Barroco Brasileiro na Arte e Literatura (1601 – 1768)

A escola literária Barroco, em sua execução no Brasil está associada a obras produzidas entre o ano de 1601 e 1768. A influência artística chegou ao país após seu surgimento na Europa, durante o século XVI, dando origem ao barroco brasileiro. Esse período histórico ficou marcado por eventos de grande magnitude como a Reforma Protestante e a Contrarreforma. A Itália, é considerada pelos estudiosos como sendo o berço desse movimento artístico e literário, e seu maior representante.

As principais características da literatura barroca são o fusionismo, o cultismo e o conceptismo. No Brasil, os principais escritores na literatura barroca são Gregório de Matos (1636-1696) e Pe. António Vieira (1608-1697). Bento Teixeira (1561-1600), foi o escritor considerado como autor da obra inaugural do barroco no país.

No que se diz respeito ao movimento no âmbito artístico, principalmente artes visuais, os artistas Aleijadinho e Mestre Ataíde são destaques em nossa cultura. Confira mais assuntos relacionados a língua portuguesa e literatura e, se ficar com alguma dúvida, é só deixar nos comentários.

Contexto histórico do barroco no Brasil

O Brasil do século XVII, tinha sua economia era baseada principalmente na produção de cana-de-açúcar, mão de obra escravista, composta por indígenas nativos e negros africanos. A cultura colonial era um reflexo dos costumes da metrópole Portugal.

A Europa por sua vez, acabava de vivenciar a criação da Reforma Protestante, e a resposta advinda da Igreja Católica, o movimento de Contrarreforma. Desta forma, o continente europeu era dividido entre o catolicismo e o protestantismo, e Portugal sendo um país historicamente católico exercia sua influência sobre o Brasil, tornando esta a religião oficial e mais popular do Brasil colônia.

Parte do movimento de Contrarreforma, iniciado pelo Clero, era adotar medidas para que os fiéis não abandonassem a fé, tais quais a retomada do Tribunal do Santo Ofício, que conhecemos também como a Santa Inquisição, e a fundação da Companhia de Jesus. Graças a essa medida, os indígenas brasileiros foram alvo de catequização, causando um processo de aculturação e apagamento histórico desses povos até os dias atuais.

Literatura Barroca no Brasil

Devido às peculiaridades de sua formação como colônia, no Brasil a cultura literária custou a se desenvolver. Portugal não fez nenhum esforço para educar os territórios colonizados – na verdade, por vários meios ele se esforçou para não educá-los, pois o grande interesse era a exploração de seus recursos e temia-se que uma colônia educada pudesse se rebelar contra o poder central e se tornar independente.

Não existiam bibliotecas e escolas públicas, e o que se aprendia – quando se aprendia – era uma instrução elementar sob a tutela da Igreja, especialmente dos jesuítas, fortemente voltada para a catequese, e a educação terminava aí, sem perspectivas de aprofundamento ou de melhorar o gosto literário, a menos que os alunos acabassem ingressando nas fileiras da Igreja, o que lhes daria uma melhor preparação.

Além disso, grande parte da população era analfabeta e a transmissão da cultura era quase inteiramente baseada na oralidade, a imprensa era proibida, os manuscritos eram raros porque o papel era caro, almanaques, compêndios de latim, lógica e legislação, de modo que além sendo poucos leitores, não havia quase nada para ler. Assim, a escassa literatura produzida durante o Barroco nasceu principalmente entre os padres, alguns deles altamente esclarecidos, ou entre alguma família nobre ou abastada, entre funcionários do governo, que podiam se dar ao luxo de estudar na metrópole, e foi consumida nessa mesma reduzida círculo.

O que tem podido florescer nesse contexto seguiu amplamente o barroco literário europeu, caracterizado pela retórica exuberante, apelo emocional, discurso polissêmico, assimetria, gosto pelas figuras e contrastes da linguagem,

Soma-se a isso o fato de que até meados do século XVIII, quando o Marquês de Pombal introduziu grandes reformas na educação e procurou homogeneizar o panorama linguístico nacional, o que menos se falava no Brasil era o português. No contexto de um território conquistado cujos habitantes originários se expressavam em uma infinidade de outras línguas, os primeiros colonizadores europeus tiveram que conhecê-las, e acabaram utilizando-as em larga escala em público e até mesmo em ambiente doméstico onde sempre escravos índios circulavam e mestiços, muitas vezes criando linhas híbridas, como a língua geral paulista, que predominava no sul, e o nheengatu, que foi por muito tempo a língua franca da Amazônia.

