Entenda com funcionava a economia colonial

A economia colonial brasileira foi integrada ao processo mundial de expansão do capitalismo mercantil. Ela era baseada no monopólio colonial, ou seja, Portugal possuía exclusividade do comércio com a colônia, e era é altamente especializada e dirigida para o mercado externo. Da mesma forma, a economia colonial interna tinha caráter predatório sobre os recursos naturais.

As técnicas agrícolas utilizadas na economia colonial eram rudimentares e provocam rápido esgotamento da terra. A produção está centrada na grande propriedade monocultora, o latifúndio, e na utilização de numerosa mão-de-obra escrava – primeiro dos indígenas e depois dos negros.

Como era a divida a economia colonial

A economia colonial brasileira foi responsável por desenvolver várias atividades econômicas para seu sustento e para exportação. Os setores que interessaram à metrópole foram dirigidos ao mercado externo. De forma que, se destacaram as monoculturas exportadoras de açúcar, algodão, tabaco, a mineração de ouro e diamantes. Essas atividades eram de custo baixo e baseadas no latifúndio e na escravidão.

A colônia se organizava como economia complementar a da metrópole, desta forma, produzia o que convinha a Portugal e comprava tudo de que necessita da metrópole. Cada uma das atividades produtivas tem importância maior em um determinado período, ou ciclo.

Escravidão

Entenda com funcionava a economia colonial - escravidão
Entenda com funcionava a economia colonial – Escravidão

Ao contrário do que a maioria acredita, a economia colonial também utilizou trabalho escravo de indígenas. A escravização dos indígenas foi usada em diferentes regiões do Brasil até meados do século XVIII.

A questão que desestimulou o comercio escravocrata dos povos nativos, foi o fato deste ser um negócio local e os ganhos obtidos com a venda dos indígenas capturados permanecia nas mãos dos colonos, sem lucros para Portugal. Por isso, a escravização do nativo brasileiro é gradativamente desestimulada pela metrópole e substituída pela escravidão negra. O tráfico negreiro foi um dos mais vantajosos negócios do comércio colonial e seus lucros eram canalizados para o reino.

Escravismo racial

A primeira leva de escravos negros que chega ao Brasil vem da Guiné, na expedição de Martim Afonso de Souza, em 1530. A partir de 1559, o comércio negreiro se intensifica. A Coroa portuguesa autoriza cada senhor de engenho a comprar até 120 escravos por ano. Sudaneses foram levados para a Bahia e bantus se espalham pelo Maranhão, Pará, Pernambuco, Alagoas, Rio de Janeiro e São Paulo.

Tráfico de escravizados

O tráfico negreiro foi oficializado em 1568 pelo governador-geral Salvador Correa de Sá. Em 1590, só em Pernambuco registra-se a entrada de 10 mil escravos.

Não há consenso entre os historiadores sobre o número de escravos trazidos para o Brasil. Alguns, como Roberto Simonsen e Sérgio Buarque de Holanda, estimam esse número entre 3 milhões e 3,6 milhões. Caio Prado Júnior supõe cerca de 6 milhões e Pandiá Calógeras chega aos 13,5 milhões.

Cana-de-açúcar

Entenda com funcionava a economia colonial - cana-de-açúcar
Entenda com funcionava a economia colonial – Cana-de-açúcar

O cultivo da cana-de-açúcar é introduzido no Brasil por Martim Afonso de Souza, na capitania de São Vicente. Seu apogeu ocorre entre 1570 e 1650, principalmente em Pernambuco. Fatores favoráveis explicam o sucesso do empreendimento: experiência anterior dos portugueses nos engenhos das ilhas do Atlântico, solo apropriado, principalmente no Nordeste, abundância de mão-de-obra escrava e expansão do mercado consumidor na Europa. A agroindústria açucareira exige grandes fazendas e engenhos e enormes investimentos em equipamentos e escravos.

O Engenho

Os chamados engenhos de açúcar foram as unidades de produção completas e, em geral, autossuficientes. Além da casa grande, moradia da família proprietária, e da senzala, dos escravos, alguns têm capela e escola, onde os filhos do senhor aprendem as primeiras letras. Junto aos canaviais, uma parcela de terras é reservada para o gado e roças de subsistência. A “casa do engenho” possui toda a maquinaria e instalações fundamentais para a obtenção do açúcar.

