Briófitas: Tudo Sobre suas Caraterísticas e Importância

O mundo dos musgos, hepáticas e antóceras, coletivamente conhecidos como briófitas, formam uma bela floresta em miniatura; no entanto, muitas vezes são negligenciadas, devido ao seu pequeno tamanho e falta de flores coloridas. Mas são precisamente essas características que tornam as briófitas incrivelmente interessantes do ponto de vista evolutivo.

“As briófitas têm uma biologia fascinante e complexa”, destaca o pós-doutor, Juan Carlos Villarreal, “As adaptações evolutivas dessas plantas para ter sucesso, apesar de seu tamanho, são realmente interessantes.”

As briófitas são plantas avasculares, isto é, que não possuem vasos condutores de seiva. Elas crescem em solos úmidos, pedras ou troncos de árvores, sendo os musgos seus principais representantes. São vegetais de pequeno porte que não costumam ultrapassar 5 cm de altura, embora na Nova Zelândia (página na Wikipédia) se encontrem briófitas de até 40 cm. Apresentam maior especialização celular do que as algas (das quais possuem ascendência) e são dotadas de vários tecidos diferentes. Musgos e hepáticas são as plantas mais conhecidas desse grupo.

Vamos falar sobre as plantas da espécie Briófitas e você pode conferir outros assuntos sobre biologia no nosso site e, se ficar com alguma dúvida, é só deixar aí nos comentários.

Principais características das briófitas

  • plantas avasculares porque não possuem tecidos condutores de seiva.
  • alternância de gerações: fase gametofítica​ (forma gametas) que é haploide e desenvolvida, e a fase esporofítica (forma esporos)​ que é diploide e mais curta.
  • a reprodução pode ser assexuada ou sexuada.
  • a maioria é dioica, ou seja, femininas e masculinas.
  • necessidade de haver água para que aconteça a reprodução.
  • presentes principalmente em ambientes terrestres úmidos.
  • geralmente te pequeno porte.
  • O corpo da planta é semelhante ao talo, o que significa que pode ser prostrado ou ereto. Eles carecem de estrutura vegetativa verdadeira e têm uma estrutura semelhante a uma raiz, a um caule e a uma folha.
  • Os rizóides, que podem ser unicelulares ou multicelulares, aderem a ele.
  • As plantas não possuem sistema vascular (xilema, floema). E as plantas crescem em ambientes úmidos e sombreados.
  • O gametófito haplóide é a parte dominante do corpo da planta.
  • As três partes do gametófito talóide são rizóides, eixo e folhas.
  • O gametófito fotossintético possui órgãos sexuais multicelulares. O anterídio produz anterozóides flagelados.
  • O zigoto torna-se um esporófito multicelular. Um organismo semiparasitário que se alimenta do gametófito é o esporófito.
  • Células esporófitas meiose para formar gametas haplóides que formam um gametófito. Protonema é o nome dado ao gametófito juvenil.
  • Um arquegônio tem a forma de um frasco e produz um ovo. Os anterozóides se combinam com os ovos para formar um zigoto.

Como ocorre a Reprodução

As briófitas apresentam alternância de gerações entre os gametófitos independentes da geração, que produzem os órgãos sexuais, espermatozoides e óvulo, e os esporófitos dependentes da geração, que produz os esporos. Em contraste com as plantas vasculares, o esporófito da briófita geralmente não possui um sistema vascular complexo e produz apenas um órgão contendo esporos (esporângio) em vez de muitos. Esse grupo possui a capacidade de se reproduzir de forma assexuada e sexuada podendo variar dentro da espécie.

Reprodução assexuada

Existem duas possibilidades de reprodução assexuada, sendo uma delas com indivíduos capazes de gerar novos indivíduos a partir de partes do corpo, ou seja, por fragmentação. O processo de fragmentação se da pela reprodução assexuada em que o indivíduo inicial se divide em duas partes iguais e cada uma delas se regenerará originando um novo indivíduo independente.

A segunda possibilidade é com indivíduos capazes de produzir propágulos, que são estruturas especializadas que se formam dentro dos conceptáculos, formando pequenas taças. Os propágulos se separam dos conceptáculos e são levados pela água para outros lugares onde será originado um novo indivíduo.

Reprodução sexuada

Na reprodução sexuada, a estrutura reprodutora masculina é chamada anterídio onde serão produzidos os gametas masculinos chamados de anterozoides, e a feminina chamada de arquegônio onde se encontra o gameta feminino denominado como oosfera.