Essa miscigenação ocorreu também no campo pastoral, dando frutos literários em obras originais ou traduções feitas pelos missionários para trabalhar com os índios, incluindo sermões, poemas e livros sagrados, além de trabalhos técnicos como catecismos, dicionários e gramáticas. Durante a União Ibérica, e sob a influência das vizinhas colônias hispânicas, de onde vieram muitos em busca de melhores oportunidades, o espanhol também teve circulação significativa no sul do Brasil e em São Paulo, mas ao contrário das línguas indígenas, não se enraizou, extinguiu-se rapidamente. Em alguns pontos da costa, por um breve período, também foram ouvidos holandeses e franceses.

As falas dos escravos africanos, por outro lado, ficam registradas, foram severamente reprimidas, mas conseguiram sobreviver em pequena escala de forma encoberta, usadas sozinhas, e nas festas e ritos africanos praticados escondidos dos brancos. Por fim, deve-se dizer que a língua dos estudos naquela época era o latim, a língua oficial da Igreja, do Direito e da Ciência, e que monopolizou todo o sistema de ensino superior.

Havia pouco espaço para o português ser cultivado com mais intensidade, ficando restrito quase exclusivamente ao âmbito oficial, e além de raros escritores pioneiros, alguns dos quais logo serão citados, somente em meados do século XVIII é que a literatura brasileira em português começará a adquirir um caráter mais rico e nitidamente nativo, acompanhando o crescimento das cidades litorâneas, o surgimento das primeiras academias literárias.

Poesia

No campo da poesia, destaca-se o precursor Bento Teixeira com sua epopeia Prosopopeia, inspirada na tradição clássico-maneirista de Camões, seguido por Manuel Botelho de Oliveira, autor de “Música do Parnasso”, primeiro livro impresso de autor brasileiro, coleção de poemas em Português e espanhol em estrita orientação cultista e conceitual, na poesia de Góngora, e mais tarde do Frei Manuel de Santa Maria, também da escola camoniana.

Mas o maior poeta do barroco brasileiro é Gregório de Matos, de grande veia satírica, e igualmente penetrante na religião, na filosofia e no amor, muitas vezes com crua carga erótica. Ele também fez uso de uma linguagem culta repleta de figuras de linguagem, ao mesmo tempo que exibia influências classicistas e maneiristas. Foi apelidado de “Boca do Inferno” por suas críticas mordazes aos costumes da época.

Prosa

Na prosa o grande expoente é o Padre Antônio Vieira, com os seus sermões, dos quais é notável o Sermão do Primeiro Domingo da Quaresma, onde defendeu os nativos da escravidão, comparando-os aos hebreus escravizados no Egito. No mesmo tom está o Sermão 14 do Rosário, condenando a escravidão dos africanos, comparando-a ao Calvário de Cristo. Outras peças importantes de sua oratória são o Sermão de Santo Antônio de Peixes, o Sermão do Mandato, mas talvez o mais celebrado seja o Sermão do Sexagésimo, de 1655.

Nele defende não só os índios, mas também, e sobretudo, ataca seus carrascos, os dominicanos, por meio de uma inteligente cadeia de imagens evocativas. A sua escrita foi animada pelo desejo de estabelecer um império português e católico governado pelo zelo cívico e pela justiça, mas sua voz foi interpretada como uma ameaça à ordem estabelecida, o que lhe trouxe problemas políticos e atraiu sobre ele a suspeita de heresia. É também autor da primeira narrativa utópica escrita em português, a História do Futuro, onde procurou reviver o mito do Quinto Império, um império cristão e português que dominava o mundo.

Música

A música é a arte cuja trajetória durante o Barroco no Brasil é a menos conhecida e a que menos deixa relíquias – quase tudo se perdeu. Da produção musical nativa sobreviveram apenas obras notáveis do final do século XVIII, ou seja, quando o barroco já dava lugar à escola neoclássica. Não que não houvesse vida musical na colônia nos séculos anteriores; no entanto, as partituras se perderam, sobrevivendo não mais que 2.500 composições conhecidas, na estimativa de Régis Duprat, em sua maioria datadas do final do período, mas os testemunhos literários não deixam dúvidas sobre a intensa atividade musical brasileira desde o início do Barroco, especialmente no Nordeste. No final do século XVIII havia mais músicos ativos na colônia do que em Portugal,

As primeiras atividades musicais registradas no país estavam ligadas à catequese, contando com a participação ativa dos índios. Em algumas reduções do sul floresceu uma rica vida musical, mas, em geral, a música praticada pelos missionários entre os nativos era bastante simples, empregando basicamente o canto homofônico, que muitas vezes fazia parte das representações teatrais didáticas.

