Egito Antigo: dos Nomos às Piramides

E vamos a mais um texto sobre os povos que habitaram a época da história conhecida como História Antiga, ou simplesmente Antiguidade. Se você ainda não viu os outros textos sobre o tema, confira o texto sobre a Mesopotâmia.

Para dar uma pequena localização ao momento que estamos falando, a História Antiga começa com o surgimento da escrita na Suméria por volta de 3.500 a.C. e vai até a queda do Império Romano do Ocidente em 476 d.C. Trata-se, portanto, de um período de quase quatro mil anos, com a formação das primeiras civilizações e até o surgimento da democracia. O foco da vez é o Egito Antigo.

Egito Antigo

Você provavelmente já sabe a localização do Egito atual, e a civilização do Egito Antigo não diferia muito dessa localização (nordeste da África), ela se desenvolveu basicamente às margens do Rio Nilo. O Rio Nilo é um dos mais extensos do mundo, e de grande importância para o povo do Egito Antigo, uma vez que sua atividade econômica era baseada no ciclo do mesmo (assim como na Mesopotâmia, os períodos de seca do rio geravam uma área fértil, boa para agricultura, o Egito Antigo se situava também na região da Crescente Fértil).

No início, o Antigo Egito era formado por povos diversos, organizados em clãs chamados nomos. Até que eles se uniram formando dois reinos (Alto Egito ao sul e Baixo Egito ao norte), que em 3.200 a.C. foram unificados por Menés, formando o Estado Egípcio. Menés então se tornou o primeiro faraó (rei) do Estado. Começou aí a época do auge da sociedade egípcia na história, conhecida como “época dos grandes faraós”.

Religião

O povo egípcio, assim como quase todos os outros povos da época eram politeístas, ou seja, acreditavam na existência de vários deuses, a particularidade dos deuses egípcios é que eles misturavam características humanas e animais. Você já deve ter ouvido falar dos deuses egípcios, mas seguem alguns nomes:

  • Rá, o deus do sol. Ou Amon-Rá. Era o deus principal;
  • Nut, a personificação do céu e dos corpos celestes. Conhecida como a mãe de todos os deuses;
  • Osíris, o deus dos mortos. Deu origem ao Tribunal de Osíris;
  • Ísis, deusa da fertilidade, amor e magia. Ísis era esposa e irmã de Osíris;
  • Hórus, deus dos céus. Filho de Osíris e Ísis, representava o poder, a realeza e a luz;
  • Set, ou Seth, o deus do caos. Representava a guerra e a violência, e passou a ser enxergado como a encarnação do mal;
  • Sekhmet, deusa da destruição. Ela reflete os aspectos destrutivos do sol, assim como o protege;
  • Néftis, a deusa do pôr do sol. Era esposa de Set, porém os dois não conseguiam ter filhos então ela passou uma noite com Osíris, o que deu origem a Anúbis e gerou a descoberta de que Set era estéril;
  • Geb, o deus da terra;
  • Tot, deus da sabedoria;
  • Anúbis, o guia dos mortos. Responsável por guiar as almas até o mundo dos mortos, assim como possui a função de embalsamador.

Esses são apenas alguns dos deuses cultuados pelos egípcios antigos de um total de mais de mil divindades adoradas por eles. 

A principal característica da religião egípcia estava na crença na vida após a morte. Por conta disto, os egípcios desenvolveram a técnica de mumificação dos corpos, para evitar a decomposição e mantê-los para o pós-vida, pois ele estava atrelado a condição de seu corpo original na terra.

Não é muito agradável, mas vamos lá: o cadáver tinha todos os seus órgãos retirados do corpo (até o cérebro), e então este corpo era repousado em uma mistura de água e sal por um período de tempo. Depois, para evitar a deterioração ele era preenchido com ervas e outras substâncias e só então era enfaixado completamente.

Após terminada a mumificação, o corpo enfaixado era colocado em um sarcófago, uma espécie de caixão, e só então depositado no túmulo. A partir do túmulo, era possível afirmar a qual classe social a pessoa pertencia, sendo diferentes túmulos para diferentes classes.

E é aí que entram as famosas pirâmides egípcias. Elas eram os maiores e melhores túmulos reservados para faraós. Lá, eles eram “enterrados” junto com suas riquezas e até alimentos para o seu pós-vida. Familiares próximos e sacerdotes podiam ser “enterrados” junto com seu respectivo faraó.

No plano espiritual, ao morrer a pessoa passaria então pelo Tribunal de Osíris. Presidido por, bem, Osíris, o Tribunal consta de um procedimento no qual o recém-morto teria seu coração pesado em uma balança, na qual era comparado com o peso de uma pena, para conseguir aprovação para entrar no Duat, o mundo dos mortos. Caso não fosse aprovado no Tribunal, a pessoa teria sua cabeça devorada.

Neste ritual, o coração seria um símbolo de todas as realizações da pessoa em vida, e a pena representava a deusa do equilíbrio e da justiça, Maat. Para ser aprovado, o coração não deveria pesar mais do que a pena.

