Crise do Sistema Colonial: Saiba como Aconteceu o Fim do Brasil Colônia

A Crise do Sistema Colonial foi um período histórico em que o modelo tradicional de exploração da colônia pela metrópole chega ao fim. Após anos de enriquecimento para uns e de exploração para outros, o Brasil Colônia chegou ao fim.

O fenômeno aconteceu gradativamente em todas as colônias da América, incluindo o Brasil. As causas foram várias, mas a mentalidade iluminista, as contradições econômicas e as revoltas locais foram as principais.

A crise foi marcada pela queda da produção e exportação do açúcar, principal produto agrícola da colônia devido à concorrência com outras regiões produtoras e à falta de investimentos na modernização dos engenhos.

Além disso, as limitações impostas pela Coroa Portuguesa em relação ao comércio e à industrialização também contribuíram para o declínio econômico. Vamos falar sobre a Crise do Sistema Colonial e, se você ficar com dúvidas, é só deixar nos comentários.

O que é Sistema Colonial

Antes de falar da crise no sistema colonial, vamos entender o que de fato é um sistema colonial: a primeira coisa que precisamos lembrar é que o sistema de colônias surgiu logo após as grandes navegações, quando os países europeus descobriram outros continentes. 

O Antigo Sistema Colonial vai do século XVI ao final do século XVIII. Neste período, o foco foi o continente Americano (Norte, Centro e Sul). Diante de novos recursos naturais, os europeus usaram de suas tecnologias e organização social para implantar um sistema nessas novas terras. Sendo assim, administravam o novo território para a exploração econômica.

Eles vieram da metrópole (sede do governo), então os novos territórios foram chamados de colônias. As colônias subordinavam-se às regras da metrópole que muitas vezes eram abusivas, justamente por serem vistas apenas como área de exploração.

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Entendendo a Crise

A Crise do Sistema Colonial é o período histórico em que o modelo tradicional de exploração da colônia pela metrópole chega ao fim. Esse modelo existiu por muitos anos e foi experimentado por diferentes continentes. Além disso, essa forma de administração regia todas as esferas da sociedade e das atividades humanas. Por isso, sua queda foi muito marcante, mudando toda a dinâmica mundial.

A resposta de tiradentes, leopoldino de faria (1836-1911)
A Resposta de Tiradentes, Leopoldino de Faria (1836-1911)

No Brasil, a crise no sistema colonial começou no final do século XVIII, início do XIX. Ou seja, ele durou por dois séculos. No âmbito político, a crise refletiu o descontentamento das elites coloniais em relação ao monopólio português sobre o comércio. A imposição de altos impostos e restrições comerciais levou a um sentimento de insatisfação e busca por maior autonomia política por parte das elites locais.

No aspecto social, a crise trouxe consequências para a população livre e escravizada. A decadência do açúcar resultou em desemprego, pobreza e migração de trabalhadores. Além disso, as revoltas populares, como a Revolta de Beckman no Maranhão e a Inconfidência Mineira em Minas Gerais, evidenciaram a insatisfação social e os anseios por mudanças políticas.

Essa crise foi um dos fatores que contribuíram para o enfraquecimento do sistema colonial brasileiro e para o surgimento de movimentos e ideias que culminaram na independência do Brasil em 1822. A crise revelou a necessidade de reformas e mudanças no sistema colonial, abrindo caminho para transformações políticas e sociais no país.

Fatores que levaram a Crise

A crise do sistema colonial brasileiro foi um período de instabilidade e transformações que ocorreu no século XVIII no Brasil, principalmente durante o domínio português. Vários fatores contribuíram para essa crise, incluindo questões econômicas, sociais e políticas.

Uma das principais causas da crise foi a decadência do sistema econômico baseado na exploração do açúcar. Com o aumento da concorrência internacional e a queda nos preços do açúcar, muitos engenhos faliram, levando a uma crise no setor e consequentemente no sistema colonial como um todo.

A liberdade guiando o povo às barricadas, eugène delacroix  (1831)
A Liberdade guiando o povo às barricadas, Eugène Delacroix  (1831)

Além disso, a exploração desenfreada dos recursos naturais, como o desmatamento e a mineração, também contribuiu para a crise. A exploração excessiva levou ao esgotamento dos recursos e à degradação ambiental, afetando negativamente a economia e a sustentabilidade do sistema colonial.

No aspecto social, a estrutura colonial baseada na escravidão e na desigualdade social gerou tensões e conflitos. Movimentos de resistência e revolta surgiram entre os escravos e a população marginalizada, como o quilombismo e as revoltas nativistas, representando um desafio ao sistema colonial.

Do ponto de vista político, a dominação portuguesa e a falta de autonomia política para as colônias também geraram insatisfação. As restrições comerciais impostas pela metrópole, como os altos impostos e o monopólio comercial, limitavam o desenvolvimento econômico e a autonomia das colônias.

Todas as grandes mudanças que permaneceram na sociedade e se espalharam pelo mundo, foram antecedidas pela modificação do pensamento. A visão de mundo foi o ponto chave para começar a crise do sistema antigo, mas não é o único fator. Junto a ele, se desdobraram as mudanças administrativas, as crises econômicas, políticas e sociais.

Por fim, como esse sistema estava presente em todo um continente, podemos dizer que a crise do sistema de colônias também se deu tanto por fatores internos quanto externos. Em resumo, podemos dizer que os principais fatores que levaram ao fim do sistema colonial foram:

  • Avanço das ideias Iluministas em todo o mundo;
  • Queda do Antigo Regime (Absolutismo);
  • Independência de outras colônias pioneiras, como os Estados Unidos;
  • Formação de um sentimento nacionalista e indenitário nos povos das colônias;
  • Crescimento demográfico nestas regiões, superando os imigrantes da metrópole;
  • Crise política e econômica do próprio sistema colonial, pelas controvérsias e abusos.