Havendo a possibilidade de água, os anterídios se abrem e liberam os anterozoides, que são levados até as extremidades dos musgos femininos e nadam até o interior dos arquegônios, onde se encontram com as oosferas. Com isso, a fecundação é realizada e forma um zigoto diploide, que passa por diversas mitoses para então originar o embrião.

Com o desenvolvimento desse embrião, que é diploide, se forma o esporófito na extremidade da planta. Esse esporófito possui uma haste chamada seta e na ponta uma pequena cápsula, onde se encontra o esporângio.

Dentro do esporângio se localizam os esporócitos (também diploides), e estes se dividem por da meiose originando por fim as células haploides, que são chamadas de esporos. Após a maturação desses esporos eles serão liberados no ambiente e levados pelo ar até encontrarem condições de germinar em outro local. Assim, eles originarão uma estrutura filamentosa e ramificada, a partir da qual serão formados os novos gametófitos e recomeça o ciclo.

Ciclo de vida das briófitas
Ciclo de vida das Briófitas

Classificação das Briófitas

As briófitas são divididas em três classes:

  • Classe Musci sendo o principal representante, o musgo
  • Classe Hepaticae da qual fazem parte as hepáticas
  • Classe Anthocerotae onde se encontram os antóceros

Os gametófitos não apresentam folhas, caules ou raízes, porém, são encontradas estruturas semelhantes chamadas de filoides, cauloides e rizoides. Já o esporófito, é dependente nutricionalmente do gametófito e cresce sobre este. Este se caracteriza por possuir uma haste e uma cápsula onde são produzidos os esporos.

Apesar de pequenas, as briófitas possuem um grande papel a desempenhar na natureza
Apesar de pequenas, as briófitas possuem um grande papel a desempenhar na natureza

Musci

A maior classe de Bryophyta, com aproximadamente 1400 espécies. Eles são comumente referidos como musgos. Exemplos incluem Funaria, Polytrichum e Sphagnum. As características primárias são as seguintes:

  • O gametófito é classificado como protonema ou gametóforo foliose. As plantas folhosas têm um caule como eixo e folhas sem nervura central.
  • Os rizóides têm estruturas multicelulares com septos oblíquos.
  • Elaters estão ausentes e os órgãos sexuais são transportados apicalmente no caule.
  • O esporófito é classificado em três tipos: pé, seta e cápsula.
    O endotécio dá origem a tecidos esporogênicos.
  • A cápsula deisce devido à separação da tampa, e a columela está presente.

Anthocerotopsida

Esta classe contém aproximadamente 300 espécies. Hornworts são outro nome para eles. Possui apenas uma ordem, Anthocerotales. Exemplos incluem Anthoceros, Megaceros e Notothylas.

As características primárias são as seguintes:

  • O corpo gametofítico é um talóide dorsiventral simples, achatado, sem diferenciação interna.
  • Dorsalmente embutidos no talo estão os órgãos sexuais. Cada célula tem um cloroplasto que contém um pirenóide.
  • O esporófito é dividido em três partes: o pé, a zona meristemática e a cápsula.
  • O anfitécio dá origem a tecidos esporogênicos. Os rizóides têm células de paredes lisas.
  • A columela é encontrada na cápsula, que é composta de endotécio. A cápsula contém pseudocrateras.

Hepaticopsida

Este grupo inclui as hepáticas, que são um tipo de briófita. Possui aproximadamente 900 espécies. As hepáticas são as briófitas mais básicas. Eles preferem rochas úmidas e solo úmido para viver. Como vivem perto da água, suas chances de secar são bastante reduzidas.

Uma planta é chamada de gametófito. Geralmente é ramificado dicotomicamente e pode ser talóide (plano) ou semelhante a uma fita (semelhante a uma fita). Marchantia, por exemplo, está ligada ao solo por rizóides. Outras espécies, como a Porella, crescem eretas e são enganosamente frondosas, o que significa que possuem caule e folhas falsas.

Hepaticopsida é ainda classificado em quatro ordens:

  • Marchantiales (e.g. Riccia, Marchantia)
  • Sphaerocarpales (por exemplo, Sphaerocarpus)
  • Calobryales (e.g. Calobryum)
  • Jungermanniales (e.g. Pellia)

Importância das Briófitas

As briófitas formam a base dos ecossistemas vegetais. Elas são frequentemente encontradas em biomas como a tundra e nas florestas tropicais. São plantas responsáveis por fenômenos que reduzem os riscos de erosão no solo, e também podem servir de reservatórios de água e nutrientes para outras espécies.

