Atenas e Esparta: As Principais Pólis da Grécia Antiga

Quando se fala em Grécia Antiga, é impossível não pensar em Atenas e Esparta, as duas cidades-estado que mais prosperaram e mais trouxeram legados para a Antiguidade e até os dias de hoje.

As cidades-estado da Grécia eram chamadas de Pólis. Para saber mais detalhes sobre a história da Grécia Antiga como um todo, leia o texto Grécia Antiga: História e Cultura. Agora vamos falar especificamente de Atenas e Esparta, as Pólis que se destacaram no período:

Atenas

Templo grego em atenas | atenas e esparta
Partenon, templo dedicado à deusa atena construído em atenas no século de péricles

O grande legado quando falamos de Atenas é exatamente a democracia. Vamos entender um pouco da história da tão famosa democracia ateniense.

Democracia Ateniense

No início, o poder político era centrado na mão dos eupátridas, a elite aristocrática, aqueles que eram mais privilegiados na cidade. Porém, vinha surgindo uma outra classe forte, os comerciantes, chamados demiurgos, e é claro que eles também gostariam de participar das decisões políticas, e começaram a exigir mudanças. Não só eles como outras classes menores também deram voz a essas exigências.

O primeiro legislador em Atenas foi Drácon. A principal transformação proposta por Drácon foi exatamente colocar o conjunto de leis da pólis por escrito, sendo que até então as leis eram apenas transmitidas de forma oral. As leis propostas por Drácon, porém, eram vistas como muito severas, e pouco depois sofreram alterações.

E o responsável pela primeira reforma às leis de Drácon foi Sólon. Sólon criou dois órgãos: a Eclésia, uma assembleia popular onde todos os cidadãos atenienses (homens nascidos em Atenas com mais de 18 anos) poderiam se reunir para tomar decisões e a Bulé (ou Conselho dos Quinhentos), na qual alguns homens, representantes de cada tribo e eleitos pelos membros da Eclésia, elaboravam os projetos de lei que seriam futuramente discutidos na Eclésia.

Mesmo assim, as mudanças não aplacaram as fortes exigências das classes emergentes e acabaram por gerar uma série de governos tirânicos (na qual alguém toma o governo a força) que duraram por vários anos até a ascensão de Clístenes.

Clístenes é considerado o “pai da democracia”. A partir dele, todos os cidadãos passaram a ser vistos como iguais, não importando a sua classe social. Novas leis foram criadas e todos passaram a ser ouvidos. Claro, “todos”, com grandes ressalvas. Aproxima-se que apenas um terço da população ateniense tinha realmente voz nas decisões políticas. Como já dito, eram vistos como cidadãos apenas os homens de pais atenienses, nascidos em Atenas e com mais de 18 anos. Eram excluídos, portanto, mulheres, escravos e estrangeiros, que eram efetivamente a maioria. Apesar dos pesares, foi em Atenas que nasceu a democracia que conhecemos e adotamos hoje.

As principais características da democracia ateniense são, portanto, a isonomia (igualdade de todos perante a lei), isocracia (igualdade de acesso aos cargos políticos), isegoria (igualdade de fala nas Assembleias) e direito de voto. 

Guerras

A história de Atenas Antiga também foi marcada por diversas guerras, importantes para o desenvolvimento da cidade-estado.

A primeira a ser citada são as Guerras Médicas, também conhecidas como Guerras Greco-Pérsicas. Foram uma série de ofensivas do povo Persa à Atenas. O nome “médicas”, vem do modo como os persas eram chamados pelos gregos, medos.

A origem das Guerras Médicas se deve ao fato do apoio ateniense às revoltas do jônios em relação ao controle persa. Isso enfureceu o rei persa Dario I, que começou a organizar uma investida contra Atenas. 

As Guerras Médicas podem ser divididas em dois momentos: o primeiro período, com invasão organizada por Dario I em 490 a.C., que culminou na conhecida Batalha de Maratona, chamada assim por ter ocorrido exatamente na cidade de Maratona. As forças persas eram implacáveis e também em maior número, mas com suas boas estratégias os gregos conseguiram triunfar.

Uma curiosidade sobre este confronto é que a partir dele foram criadas as corridas chamadas de maratonas, pois um mensageiro teria sido incumbido de correr de Maratona até Atenas para informar sobre a vitória dos atenienses. Após correr os mais de 42Km e cumprir sua missão, ele teria caído morto de cansaço.