Crise na Administração da Colônia

A Coroa Portuguesa passou pela União Ibérica, lutou contra a presença holandesa, houve o declínio da produção do açúcar e as pressões da Inglaterra para pagar a dívida. O cenário era de caos político e econômico.

Engenho colonial, franz post (1648)
Engenho Colonial, Franz Post (1648)

A solução desesperada foi o governo do Marquês de Pombal, que tentava justamente conciliar as aspirações da metrópole com os ideais iluministas. Acontece que o mercantilismo esclarecido (o modelo econômico adotado) era um verdadeiro tiro no pé.

Para obter uma exploração maior e mais rápida, era preciso investir na colônia. Porém, desenvolvendo a colônia, ela ganha mais autonomia e começa a ter força contra a metrópole… Como se não bastasse as ideias iluministas, a crise da monarquia, a influência dos Estados Unidos e as medidas modernizadoras da colônia, acontece algo essencial. O governo de Napoleão faz com que a Família Real se instale no Brasil.

A proclamação da independência, 1844. François-rené moreaux
A Proclamação da Independência, 1844. François-René Moreaux

Toda uma infraestrutura foi criada na colônia para abrigar a corte. Após a Revolução do Porto, que pediu a volta de Dom João, ele voltou a Portugal, mas Dom Pedro permaneceu no Brasil. Daí em diante nós marcamos oficialmente o fim do Brasil colônia, acontecendo junto à Independência Brasileira, quando o Brasil passou a ser um Império autônomo.

Revoltas Nativistas

As revoltas nativistas foram movimentos de resistência que ocorreram no período colonial brasileiro, entre os séculos XVII e XVIII, e foram caracterizadas pela insatisfação da população local com as políticas e medidas impostas pela metrópole portuguesa. Essas revoltas tiveram como principal motivação a busca por maior autonomia, liberdade e melhores condições de vida para os habitantes da colônia.

Venda no recife
Venda no Recife, Johann Moritz Rugendas (1822-1825)

Quanto mais autonomia as colônias ganhavam, mais as pessoas que ali viviam percebiam que precisam se unir para lutar contra a oposição e conquistar sua independência. Assim, vai criando-se uma identidade social e cultural que se expressou em revoltas nativistas. Os principais movimentos que tinham esse caráter indenitário e rejeitavam as imposições do sistema colonial foram:

  • Revolta de Beckman (1684): Aconteceu no Maranhão e teve como causa principal a insatisfação com o monopólio do comércio de drogas do sertão e resultou na expulsão dos franceses e na intervenção direta da Coroa Portuguesa;
  • Revolta de Felipe dos Santos (1720): conhecida como Conjuração Mineira, que ocorreu em Vila Rica (atual Ouro Preto) e teve como objetivo a independência da região e a derrubada do governo colonial;
  • Revolta de Vila Rica (1720): também em Minas Gerais, que foi motivada pela cobrança excessiva de impostos e pela insatisfação com as medidas impostas pelo governo português.
  • Inconfidência Mineira (1789): um movimento de caráter separatista em Minas Gerais, marcado pela elite local que buscava a independência do Brasil e a instauração de um governo republicano.
  • Conjuração Baiana (1798): um levante popular ocorrido na Bahia, envolvendo principalmente negros, mulatos e libertos, que almejavam a abolição da escravidão, a igualdade racial e a independência do Brasil.
  • Conspiração dos Suassuna (1801): uma conspiração em Pernambuco liderada por membros da elite local, insatisfeitos com a dominação portuguesa, que visavam a independência e a implantação de um governo republicano.

Essas revoltas tinham em comum o desejo de maior autonomia política, econômica e social para a colônia, bem como a reivindicação por uma distribuição mais justa de recursos e benefícios. Os líderes e participantes desses movimentos eram em sua maioria membros das camadas mais baixas da sociedade colonial, como mineradores, comerciantes, pequenos agricultores e escravos.

Embora as revoltas nativistas não tenham alcançado o objetivo de independência ou autonomia completa, elas tiveram um papel importante na história do Brasil colonial, pois contribuíram para a conscientização das camadas populares sobre seus direitos e para o fortalecimento da ideia de resistência contra o domínio colonial. Esses movimentos também foram um prenúncio dos eventos que culminaram na Independência do Brasil, no século XIX.

FAQ – Perguntas frequentes

O que é um sistema colonial?

Antes de falar da crise no sistema colonial, vamos entender o que de fato é um sistema colonial: a primeira coisa que precisamos lembrar é que o sistema de colônias surgiu logo após as grandes navegações, quando os países europeus descobriram outros continentes. 

O que eram as Colônias?

Eles vieram da metrópole (sede do governo), então os novos territórios foram chamados de colônias. As colônias subordinavam-se às regras da metrópole que muitas vezes eram abusivas, justamente por serem vistas apenas como área de exploração.

Como funcionava o Sistema Colonial?

O Antigo Sistema Colonial vai do século XVI ao final do século XVIII. Neste período, o foco foi o continente Americano (Norte, Centro e Sul).
Diante de novos recursos naturais, os europeus usaram de suas tecnologias e organização social para implantar um sistema nessas novas terras. Sendo assim, administravam o novo território para a exploração econômica.

Quando começou a crise no sistema colonial do Brasil?

No Brasil, a crise no sistema colonial começou no final do século XVIII, início do XIX. Ou seja, ele durou por dois séculos.

Quais foram os movimentos de caráter indenitário brasileiro?

Os principais movimentos que tinham esse caráter indenitário e rejeitavam as imposições do sistema colonial foram:
Inconfidência Mineira (1789);
Conjuração Baiana (1798);
Conspiração dos Suassuna (1801).

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