Além disso, servem de abrigo para microfauna. Estudos mostram que a capacidade regenerativa das briófitas funcionam como uma espécie de viveiro para outras plantas que estão passando pelos processos de sucessão ecológica e regeneração e apresentam crescimento perpendicular ao solo, uma vez que não vascularizadas, as briófitas precisam se manter pequenas para conseguir sobreviver. Devido à alta capacidade de armazenar carbono, elas estão relacionadas com o ciclo do carbono nas grandes florestas.

Conclusão

As briófitas são uma divisão informal que consiste em 3 grupos de plantas não vasculares, ou seja, musgos, hepáticas e antóceros. As características proeminentes das briófitas são a ausência de raízes verdadeiras, caules e folhas. Além disso, os rizóides desempenham a função de raízes, essencialmente ancorando as plantas na superfície. No entanto, os rizóides não absorvem nutrientes como as raízes das plantas tradicionais.

Um ambiente com alto teor de umidade ou próximo a um corpo de água é essencial para o crescimento e propagação dos musgos. No entanto, algumas espécies de musgos também são conhecidas por sobreviver em ambientes áridos e semiáridos, como desertos. Nesses casos, eles podem secar totalmente e entrar em um estado de animação suspensa. Quando entram em contato com a água novamente, revivem e continuam crescendo.

Exercícios

(UFSM) – Na passagem evolutiva de plantas aquáticas (algas verdes) para o ambiente terrestre, alguns cientistas consideram as briófitas as primeiras a apresentarem características que permitiram que as plantas invadissem esse tipo de ambiente.

No referido grupo (briófitas), uma dessas características é o(a):

  • A –  Aparecimento da clorofila dando início ao processo de fotossíntese.
  • B –  Surgimento de tecidos de condução.
  • C –  Formação de sementes como o modo mais eficiente de propagação.
  • D –  Surgimento de rizóides, que assumiram as funções de absorção e fixação.
  • E –  Eliminação da dependência da água para a fecundação.

RESPOSTA: D – O surgimento de rizóides com função semelhante a uma raiz primitiva facilitou a fixação das briófitas no ambiente terrestre. As briófitas são plantas avasculares sem sementes e dependentes de água para a fecundação. A clorofila já era um pigmento presente nas algas verdes.

(FATEC-SP)

Nos musgos, uma divisão meiótica originará.

  • A –  Anterozóides
  • B –  Esporos
  • C –  Oosferas
  • D –  Óvulos
  • E –  Zigotos

RESPOSTA: B – As divisões meióticas ocorrem no esporófito, originando esporos.

(PUC-PR)

Das alternativas abaixo, apenas uma caracteriza as briófitas. Identifique-a:

  • A –  O transporte de substâncias é feito pelos vasos lenhosos, por todo o corpo do vegetal.
  • B –  Apresentam os órgãos de nutrição completamente diferenciados e com estrutura complexa.
  • C –  Esses vegetais produzem cone masculino e feminino, em indivíduos diferentes.
  • D –  Nesses vegetais, a planta adulta é representada pelo gametófito (geração haplóide).
  • E –  São as únicas plantas superiores que não produzem flores.

RESPOSTA: D – O gametófito das briófitas é haplóide, originado a partir da fixação do esporo, também haplóide, no solo.

As briófitas são plantas que possuem pequeno porte. A característica que impede que essas plantas atinjam um tamanho maior é:

  1. ausência de vasos condutores de seiva
  2. presença de rizoides
  3. presença de filoides
  4. ausência de frutos
  5. ausência de flores

RESPOSTA: 1 – Em razão da falta de um sistema de condução de seiva, a água é transportada célula a célula no corpo da briófita, isso faz com que o crescimento da planta seja limitado.

(PUC- RS) São vegetais que apresentam estruturas chamadas rizoides, as quais, servindo à fixação, também se relacionam à condução de água e dos sais mineiras para o corpo da planta. Apresentam sempre pequeno porte, em decorrência da falta de um sistema vascular. Nenhum dos seus representantes é encontrado no meio marinho.

O texto acima se aplica a um estudo:

  1. das pteridpófitas
  2. dos mixofitos
  3. das briófitas
  4. das clorofitas
  5. das gimnospermas

RESPOSTA: 3 – As características descritas são do grupo das briófitas: presença de rizoides; ausência de vasos condutores; pequeno porte e ausência de representantes marinhos.