Pouco depois foi introduzido um instrumental elementar composto basicamente pelas flautas e pelas violas de arame. Com o crescimento da colônia, melhores condições materiais proporcionaram um enriquecimento generalizado, surgindo corais, orquestras e escolas. Foi quando os negros e os mestiços, que passaram a dominar os músicos coloniais, se tornaram muito mais importantes, musicalmente. Há vários relatos admirados de viajantes em orquestras de negros e mestiços tocando com perfeição algumas peças eruditas europeias. Muitos deles, além de interpretar, criaram, e entre eles vieram alguns dos maiores compositores do período, embora traços da cultura original de sua etnia não sejam, de forma alguma detectados, em sua produção, todas orientadas para os modelos europeus.

Sendo a Igreja a grande patrona das artes, foi natural a proliferação de irmandades musicais, que passaram a adquirir enorme importância na vida musical da colônia. Alguns ficaram muito ricos, conseguindo administrar orquestras completas e possuir templos próprios decorados com luxo. Embora as irmandades se organizassem espontaneamente, a prática musical que desenvolviam nasceu de comissões, e sempre esteve sob a tutela da Igreja, que atribuía a cada uma a responsabilidade pela musicalização de cerimônias e festas específicas, contratando seu mestre principal para a execução de música ao longo de um ano.

Essa forma de contratação era chamada de estanque, e equivalia a um monopólio. No final do século XVIII foi introduzido o leilão dos contratos. As formas de música sacra cultivadas no Brasil eram equivalentes às da Europa: missas, ladainhas, motetos, salmos, responsórios, hinos, entre outros, e tinham, como as demais artes barrocas, um caráter funcional: visavam estimular a devoção dos os fiéis. Importante elemento catalisador e evocativo de um culto ritualizado e espetacularizado, ocorrendo no cenário suntuoso das igrejas ou nas coloridas e movimentadas festas ao ar livre.

No entanto, a música profana também experimentou um florescimento rico e sofisticado. Além de estar presente em muitas situações domésticas, em festas cívicas, em cerimônias oficiais, misturando-se à música popular, os relatos também acusam a encenação de óperas completas na Bahia e em Pernambuco no final do século XVII, assim como no século seguinte no Rio (1767) e São Paulo (1770), com repertório basicamente italiano. Destacou-se o português Antônio Teixeira, que interpretou as sátiras de Antônio José da Silva, o judeu, de grande difusão e sucesso, embora escritas em Portugal.

A partitura vocal profana mais antiga escrita no Brasil em português que durou foi a “Cantata Acadêmica Heroe, egregio, douto, peregrino” de um compositor anônimo que em 1759 saudou com música elegante e expressiva o dignitário português José Mascarenhas e deplorou as dificuldades por que passara nesta terra. Sua autoria é por vezes atribuída a Caetano de Melo de Jesus, mestre de capela da Catedral de Salvador.

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Capa do Manuscrito de Heroe, egregio, douto, peregrino. Fonte: Wikipedia

Deve incluir a citação de alguns outros nomes importantes. Em São Luís, a partir de 1629 nota-se a presença de Manuel da Motta Botelho como mestre de capela. Frei Mauro das Chagas trabalhou um pouco antes em Salvador, e depois dele vieram José de Jesus Maria São Paio, Frei Félix, Manuel de Jesus Maria, Eusébio de Matos e vários outros, especialmente João de Lima, o primeiro teórico musical do Nordeste, polifonista, multi-instrumentista e mestre de capela da Catedral de Salvador entre 1680 e 1690, assumindo depois a de Olinda. Uma das principais figuras do auge musical de Salvador foi o Pe. Agostinho de Santa Mônica, de grande fama em vida, autor de mais de 40 missas, algumas em estilo policoral, e outras composições. Caetano de Melo de Jesus, já citado, foi outro grande personagem da música da capital baiana,

Os outros grandes centros da época, Recife, Belém e São Paulo, só puderam manter uma atividade consistente a partir do século XVIII. Apesar da relativa demora, a qualidade de sua vida musical atingiu um patamar que interessou até mesmo os especialistas em Metropólis. Vários dos seus instrumentistas constam do Dicionário dos Músicos Portugueses de José Mazza, entre eles José Costinha, Luís de Jesus, José da Cruz, Manoel da Cunha, Inácio Ribeiro Noia e Luís Álvares Pinto.