Sociedade

Pirâmide com os nomes das classes sociais do egito antigo e suas posições.
Pirâmide social do Egito Antigo. Cr.: site TodaMatéria

Passando para a sociedade egípcia, ela era organizada de forma muito clara onde cada um tinha um papel específico, mas com pouca ou nenhuma chance de mobilidade. Regida pelo faraó, que estava no topo da pirâmide, pode ser denominada como uma sociedade teocrática, pois o faraó era visto como o intermediário entre os deuses e os humanos, e era venerado como um deus.

O faraó era extremamente rico, e o poder passava de pai para filho. Junto com os faraós, no topo da sociedade estavam as suas famílias.

Logo abaixo dos faraós vinham os sacerdotes. Os sacerdotes eram responsáveis pelas tarefas religiosas, como rituais e organização dos templos, por isso estavam tão acima na sociedade egípcia. Junto com eles podem ser colocados os nobres.

Depois vinham os escribas. Com alta formação escolar, os escribas sabiam ler e escrever (dominavam os hieróglifos, extremamente difíceis) e eram responsáveis pela documentação de fatos importantes e da vida do faraó, bem como auxílio das atividades comerciais e administrativas.

Mais abaixo se encontrava o resto da população comum, formada por soldados, comerciantes, artesãos, camponeses, entre outros. Tinham uma posição pouco privilegiada, e uma vida mais simples. Entre eles, destacavam-se os soldados e comerciantes, um pouco melhores de vida e mais bem vistos.

Na base da pirâmide da sociedade egípcia estão exatamente os escravos, capturados em guerras. Estes trabalhavam sem receber pagamento, apenas o necessário para sua sobrevivência.

Uma característica muito interessante da sociedade egípcia está na posição das mulheres. Diferentemente das outras civilizações da época, elas possuíam basicamente os mesmos direitos dos homens, e liberdade para fazer o que queriam, podendo trabalhar e ser remuneradas, bem como atingir posições de destaque, e até se tornarem faraós, como foi o caso de Cleópatra.

O Egito Antigo e a História

Sobre as contribuições da sociedade egípcia antiga para a história, uma das principais foi a escrita em hieróglifos, bem como a utilização (e plantação) de papiro para seus registros.

Falamos um pouco sobre a escrita hieróglifa no texto sobre a Mesopotâmia, mas segue uma visão geral do que se tratava: a escrita hieróglifa se tratava de algo extremamente rebuscado e complicado, tanto que demorou muitos anos para que os historiadores conseguissem traduzir. Era uma escrita considerada sagrada (tanto que o próprio nome “hieróglifo” significa “escrita sagrada”).

Poucas pessoas conheciam os segredos dos hieróglifos, compostos essencialmente por figuras, e estes eram os escribas. Havia também a escrita hierática, uma forma simplificada da hieróglifa, tornando a comunicação mais fácil e rápida. Os egípcios também se utilizavam de uma terceira forma de escrita, esta mais popular e bem mais simples e cursiva, a escrita demótica.

Um outro fato interessante que devemos aos egípcios antigos seria a divisão do calendário em 365 dias, e a separação de cada dia em 24 horas, o que é usado até os dias de hoje.

Mas o que provavelmente mais chama a atenção é a arte egípcia. Obviamente, tudo era muito voltado para a religião, portanto temos pinturas dos faraós e a construção de grandes templos. Mas as pinturas também podiam representar cenas do cotidiano, hoje em dia é possível reconstruir o dia-a-dia dos egípcios a partir de suas pinturas.

Uma mulher de pé servindo uma bebida a uma mulher que está sentada, com hieróglifos ao fundo | egito antigo
Exemplo de pintura egípcia

Uma característica peculiar da pintura egípcia estava na posição que os corpos eram retratados: podiam estar de frente (se estivessem de pé) ou de lado (no caso de estarem sentados), mas o rosto era sempre pintado de lado. Quase tudo era pintado, as paredes dos palácios, dos templos, e até os túmulos.

E o grande destaque são, claro, as pirâmides. Todo mundo conhece as pirâmides egípcias, mas pouca gente sabe qual era realmente o seu propósito.

Maior pirâmide egípcia, quéops |  egito antigo
A grande pirâmide de quéops

Como já dito neste texto, as pirâmides eram túmulos para os mais poderosos, os faraós e seus familiares. Mas por que uma pirâmide? Bem, acreditava-se que ela facilitaria a ascensão do governante aos céus.

As pirâmides mais conhecidas (e maiores) são as pirâmides de Gizé, sendo até uma das sete maravilhas do mundo antigo (a única das sete que resistiu ao tempo e ainda existe praticamente intacta). São elas: Quéops, Quéfren e Miquerinos. Como regra, as pirâmides recebem o nome do faraó que está guardado nelas. 

Estas eram as principais características do Egito Antigo. E aí, gostou? Acesse Dicas de Estudo e veja conteúdos que vão te ajudar agora a ter melhores resultados nos seus concursos e vestibulares.

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Quer ler mais sobre história? Confira o texto sobre a época da Pré-História.

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