Crise de 1929: entenda a quebra da bolsa de valores

Também chamada como “A Grande Depressão“, a crise de 1929 foi o momento histórico da quebra da bolsa de valores em Nova York. Essa foi a primeira grande crise do capitalismo e do liberalismo econômico. Ficou conhecida como uma crise de superprodução.

A grande depressão foi o nome dado a quebra da bolsa de nova york
A Grande Depressão foi o nome dado a quebra da bolsa de Nova York

American Way of Life – o estilo de vida americano

Antes de 1929 a economia americana já era a maior economia do mundo. Os americanos tiveram grande lucro durante a Primeira Guerra Mundial, e desde lá, o país já despontava como potência internacional. Por conta desse rápido crescimento econômico pós-guerra, durante a década de 1920, a economia americana vivia um período de grande euforia, conhecidos como Roaring Twenties (“Loucura dos anos 20”, em tradução literal).

Essa euforia marcou o que mais tarde foi chamado de estilo de vida americano, refletindo em um grande consumismo. Naquele momento, os EUA eram responsáveis por 42% de todas as mercadorias do mundo e 40% das importações de matérias-primas no mundo. Os americanos também eram os maiores credores naquela época pois emprestavam grandes quantias de dinheiro para a reconstrução dos países devastados pela guerra.

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“O mais alto padrão de vida do mundo Não existe estilo como o estilo americano” propaganda americana antes da crise de 1929

O consumismo desenfreado estimulado pela euforia econômica levava a população a fazer grandes compras de uma só vez. O liberalismo econômico do governo de Franklin Roosevelt buscava não interferir no mercado, o que também levou a uma crescente expansão do crédito, aumentando o poder de compra da população.

As taxas de emprego eram altas e o crescimento industrial muito rápido, entre 1923 e 1929, os Estados Unidos possuíam uma taxa média de desemprego de 4%, a produção de automóveis no país aumentou em 33%, o número de indústrias no país aumentou por volta de 10% e o faturamento do comércio quintuplicou.

Tudo isso foi propenso para que a população passasse a investir na bolsa de valores, levando a um disparo da especulação monetária. O investimento na bolsa de valores consistia na compra de ações com esperança de que estas valorizassem e pudessem ser vendidas por altas quantias mais tarde. Esse processo fazia com que os valores das ações aumentassem – pois havia muitos compradores – e gerava uma falsa sensação de prosperidade. Esse cenário de prosperidade financeira e a superprodução resultaram então na quebra da bolsa de valores.

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A crise de 1929 levou diversas pessoas a falência

A quebra da Bolsa de Nova York

O que acontecia, como muitas vezes acontece nos booms de mercados livres, era que, com os salários ficando para trás, os lucros cresceram desproporcionalmente, e os prósperos obtiveram uma fatia maior do bolo nacional. Mas como a demanda da massa não podia acompanhar a produtividade em rápido crescimento do sistema industrial nos grandes dias de Henry Ford, o resultado foi superprodução e especulação. Isso, por sua vez, provocou o colapso

Eric Hobsbawm

Na década de 1920, a indústria dos Estados Unidos expandiu e a produtividade do trabalhador aumentou, porém não foi acompanhada pelo salário. Desta forma, a população não tinha a capacidade de consumir os produtos na mesma velocidade que eram produzidos, nem apelando para a exportação desses produtos.

Nessa primeira parte da crise de 1929, a população percebeu que as ações não estavam dando retorno, e no dia 24 de outubro de 1929, no que ficou conhecido como Quinta-feira Negra, todos venderam suas ações de uma só vez.

Mais de 12 milhões de ações foram colocadas à venda, deixando o mercado em pânico. No dia 28, o feito se repetiu e mais 33 milhões de ações foram colocadas à venda, Imediatamente o valor das ações despencou, e bilhões de dólares desapareceram. Essa foi a quebra da bolsa de valores de Nova York.

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Com o desespero causado pela crise de 1929, mulher coloca seus filhos a venda

Consequências da Crise de 1929

A crise de 1929 se espalhou rapidamente pelo país, os momentos mais críticos foram de 1929 a 1933. Roosevelt criou então uma intervenção do estado na economia chamado de New Deal (Novo Acordo), que fez com que os efeitos da quebra da bolsa de valores passassem a enfraquecer. Ainda assim, a Grande Depressão levou os EUA a um grande prejuizo:

  • PIB nominal dos Estados Unidos caiu aproximadamente em 50%
  • O desemprego disparou e alcançou 27% da população
  • Importações caíram em 70%
  • Exportações caíram em 50%
  • Diminuíram em 90% os empréstimos internacionais
  • Produção industrial caiu, no mínimo, 1/3
  • Produção de automóveis foi reduzida em 50%
  • Salário médio na indústria caiu 50%
  • Falência de milhares de empresas e bancos

Milhares de pessoas perderam instantaneamente todo seu patrimônio. Os efeitos da crise de 1929 espalharam-se pelo mundo inteiro, e com isso, a economia de diversos países entrou em recessão, e o desemprego disparou também no globo:

  • Grã-Bretanha atingiu uma taxa de desemprego de 23%
  • Bélgica atingiu uma taxa de desemprego de 23%
  • Suécia atingiu uma taxa de desemprego de 24%
  • Áustria atingiu uma taxa de desemprego de 29%
  • Noruega atingiu uma taxa de desemprego de 31%
  • Dinamarca atingiu uma taxa de desemprego de 32%
  • Alemanha atingiu uma taxa de desemprego de 44%

A crise de 1929, foi além de tudo, foi um dos pontos de partida para o levante da extra direita na Europa, que posteriormente levariam ao surgimento de partidos nazifascistas e, consequentemente, a Segunda Guerra Mundial. Ao todo, o comércio internacional foi reduzido em aproximadamente 1/3.

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O New Deal foi o acordo criado para combater a crise de 1929

Consequências da Crise de 1929 no Brasil

O mundo inteiro foi afetado pela crise de 1929 e em terras tupiniquins isso não poderia ser diferente. A Grande Depressão chegou na história do brasil pouco antes da Era Vargas. Naquela época, o Brasil era um grande produtor de café, sua principal exportação. O café brasileiro correspondia a 70% do café comercializado no mundo, e o principal consumidor da nossa mercadoria eram os Estados Unidos (compravam cerca de 80% do nosso café).

Com a quebra da bolsa de valores, o café estagnou no mercado brasileiro, e o preço do produto despencou. A população brasileira não era capaz de consumir todo aquele café. Nesse momento, o governo provisório de Vargas assume o poder, foi criado o Conselho Nacional do Café (CNC) em 1931, que tomou a drástica medida de queimar os estoques de café, pois o preço do produto e as exportações não param de cair desde a quebra da bolsa de Nova York. O incêndio do café foi realizado durante treze anos, resultando na destruição completa de 78,2 milhões de sacas de café.

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A crise de 1929 afetou diretamente o mercado de exportações brasileiro

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