Muitos historiadores classificam a obra Amor Mal Correspondido, produzida no Recife em 1780 por Luís Álvares Pinto, como o primeiro drama montado publicamente no Brasil por um autor nativo; e embora a peça não se destinasse a ser cantada (há um refrão figurado pela canção), tem um enredo semelhante ao da melhor ópera séria da época.

Características do barroco brasileiro

  • Conflitos existenciais;
  • Grandes contrastes, bem e mal, claro e escuro;
  • Teocentrismo;
  • Uso recorrente de: antítese, paradoxo, hipérbole, hipérbato, sinestesia, comparação e metáfora;
  • Visão pessimista da realidade;
  • Feísmo;
  • Linguagem rebuscada;
  • Conceptismo;
  • Cultismo;
  • Versos decassílabos;
  • Fascinação pela morte;;
  • Fusionismo;

Principais obras e autores do Barroco Brasileiro

O livro que abre as portas para o barroco no território brasileiro é Prosopopeia  publicado em 1601, de Bento Teixeira. Trata-se de um poema épico. Por meio da combinação entre fatos históricos e mitológicos, o autor homenageia o então governador de Pernambuco, Jorge d’Albuquerque Coelho (1539-1596):

Cantem Poetas o Poder Romano,
Submetendo Nações ao jugo duro;
O Mantuano pinte o Rei Troiano,
Descendo à confusão do Reino escuro;
Que eu canto um Albuquerque soberano,
Da Fé, da cara Pátria firme muro,
Cujo valor e ser, que o Céu lhe inspira,
Pode estancar a Lácia e Grega lira.
[…]

Bento Teixeira

No entanto, obra mais conhecida do barroco brasileiro pertence à Pe. António Vieira, chamada de Sermões, publicada no ano de 1679. As obras Esperanças de Portugal (1659), História do futuro (1718) e Obra completa (2015), também merecem destaque pela fama.

O amor fino não busca causa nem fruto. Se amo, porque me amam, tem o amor causa; se amo, para que me amem, tem fruto: e amor fino não há-de ter porquê nem para quê. Se amo, porque me amam, é obrigação, faço o que devo: se amo, para que me amem, é negociação, busco o que desejo. Pois como há-de amar o amor para ser fino? Amo, quia amo; amo, ut amem: amo, porque amo, e amo para amar. Quem ama porque o amam é agradecido. quem ama, para que o amem, é interesseiro: quem ama, não porque o amam, nem para que o amem, só esse é fino.

PE António Vieira

poema satírico de Gregório de Matos, é outra obra que podemos enfatizar como representante do barroco português. No poema, Gregório faz uma crítica à exploração estrangeira na Bahia:

Triste Bahia! ó quão dessemelhante
Estás e estou do nosso antigo estado!
Sobre te vejo a ti, tu a mi empenhado,
Rica te vi eu já, tu a mi abundante.

A ti trocou-te a máquina mercante,
Que em tua larga barra tem entrado,
A mim foi-me trocando, e tem trocado,
Tanto negócio e tanto negociante.

Deste em dar tanto açúcar excelente
Pelas drogas inúteis, que abelhuda
Simples aceitas do sagaz Brichote.

Oh se quisera Deus, que de repente
Um dia amanheceras tão sisuda
Que fora de algodão o teu capote!

Gregório de Matos
Barroco
Gregório de Matos e PE António Vieira, principais autores do barroco brasileiro

Arte barroca

Na arte, o barroco teve como seu maior nome o pintor Caravaggio.

No Brasil, a arte no barroco chegou com um considerável atraso, e por isso, se confunde com alguns elementos da estética rococó, um outro movimento artístico europeu. Alguns estudiosos acreditam que o movimento tenha sido mesclado com o rococó de tal forma que poderia caracterizar um movimento totalmente inédito que reúne características ambivalentes, apelidado inclusive como barrococó. Assim, os principais artistas do barroco brasileiro são:

  • Mestre Valentim;
  • Mestre Ataíde;
  • Francisco Xavier de Brito;
  • Aleijadinho;

O maior numero de obras barrocas no Brasil está localizado em Minas Gerais, especialmente as 12 cidades históricas do estado.

