Entenda a Revolução de 30 e a Era Vargas na história do Brasil

Acontecimentos importantes que levaram à Era Vargas, no período da história do Brasil iniciando com Revolução de 1930 até 1945. A destituição do presidente Washington Luís, o impedimento da posse de Júlio Prestes e 15 anos de Getúlio Vargas no poder.

Para entender melhor as particularidades desse período do País, é preciso falar sobre o que foi a Revolução de 1930. E é o que vamos abordar neste artigo de maneira bem simples e didática.
Principais características:

  • Presidente Washington Luís Destituído
  • Presidente eleito Júlio Prestes impedido de assumir
  • Quinze anos de poder centralizado na figura do até então presidente Getúlio Vargas
  • Governo marcado pela aproximação com as massas
  • Formação do Estado Novo
Getúlio vargas com seu famoso chapeu
Getúlio Vargas com seu famoso chapeu

O que foi a revolução de 30?

A crise da bolsa de valores de Nova York, em 1929 provocou o regime chamado Revolução de 30 no Brasil. Mas como um fato mundial influenciou no País? Isso ocorreu porque com a quebra da bolsa, as economias dos mercados internacionais foram prejudicadas, incluindo das exportações de café, uma das principais atividades econômicas da época.

Foi então que surgiu a revolução, através de um movimento armado comandado por oligarcas de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba. Houve então o chamado Golpe de Estado, que depôs o presidente da República Washington Luís em 24 de outubro de 1930. Washington Luís tinha um pensamento contrário da política Café com Leite, formada por latifundiários mineiros e paulistas que tinham o intuito de presidir o Brasil. Sua política era a chamada Café Puro.

Com o golpe contra o então presidente, a posse do eleito Júlio Prestes ficou impedida, já que sua candidatura era apoiada por Washington Luís, que era seu conterrâneo paulista. Júlio Prestes foi o único político eleito presidente da República do Brasil através do voto popular e que foi impedido de tomar posse. Após ter sido impedido de assumir, foi exilado.

Os oligarcas então formaram a Aliança Liberal, que teve como líder fazendeiro gaúcho Getúlio Dorneles Vargas. O novo poder prometia mudanças, como a instituição do voto secreto, o firmamento da legislação trabalhista e a evolução da indústria nacional.

Getúlio vargas junto a generais e figuras importantes
Getúlio Vargas junto a generais e figuras importantes

Getúlio Vargas assumiu o Brasil, em 3 de novembro de 1930, através do chamado Governo Provisório e marcou o final da República Velha no País.

Era Vargas foi marcada por três fases

Segundo historiadores, a Era Vargas foi dividida em três fases: O Governo Provisório (1930-1934), Governo Constitucional (1934-1937) e o Estado Novo (1937-1945). Nos 15 anos em que esteve no poder foi dono de características e decisões marcantes para a história do Brasil.

Governar o Brasil naquela época era uma condição complexa, até porque esperava-se que fosse um governo provisório e que houvesse uma nova eleição presidencial. Entre as características que marcaram a época liderada por Getúlio Vargas está a centralização do poder.

Na ocasião Vargas tomou decisões para o enfraquecimento do Legislativo e o reforço dos poderes do Executivo. Além disso, criou o Ministério do Trabalho, concedendo aos trabalhadores benefícios. Seu objetivo era estar mais próximo das massas. Era bastante populista e carismático.

Outra característica destacável da Era Vargas foi a criação do Departamento de Imprensa e Propaganda. Com o uso da propaganda, Vargas pretendia evidenciar os feitos de seu governo.

A capacidade de negociação política de Vargas também era destaque. O político que foi construindo sua imagem ao longo do tempo era visionário e era capaz de conciliar grupos de oposição do governo, o que ocorreu em 1930, com o apoio dos tenentistas e oligarcas dissidentes.