Economia açucareira

Estimativa do final do século XVII indica a existência de 528 engenhos na colônia. Eles garantem a exportação anual de 37 mil caixas, cada uma com 35 arrobas de açúcar. Dessa produção, Portugal consome apenas 3 mil caixas anuais e exporta o resto para a Europa. O monopólio português sobre o açúcar assegura lucros consideráveis aos senhores de engenho e à Coroa. Esse monopólio acaba quando os holandeses começam a produzir açúcar nas Antilhas, na segunda metade do século XVII. A concorrência e os limites da capacidade de consumo na Europa provocam uma rápida queda de preços no mercado.

Mineração

Entenda com funcionava a economia colonial - mineração
Entenda com funcionava a economia colonial – Mineração

Na passagem do século XVII para o XVIII, foram descobertas ricas jazidas de ouro no centro-sul do Brasil. A região das minas se espalha pelos territórios dos atuais Estados de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso e se torna polo de atração de migrantes.

Neste momento, foram criadas novas vilas: Sabará, Mariana, Vila Rica de Ouro Preto, Caeté, São João del Rey, Arraial do Tejuco (atual Diamantina) e Cuiabá. Sendo esse processo um dos pontos altos da organização da economia colonial.

O Quinto

A Coroa portuguesa autorizava a livre exportação de ouro mediante o pagamento de um quinto do total explorado. Para administrar e fiscalizar a atividade mineradora, cria a Intendência das Minas, vinculada diretamente à metrópole, onde foi firmando que toda descoberta deve ser comunicada.

Para garantir o pagamento do quinto, são criadas a partir de 1720 as casas de fundição, que transformam o minério em barras timbradas e quintadas. Em 1765 é instituída a derrama: o confisco dos bens dos moradores para cobrir o valor estipulado para o quinto quando há déficit de produção.

É nesse contexto que foi criada a expressão “Santo do Pau Oco”, uma vez que era comum que os colonos escondessem o outro dentro de imagens santas, para não ter o minério confiscado.

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Economia colonial mineradora

Entenda com funcionava a economia colonial - economia mineradora
Entenda com funcionava a economia colonial – Economia Mineradora

O chamado “ciclo do ouro” traz uma grande diversificação social para a economia colonial. A exploração das jazidas não exige o emprego de grandes capitais, permite a participação de pequenos empreendedores e estimula novas relações de trabalho, inclusive com a mão-de-obra escrava. Os escravos trabalham por tarefa e, muitas vezes, podem ficar com uma parte do ouro descoberto. Com isso, têm a chance de comprar sua liberdade. O período áureo dura pouco: entre 1735 e 1754, a exportação anual gira em torno de 14.500 kg. No final do século, o volume enviado a Portugal cai para 4.300 kg por ano, em média.

Mineração de diamantes

A exploração de diamantes toma corpo por volta de 1729, nas vilas de Diamantina e Serra do Frio, no norte de Minas Gerais. A produção atinge grandes volumes e chega a causar pânico no mercado joalheiro europeu, provocando a queda nos preços das pedras. Em 1734 é instituída uma intendência para administrar as lavras. A extração passa a ser controlada por medidas severas que incluem confisco, proibição da entrada de forasteiros e expulsão de escravos.

Diversificação agrícola

Entenda com funcionava a economia colonial - diversificação agrícola
Entenda com funcionava a economia colonial – Diversificação agrícola

A agricultura de subsistência e a pecuária desenvolvem-se ao longo dos caminhos para as minas e nas proximidades das lavras. O crescimento demográfico aumenta rapidamente os lucros dessas atividades. Sesmarias são doadas na região a quem queira cultivá-las. Novas culturas surgem em outras áreas da colônia.