A segunda Guerra Médica ocorreu apenas 10 anos depois da primeira. Após a primeira falha, Dario I começou a planejar uma segunda investida, porém morreu durante o processo, e seu filho e sucessor Xerxes deu continuidade aos planos.

Antes de falar sobre a batalha em si, vale citar que os gregos ficaram com medo de uma segunda investida persa (com razão, claro) e criaram então a Liga de Delos, ou Confederação de Delos, que se tratava de nada menos que uma organização militar com sede na cidade de Delos, a fim de proteger os territórios gregos contra a ameaça Persa. Inicialmente, Esparta fazia parte da Liga também.

Voltando aos Persas, Xerxes liderou a segunda grande investida em 480 a.C. Vale dizer que diversas batalhas menores foram travadas, não só essas duas que são citadas aqui, mas estas são as mais importantes, e que definiram o destino de gregos e persas.

Desta vez, os persas tinham apoio dos cartagineses, ou seja, um poderio ainda maior que na primeira batalha e novamente estavam em maior número. A estratégia da vez adotada pelos gregos foi utilizar-se da geografia local e conter as forças implacáveis dos persas no desfiladeiro das Termópilas, que era um local estreito.

A disputa culminou na chamada Batalha de Salamina, que ocorreu, exatamente, em Salamina. Os persas foram, mais uma vez, derrotados. Os combates, porém, duraram até 489 a.C., quando os persas foram definitivamente derrotados, o que incentivou a assinatura do chamado Tratado de Susa (448 a.C.), no qual a Pérsia reconhecia o domínio grego e se propunha a não mais invadir os territórios pertencentes aos povos gregos.

A vitória em Salamina iniciou um grande período de hegemonia e poder dos atenienses, que se tornaram líderes da Confederação de Delos (o que ocasionou a retirada de Esparta da Liga e iniciou uma grande disputa entre as duas cidades).

A segunda grande guerra na qual Atenas se envolveu foi a Guerra do Peloponeso. Bem, como já foi dito, após a vitória nas Guerras Médicas, Atenas iniciou um período de hegemonia e controle sobre os territórios gregos, se aproveitando da posição de liderança em Delos. A primeira cidade-estado a se rebelar contra Atenas foi exatamente Esparta, que não só se retirou da Liga de Delos como fundou sua própria organização: a Liga do Peloponeso.

A Guerra do Peloponeso foi, então, basicamente uma disputa entre Atenas e Esparta pela hegemonia grega. Teve início em 431 a.C. e durou 27 anos. Atenas liderava pelo mar, e Esparta liderava por terra, com seus fortes exércitos.

O curioso é que em 421 a.C. foi assinado um tratado de paz, chamado Paz de Nícias. O tratado garantia 50 anos de trégua, mas foi quebrado alguns anos depois em 414 a.C., quando as disputas reiniciaram.

Mais uma curiosidade: então os espartanos conseguiram o apoio, exatamente, dos persas. Neste momento, Atenas foi sofrendo pequenas derrotas, como por exemplo tiveram as minas de prata tomadas, o que gerou problemas financeiros na cidade. Tudo isso culminou, finalmente, na vitória espartana em 404 a.C., quando Atenas se rendeu após seis meses cercada pelos inimigos.

Mas tudo tem o seu preço. Um período tão longo de guerras internas causou um enfraquecimento enorme da Grécia num todo, o que mais para frente facilitou a invasão dos Macedônios nos territórios.

Cultura

Entre os períodos das Guerras Médicas e a Guerra do Peloponeso, Atenas viveu o que é chamado de Era de Ouro, com um grande desenvolvimento econômico, cultural e político. O período também é conhecido como Século de Péricles, pois Atenas vivia sob o comando de, exatamente, Péricles (ele governou Atenas até 429 a.C.).

Péricles estudou com alguns dos principais filósofos da época, portanto valorizava muito a cultura, e esse foi um dos grandes fortes de seu governo, pois Atenas se desenvolveu muito culturalmente, seja em filosofia, teatro, artes, religião, ou até mesmo justiça, política e economia. Atenas se tornou o Centro Cultural da Grécia, com suas peças de teatro, esculturas, arquitetura, filosofia (Sócrates viveu nesta época), história, literatura e até medicina, com Hipócrates (conhecido como o “pai da medicina”).

Péricles morreu em 429 a.C., vítima da Peste de Atenas.