Alguns exercícios

(VUNESP

      Ardor em firme coração nascido;
      pranto por belos olhos derramado;
      incêndio em mares de água disfarçado;
      rio de neve em fogo convertido:
      tu, que em um peito abrasas escondido;
      tu, que em um rosto corres desatado;
      quando fogo, em cristais aprisionado;
      quando crista, em chamas derretido.
      Se és fogo, como passas brandamente,
      se és fogo, como queimas com porfia?
      Mas ai, que andou Amor em ti prudente!
      Pois para temperar a tirania,
      como quis que aqui fosse a neve ardente,
      permitiu parecesse a chama fria. 

Gregório de Matos

O texto pertencente a Gregório de Matos apresenta todas as seguintes características:

a) Trocadilhos, predomínio de metonímias e de símiles, a dualidade temática da sensualidade e do refreamento, antíteses claras dispostas em ordem direta.

b) Sintaxe segundo a ordem lógica do Classicismo, a qual o autor buscava imitar, predomínio das metáforas e das antíteses, temática da fugacidade do tempo e da vida.

c) Dualidade temática da sensualidade e do refreamento, construção sintática simétrica por simetrias sucessivas, predomínio figurativo das metáforas e pares antitéticos que tendem para o paradoxo.

d) Técnica naturalista, assimetria total de construção, ordem direta inversa, imagens que prenunciam o Romantismo.

e) Verificação clássica, temática neoclássica, sintaxe preciosista evidente no uso das antíteses, dos anacolutos e das alegorias, construção assimétrica.

(Faculdade Objetivo – SP) Sobre cultismo e conceptismo, os dois aspectos construtivos do Barroco, assinale a única alternativa incorreta:

a) O cultismo opera através de analogias sensoriais, valorizando a identificação dos seres por metáforas. O conceptismo valoriza a atitude intelectual, a argumentação.

b) Cultismo e conceptismo são partes construtivas do Barroco que não se excluem. É possível localizar no mesmo autor e no mesmo texto os dois elementos.

c) O cultismo é perceptível no rebuscamento da linguagem, pelo abuso no emprego de figuras semânticas, sintáticas e sonoras. O conceptismo valoriza a atitude intelectual, o que se concretiza no discurso pelo emprego de sofismas, silogismos, paradoxos, etc.

d) O cultismo na Espanha, Portugal e Brasil é também conhecido como gongorismo e seu mais ardente defensor, entre nós, foi o Pe. Antônio Vieira, que, no Sermão da Sexagésima, propõe a primazia da palavra sobre a ideia.

e) Os métodos cultistas mais seguidos por nossos poetas foram os de Gôngora e Marini e o conceptismo de Quevedo foi o que maiores influências deixou em Gregório de Matos.

Respostas

1 – Alternativa “c”. Podemos perceber, a partir da análise da poesia “Lágrimas de amor: fogo e neve”, o dualismo barroco presente nos versos de Gregório de Matos através da mistura de religiosidade e sensualismo, misticismo e erotismo, valores terrenos e aspirações espirituais, ideias dispostas por meio de metáforas, especialmente com o uso de paradoxos.

2 – Alternativa “d”. Pe. Antônio Vieira era conceptista, e não cultista.

FAQ Rápido

Quais as principais características de Barroco?

São caracterizadas como as principais características da arte Barroca a seu exagero e rebuscamento. valorização dos detalhes, as contradições e a complexidade, bem como o sensualismo.

Quem são os principais artistas do barroco brasileiro?

Os principais artistas do barroco brasileiro são:
– Mestre Valentim;
– Mestre Ataíde;
– Francisco Xavier de Brito;
– Aleijadinho;

Quando surgiu o barroco no Brasil?

O barroco no Brasil surgiu graças a influência dos colonizadores, principalmente os portugueses, e ocorreu entre 1601 e 1768. O movimento sofreu forte influência da Contrarreforma Católica, que aconteceu na Europa.

Como a arte barroca era usada?

Sendo muito ligada a retomada da importância de Deus na vida das pessoas, após um período de forte antropocentrismo e afastamento das pessoas da igreja, a arte Barroca foi usada principalmente para ajudar na catequização e a retomada do poder pela igreja católica.

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