Novos produtos agrícolas

Em meados do século XVII, o algodão, o tabaco e o cacau passam a ser produzidos em larga escala e a integrar a pauta de exportações da colônia. A produção algodoeira desenvolve-se no Nordeste, em especial Maranhão e Pernambuco. O tabaco foi produzido principalmente na Bahia, seguida por Alagoas e Rio de Janeiro e, ao longo do século XVII, o produto é usado como moeda de troca para aquisição de escravos nos mercados da costa africana. Já o cacau era explorado inicialmente apenas em atividade extrativista, no Pará e no Amazonas. Começa então a ser cultivado na Bahia e no Maranhão com mão-de-obra escrava.

Introdução do Café

O café é introduzido na economia colonial por Francisco de Melo Palheta, em 1727, que o contrabandeia da Guiana Francesa. Durante o século XVIII, seu cultivo limita-se ao nordeste, onde os solos não são adequados. A cafeicultura só se desenvolve no século XIX, quando o produto começa a ser cultivado na região Sudeste.

Francisco de Melo Palheta nasceu em Belém do Pará e foi considerado o primeiro a introduzir o café no Brasil. Militar e sertanista, em 1727, Palheta foi mandado à Guiana Francesa e recebeu duas incumbências do governador do Estado do Maranhão e Grão-Pará, João Maia da Gama. A primeira tem caráter diplomático: o governador da Guiana, Claude d’Orvilliers, tinha mandado arrancar um padrão com o escudo português plantado na fronteira entre as duas colônias.

A missão de Palheta seria fazer respeitar a divisa, estabelecida pelo Tratado de Utrecht no rio Oiapoque. A segunda tarefa de Palheta é clandestina: deveria obter mudas de café, cultivado nas Guianas desde 1719, e trazê-las para o plantio no Pará. O sertanista cumpre suas duas incumbências. Faz os franceses aceitarem a faixa divisória entre os dois países e traz mudas de café para o Brasil, apesar da proibição formal do governo francês. Conta-se que ele mesmo teve um cafezal no Pará, com mais de mil pés, para o qual pediu ao governo cem casais de escravos.

Expansão do açúcar

A agroindústria açucareira do nordeste volta a se expandir no século XVIII, quando as revoltas escravas nas Antilhas interrompem a produção local. O aumento das exportações brasileiras estimula a expansão dos canaviais para o Rio de Janeiro e São Paulo, já enriquecidos pelo comércio do ouro.

Pecuária

Entenda com funcionava a economia colonial - pecuária
Entenda com funcionava a economia colonial – Pecuária

Fator essencial na ocupação e povoamento do interior, a pecuária se desenvolve no vale do rio São Francisco e na região sul da colônia. As fazendas do vale do São Francisco são latifúndios assentados em sesmarias e dedicados à produção de couro e criação de animais de carga. Muitos proprietários arrendam as regiões mais distantes a pequenos criadores. Não é uma atividade dirigida para a exportação e combina o trabalho escravo com a mão-de-obra livre: mulatos, pretos forros, índios, mestiços e brancos pobres. No sul, a criação de gado é destinada à produção do charque para o abastecimento da região das minas.

Fonte

FAQ – Perguntas frequentes

Como era a economia colonial?

A economia colonial brasileira foi integrada ao processo mundial de expansão do capitalismo mercantil. Ela era baseada no monopólio colonial, ou seja, Portugal possuía exclusividade do comércio com a colônia, e era é altamente especializada e dirigida para o mercado externo. Da mesma forma, a economia colonial interna tinha caráter predatório sobre os recursos naturais.
As técnicas agrícolas utilizadas na economia colonial eram rudimentares e provocam rápido esgotamento da terra. A produção está centrada na grande propriedade monocultora, o latifúndio, e na utilização de numerosa mão-de-obra escrava – primeiro dos indígenas e depois dos negros.

Porque os indígenas não foram escravizados?

Ao contrário do que a maioria acredita, a economia colonial também utilizou trabalho escravo de indígenas. A escravização dos indígenas foi usada em diferentes regiões do Brasil até meados do século XVIII.
A questão que desestimulou o comercio escravocrata dos povos nativos, foi o fato deste ser um negócio local e os ganhos obtidos com a venda dos indígenas capturados permanecia nas mãos dos colonos, sem lucros para Portugal. Por isso, a escravização do nativo brasileiro é gradativamente desestimulada pela metrópole e substituída pela escravidão negra. O tráfico negreiro foi um dos mais vantajosos negócios do comércio colonial e seus lucros eram canalizados para o reino.