Escultura de péricles | atenas e esparta
Busto de péricles em escultura

Esparta

Homem em traje de guerra segurando uma lança e um escudo | atenas e esparta
Estátua em homenagem a leonidas i, um dos reis de esparta. Fonte: twitter

Esparta pode até ficar um pouco apagada frente a todo o desenvolvimento e importância de Atenas, mas ela não só não aceita essa hegemonia (alô Guerra do Peloponeso) como foi sim tão importante quanto Atenas na história da Grécia Antiga. 

Sociedade e Política

Diz-se que a sociedade espartana derivou do povo Dório (ou Dórico), e veio daí sua característica mais militarizada.

Enquanto Atenas tinha características comerciais muito fortes, e o poder social estava relacionado a isso, Esparta focava nos exércitos e militarização. A sociedade espartana era extremamente rígida e disciplinada, como um grande exército.

Mobilidade social era algo quase que inexistente, e o uso da violência era muito comum. A sua posição na sociedade era demarcada a partir do seu nascimento. Existiam três camadas principais:

  • Esparciatas: essa era a classe social que estava no topo da pirâmide de classes espartana. Os esparciatas governavam a cidade, possuindo principalmente cargos militares altos. Estes, eram os descendentes dos dórios. Os esparciatas eram os únicos a possuírem direitos políticos, ou seja, os únicos a serem considerados efetivamente cidadãos espartanos. Possuiam também terras e mão-de-obra disponibilizados pelo governo;
  • Periecos: trata-se da classe de comerciantes e artesãos. Eram livres, porém viviam na periferia sem direitos políticos e tinham que pagar impostos.
  • Hilotas: a classe dos servos. Essa era a classe que correspondia à maior parte da população espartana, os descendentes dos povos conquistados pelos dórios na região. Aqui era onde todo o trabalho nas terras doadas aos esparciatas era feito, bem como onde a violência era frequentemente utilizada, para mantê-los reféns pelo medo.

Esta organização social foi estabelecida por um legislador chamado Licurgo.

Politicamente, Esparta era governada por uma Diarquia, ou seja, dois reis, cada um de uma dinastia diferente, os Ágidas e os Euripôntidas. Durante as guerras, um dos reis iria à batalha com seu povo, enquanto o outro ficava na cidade para governar.

Haviam outras três instituições políticas, além dos reis:

  • Apela: como uma assembleia, na qual cidadãos espartanos com mais de 30 anos se reuniam para tomar decisões políticas, que se tratavam de propostas enviadas pela chamada Gerúsia, que veremos a seguir;
  • Gerúsia: 28 esparciatas com mais de 60 anos eram escolhidos pela Apela para formar esse Conselho. Eles formulavam as leis e cumpriam funções administrativas. Os reis faziam parte da Gerúsia e a posição nesta instituição era vitalícia (até a morte);
  • Éforos: 5 esparciatas ocupavam o Éforos por um ano. Era considerada a instituição mais poderosa da cidade, pois eram responsáveis por monitorar o trabalho dos reis.

Diferente de Atenas, onde as atividades artísticas eram extremamente valorizadas, em Esparta não havia muito espaço para arte, pois a sociedade espartana era completamente focada na formação militar.

Hegemonia Espartana

Como já foi dito, após a vitória nas Guerras Médicas, Atenas assumiu uma posição hegemônica em relação à Grécia como um todo. Isso não foi bem recebido por Esparta, que se retirou da Liga de Delos e fundou sua própria confederação, a Liga do Peloponeso. A ideia principal da Liga do Peloponeso seria a mesma da Liga de Delos, proteção dos territórios gregos, porém, ao invés de Atenas, era liderada por Esparta. 

Conflitos internos levaram à guerra entre as duas ligas, a Guerra do Peloponeso. Em 404 a.C., a Guerra do Peloponeso teve fim, com vitória espartana, o que deu início ao período de hegemonia espartana sobre a Grécia. Basicamente todo o poder que Atenas assumia na região passou a ser de Esparta. 

Mas essa hegemonia não foi bem recebida por algumas cidades-estado, o que gerou pequenas revoltas de Tebas, Corinto, Atenas e Argos, apoiadas, sim, por eles, os persas. Mas não se engane, os persas logo mudaram de lado novamente.

Esse conflito ficou conhecido como Guerra de Corinto (395-387 a.C.). A vitória espartana veio exatamente após os persas mudarem de lado e passarem a apoiar Esparta, o que obrigou os inimigos a buscarem um tratado de paz.

Em 371 a.C., porém, na chamada Batalha de Leuctra, a cidade de Tebas conseguiu uma surpreendente vitória em cima de Esparta, o que marcou a queda da hegemonia espartana e o início da hegemonia tebana.

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