Primeira fase: Governo Provisório (1930-1934)

Como o próprio nome afirma foi a fase de transição, ou pelo menos deveria ser. Era o período para que o presidente organizasse uma Assembleia Constituinte e elaborasse uma nova Constituição para o País. Porém, a medida foi adiada o máximo possível.

Nessa época Getúlio Vargas já demonstrava pensamentos de centralização do poder. O adiamento da Constituinte provocou revoltas em alguns lugares do Brasil. São Paulo, por exemplo, se mostrou contra o Governo Getúlio Vargas em 1932, período chamado de Revolução Constitucionalista de 1932.

O movimento fracassou. Getúlio Vargas então decdiu atender as questões de São Paulo e nomeou para o estado um governador civil, nascido naquele estado. Garantiu ainda uma eleição para formar a Constituinte em 1933. A partir dela, foi promulgada a Constituição de 1934.

Segunda fase: Fase Constitucional (1934-1937)

Após a fase do Governo Provisório da Era Vargas, veio a Fase Constitucional.

Na fase constitucional, o governo de Vargas, em teoria, estender-se-ia até 1938, pois o presidente não poderia concorrer à reeleição. Foi uma fase marcada pela radicalização da política do Brasil e abrangeu os anos entre 1934 e 1937.

A centralização do poder características da era Vargas levou a construção do chamado Estado Novo. Como Vargas não poderia se candidatar à reeleição, grupos se formaram com fortes tendências à radicalização. De um lado, na extrema direita, tínhamos a Ação Integralista Brasileira (AIB), comandada por Plínio Salgado.

Do outro lado existia o movimento constitucionalista formado pelos integralistas em São Paulo, ainda em 1932. Este grupo tinha influência dos fascistas da Europa no Brasil, principalmente os italianos. Eles vestiam uniformes militares, organizaram eventos públicos e criavam milícias com intuito de agredir grupos da esquerda.

Na época existia também Aliança Nacional Libertadora (ANL), do lado da esquerda, que era apoiada pelo Partido Comunista do Brasil. Este grupo se inspirava no comunismo soviético e era anti-fascista. O líder da ANL era Luiz Carlos Prestes, que foi denominado presidente de honra do partido e visto como um grande nome na luta popular do País.

A ANL encabeçou o movimento chamado Intentona Comunista, que foi um fracasso o que possibilitou que Getúlio Vargas impulsionasse a centralização do poder, através do Estado Novo.

Terceira Fase: Estado Novo (1937-1945)

Getúlio vargas visitando a vale do rio doce
Getúlio Vargas visitando a Vale do Rio Doce

O período conhecido como Estado Novo foi marcado pelo anúncio de uma Constituição para o País, conhecida como Constituição Polaca. Essa Constituição de 1937 teve como objetivo alavancar os poderes do então presidente e erradicar partidos políticos que se digladiavam por vagas no Poder Legislativo. Getúlio pretendia dessa forma lançar as bases de sustentação da nova ditadura.

O presidente através do Estado Novo conseguiu fortalecer o regime populista e sua boa relação com o povo trabalhador, através de sua propaganda dedicada ao governo. Também colocou em prática os direitos trabalhistas, com a criação da carteira de trabalho, a jornada de 44 horas semanais e o salário mínimo ao trabalhador.

Devido a estes feitos, a manifestação ao novo regime foi mínima. Vargas era visto como necessário para combater ameaça comunista e elevar o Desenvolvimento do Brasil.

Essa época também foi marcada pela evolução da economia, com a regulamentação de várias atividades e de investimento na indústria, através da Fábrica Nacional de Motores, a Companhia Vale do Rio Doce, a Hidrelétrica do Vale do São Francisco e a Companhia Siderúrgica Nacional.

Esse primeiro momento de Getúlio Vargas como presidente se estendeu até 1945 em 30 de outubro daquele ano, Vargas foi deposto pelos militares, disputou e venceu as eleições como senador pelo estado do Rio Grande do Sul.

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