FAQ – Perguntas frequentes

Como se classificam as plantas Briófitas?

As briófitas são divididas em três classes:
Classe Musci sendo o principal representante, o musgo;
Classe Hepaticae da qual fazem parte as hepáticas;
Classe Anthocerotae onde se encontram os antóceros;

O que são briófitas?

As briófitas são plantas avasculares, isto é, que não possuem vasos condutores de seiva. Elas crescem em solos úmidos, pedras ou troncos de árvores, sendo os musgos seus principais representantes.

Como é feita a reprodução assexuada das briófitas?

Existem duas possibilidades de reprodução assexuada, sendo uma delas com indivíduos capazes de gerar novos indivíduos a partir de partes do corpo, ou seja, por fragmentação. O processo de fragmentação se da pela reprodução assexuada em que o indivíduo inicial se divide em duas partes iguais e cada uma delas se regenerará originando um novo indivíduo independente.
A segunda possibilidade é com indivíduos capazes de produzir propágulos, que são estruturas especializadas que se formam dentro dos conceptáculos, formando pequenas taças. Os propágulos se separam dos conceptáculos e são levados pela água para outros lugares onde será originado um novo indivíduo.

Como é feita a reprodução sexuada das briófitas?

Na reprodução sexuada, a estrutura reprodutora masculina é chamada anterídio onde serão produzidos os gametas masculinos chamados de anterozoides, e a feminina chamada de arquegônio onde se encontra o gameta feminino denominado como oosfera.
Havendo a possibilidade de água, os anterídios se abrem e liberam os anterozoides, que são levados até as extremidades dos musgos femininos e nadam até o interior dos arquegônios, onde se encontram com as oosferas. Com isso, a fecundação é realizada e forma um zigoto diploide, que passa por diversas mitoses para então originar o embrião.
Com o desenvolvimento desse embrião, que é diploide, se forma o esporófito na extremidade da planta. Esse esporófito possui uma haste chamada seta e na ponta uma pequena cápsula, onde se encontra o esporângio.
Dentro do esporângio se localizam os esporócitos (também diploides), e estes se dividem por da meiose originando por fim as células haploides, que são chamadas de esporos. Após a maturação desses esporos eles serão liberados no ambiente e levados pelo ar até encontrarem condições de germinar em outro local. Assim, eles originarão uma estrutura filamentosa e ramificada, a partir da qual serão formados os novos gametófitos e recomeça o ciclo.

Qual a importância das briófitas?

As briófitas formam a base dos ecossistemas vegetais. Elas são frequentemente encontradas em biomas como a tundra e nas florestas tropicais. São plantas responsáveis por fenômenos que reduzem os riscos de erosão no solo, e também podem servir de reservatórios de água e nutrientes para outras espécies.

O que são as briófitas e suas quais características?

As briófitas são uma divisão informal que consiste em 3 grupos de plantas não vasculares, ou seja, musgos, hepáticas e antóceros. As características proeminentes das briófitas são a ausência de raízes verdadeiras, caules e folhas. Além disso, os rizóides desempenham a função de raízes, essencialmente ancorando as plantas na superfície.

Quais plantas são briófitas?

Tradicionalmente, “briófitas” incluem os musgos, hepáticas e antóceros. Juntos, esses grupos compreendem cerca de 15.000 a 20.000 espécies e, como tal, são combinados, mais diversos do que as plantas vasculares não floridas.

Quais são os exemplos de plantas briófitas?

As briófitas são divididas em hepáticas, musgos e antóceros. Alguns exemplos comuns são: Hepáticas: Marchantia, Riccia, Pellia, Porella, Sphaerocarpos, Calobryum. Musgos: Funaria, Polytrichum, Sphagnum.

Qual a função das Briófitas?

As briófitas servem de abrigo para microfauna. Estudos mostram que a capacidade regenerativa das briófitas funcionam como uma espécie de viveiro para outras plantas que estão passando pelos processos de sucessão ecológica e regeneração.
Devido à alta capacidade de armazenar carbono, elas estão relacionadas com o ciclo do carbono nas grandes florestas.

Qual é o tipo de ciclo de vida das briófitas?

O ciclo de vida das briófitas consiste em uma alternância de dois estágios, ou gerações, denominados esporófito (que produz esporos) e gametófito (que produz gametas), que é a mais duradora e é caracterizada por ser uma fase haploide. Cada geração tem uma forma física diferente.

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