O que foi o “ciclo do ouro”?

O chamado “ciclo do ouro” traz uma grande diversificação social para a economia colonial. A exploração das jazidas não exige o emprego de grandes capitais, permite a participação de pequenos empreendedores e estimula novas relações de trabalho, inclusive com a mão-de-obra escrava. Os escravos trabalham por tarefa e, muitas vezes, podem ficar com uma parte do ouro descoberto. Com isso, têm a chance de comprar sua liberdade. O período áureo dura pouco: entre 1735 e 1754, a exportação anual gira em torno de 14.500 kg. No final do século, o volume enviado a Portugal cai para 4.300 kg por ano, em média.

Como o café foi introduzido na economia colonial?

O café é introduzido na economia colonial por Francisco de Melo Palheta, em 1727, que o contrabandeia da Guiana Francesa. Durante o século XVIII, seu cultivo limita-se ao nordeste, onde os solos não são adequados. A cafeicultura só se desenvolve no século XIX, quando o produto começa a ser cultivado na região Sudeste.
Francisco de Melo Palheta nasceu em Belém do Pará e foi considerado o primeiro a introduzir o café no Brasil. Militar e sertanista, em 1727, Palheta foi mandado à Guiana Francesa e recebeu duas incumbências do governador do Estado do Maranhão e Grão-Pará, João Maia da Gama. A primeira tem caráter diplomático: o governador da Guiana, Claude d’Orvilliers, tinha mandado arrancar um padrão com o escudo português plantado na fronteira entre as duas colônias.
A missão de Palheta seria fazer respeitar a divisa, estabelecida pelo Tratado de Utrecht no rio Oiapoque. A segunda tarefa de Palheta é clandestina: deveria obter mudas de café, cultivado nas Guianas desde 1719, e trazê-las para o plantio no Pará. O sertanista cumpre suas duas incumbências. Faz os franceses aceitarem a faixa divisória entre os dois países e traz mudas de café para o Brasil, apesar da proibição formal do governo francês. Conta-se que ele mesmo teve um cafezal no Pará, com mais de mil pés, para o qual pediu ao governo cem casais de escravos.

O que foi o quinto?

A Coroa portuguesa autorizava a livre exportação de ouro mediante o pagamento de um quinto do total explorado. Para administrar e fiscalizar a atividade mineradora, cria a Intendência das Minas, vinculada diretamente à metrópole, onde foi firmando que toda descoberta deve ser comunicada.
Para garantir o pagamento do quinto, são criadas a partir de 1720 as casas de fundição, que transformam o minério em barras timbradas e quintadas. Em 1765 é instituída a derrama: o confisco dos bens dos moradores para cobrir o valor estipulado para o quinto quando há déficit de produção.
É nesse contexto que foi criada a expressão “Santo do Pau Oco”, uma vez que era comum que os colonos escondessem o outro dentro de imagens santas, para não ter o minério confiscado.

Como ocorreu a mineração de diamantes na economia colonial?

A exploração de diamantes toma corpo por volta de 1729, nas vilas de Diamantina e Serra do Frio, no norte de Minas Gerais. A produção atinge grandes volumes e chega a causar pânico no mercado joalheiro europeu, provocando a queda nos preços das pedras. Em 1734 é instituída uma intendência para administrar as lavras. A extração passa a ser controlada por medidas severas que incluem confisco, proibição da entrada de forasteiros e expulsão de escravos.

Qual foram os novos produtos agrícolas da economia colonial?

Em meados do século XVII, o algodão, o tabaco e o cacau passam a ser produzidos em larga escala e a integrar a pauta de exportações da colônia. A produção algodoeira desenvolve-se no Nordeste, em especial Maranhão e Pernambuco. O tabaco foi produzido principalmente na Bahia, seguida por Alagoas e Rio de Janeiro e, ao longo do século XVII, o produto é usado como moeda de troca para aquisição de escravos nos mercados da costa africana. Já o cacau era explorado inicialmente apenas em atividade extrativista, no Pará e no Amazonas. Começa então a ser cultivado na Bahia e no Maranhão com mão-de-obra escrava.

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