eram chamados de “Poetas Fingidores” por usarem pseudônimos (nomes artísticos, de pastores cantados em poesia grega ou latina) em suas obras, simulando sentimentos poéticos e imitando os clássicos renascentistas. Vale lembrar que o Arcadismo (também chamado de Setecentismo ou Neoclassicismo), de influência iluminista, representou um movimento artístico-literário que prevaleceu no século XVIII no Brasil e no Mundo.

O Iluminismo francês teve três pilares que influenciaram a forma de expressão dos poetas árticos: a natureza, a razão e a verdade. As principais características do arcadismo são: o retorno ao clássico (cultura greco-romana), o bucolismo, a pastorícia, a idealização amorosa e a escolha de temas cotidianos e relacionados à natureza. As tendências arcadistas estão relacionadas a conceitos expressos em latim:

Fugere Urbem: Fuga da cidade, ou seja, expressa por uma vida simples, bucólica e bucólica no campo, em detrimento de uma vida urbana e materialista.

Locus Amoenus: Um lugar agradável e aprazível, ou seja, um lugar para se viver distante dos centros urbanos, onde reina a paz.

Aurea Mediocritas: Equilíbrio áureo, ou seja, expressa tranqüilidade e paz, rica em aspectos espirituais a partir dos quais se idealiza a vida mais simples no campo.

Useless Truncat: Corte o inútil e busque o equilíbrio, ou seja, denota a simplicidade da linguagem árcade em oposição à linguagem refinada e culta do barroco.

Carpe Diem: Aproveite o momento e a vida, ou seja, um termo expresso para indicar a efemeridade do tempo.

Arcadismo no Brasil

O Arcadismo no Brasil começa em 1768 com a publicação das “Obras Poéticas” de Cláudio Manuel da Costa. Além dele, os escritores árcades que se destacaram no país foram: Tomás Antônio Gonzaga, Silva Alvarenga, Alvarenga Peixoto, Basílio da Gama e Santa Rita Durão. Para melhor compreender a linguagem do Arcadismo, segue abaixo um dos sonetos de Cláudio Manuel da Costa:

Ninfa cruel, que derramando agora
Vens o líquido orvalho cristalino,
Não confundas o pranto matutino
Co'as lágrimas gentis que Nise chora.

Não despertes, repousa, ó bela Aurora,
Que no berço em que alegre te imagino
Te acompanha outro amante peregrino,
Que Aurora mais feliz em ver-te adora.

Ela, porque seus raios vê diante,
O rosto banha em fúnebre lamento,
Sendo força deixar a Fábio amante.

Que direi desse ingrato movimento
Senão que foi vingança, ó Ninfa errante,
Da inveja que te deu seu luzimento.
Cláudio manuel da costa
Cláudio Manuel da Costa (fonte: Wikipédia)

O Arcadismo no Brasil, também conhecido como Neoclassicismo, foi um movimento literário que surgiu no final do século XVIII e se estendeu até as primeiras décadas do século XIX. Nessa época, o Brasil ainda era uma colônia portuguesa e a elite intelectual brasileira buscava construir uma identidade própria e independente da metrópole, por meio da literatura.

Os autores Arcadistas brasileiros buscaram inspiração nas obras da Antiguidade Clássica, em especial na poesia de Virgílio e Horácio. Entre as principais características do movimento no Brasil, destacam-se a idealização da vida no campo, a exaltação da natureza, a simplicidade e a clareza na escrita, a adoção de pseudônimos que evocavam a mitologia greco-romana, além da presença de um ideal de amor platônico.

Os principais autores do Arcadismo no Brasil foram Tomás Antônio Gonzaga, Cláudio Manuel da Costa, Basílio da Gama e Alvarenga Peixoto. Suas obras mais conhecidas são as poesias líricas, que apresentam um tom pastoril e idealizado, como o “Marília de Dirceu”, de Gonzaga, e “O Uraguai”, de Basílio da Gama, um poema épico que descreve a Guerra Guaranítica.

Oposição ao Barroco

O Arcadismo e o Barroco são movimentos literários que se sucederam no Brasil, tendo o Barroco sido o período anterior ao Arcadismo. O Barroco é caracterizado por uma escrita complexa, rebuscada, com muitas figuras de linguagem e uma visão de mundo pessimista e religiosa, enquanto o Arcadismo, por sua vez, valoriza a simplicidade e a clareza na escrita, apresentando uma visão de mundo mais otimista e racionalista.

BarrocoArcadismo
Linguagem rebuscadaLinguagem clara e objetiva
Figuras de linguagemLinguagem simples
Visão pessimista e religiosaVisão otimista e racionalista
Excesso de ornamentaçãoSimplicidade e elegância
Visão idealizada da vida e da naturezaAbordagem realista da vida e da natureza
Tendência ao conflito e à contradiçãoBusca pela harmonia e equilíbrio
Exaltação do sentimento e da paixãoIdealização do amor platônico
Contexto histórico de colonização e exploraçãoContexto histórico de busca pela independência e construção da identidade brasileira

O contexto histórico de oposição entre o Barroco e o Arcadismo se dá na passagem do século XVIII para o XIX, momento em que a sociedade brasileira passava por grandes transformações políticas, sociais e culturais. A elite intelectual brasileira, que já havia absorvido as influências do Iluminismo europeu, buscava se libertar das influências portuguesas e construir uma identidade própria para a cultura brasileira.

Assim, o Arcadismo foi visto como uma reação ao Barroco, que era considerado excessivamente complexo e ligado ao passado colonial. Os autores Arcadistas buscavam uma linguagem mais clara e uma abordagem mais realista da vida e da natureza, em contraposição ao estilo barroco, que tendia a uma visão mais idealizada e religiosa.

FAQ Rápido

O que é o Arcadismo?

O Arcadismo é um movimento literário que surgiu na Europa no século XVIII e se caracteriza pela busca pela simplicidade, clareza e equilíbrio na escrita, além de uma visão otimista e racionalista do mundo.

Quais são as principais características do Arcadismo?

Linguagem simples, objetiva e clara; busca pela harmonia e equilíbrio; idealização do amor platônico; abordagem realista da vida e da natureza; visão otimista e racionalista do mundo.

Quem são os principais autores do Arcadismo no Brasil?

Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga e Basílio da Gama são alguns dos principais autores do Arcadismo no Brasil.

Qual é o contexto histórico do Arcadismo no Brasil?

O Arcadismo no Brasil se desenvolveu no final do século XVIII, durante o período de transição do Brasil Colônia para o Brasil Império, em meio à influência do Iluminismo e da busca pela construção de uma identidade cultural própria.

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