Fenícia: O Povo dos Mares

Seguimos nossos textos sobre os povos da Antiguidade com os fenícios. Se ainda não viu os outros, leia o texto sobre a Mesopotâmia e sobre o Egito Antigo.

Para dar uma pequena contextualização sobre que período da história estamos falando, a Antiguidade, ou História Antiga se iniciou com o surgimento da escrita por volta de 3500 a.C. e encontrou seu fim com a queda do Império Romano do Ocidente em 476 d.C. Coisas importantes aconteceram neste período de quase quatro mil anos, como o já citado surgimento da escrita, o surgimento das primeiras civilizações e até o nascimento da democracia.

Vamos então à Fenícia.

Localização e Atividade Comercial

O povo fenício se estabeleceu em uma região litorânea onde hoje estão localizados o litoral da Síria e Líbano. A principal característica dos fenícios era o comércio e navegação.

Ao contrário da região da Mesopotâmia, a Fenícia não tinha tantas terras férteis, e uma topografia mais montanhosa, o que dificultava a realização da agricultura. Outra característica das terras fenícias eram a proximidade ao mar (as cidades da época geralmente se localizavam próximas a rios, como a Mesopotâmia e os rios Tigre e Eufrates e o Egito e o Rio Nilo).

Utilizando-se do material que lhes era oferecido na região, as grandes florestas permitiram a eles a construção de barcos, e a localização litorânea favorecia as viagens. Pronto, os fenícios se especializaram em atividades de comércio marítimo (além da produção naval).

Isso tudo também facilitou para eles a colonização e construção de diversas outras cidades pelo Mar Mediterrâneo, como Palermo, Málaga e Cartago. Sim, Cartago foi criada pelos fenícios. E inclusive teve grande importância mais pra frente, rivalizando com o grande Império Romano.

Assim como a Grécia Antiga, a Fenícia não era um país com fronteiras delimitadas, mas sim um amontoado de cidades-estado, que eram autônomas e independentes entre si, cada uma com seu próprio rei. Entre as principais cidades da Fenícia destacam-se Biblos (ou Gebal – onde se produzia papiro que principalmente seriam adquiridos pelos gregos), Tiro e Sidon (grandes centros comerciais).

Entre os principais produtos comercializados pelos fenícios estão o cedro, o vidro e a púrpura. Isso mesmo, a cor púrpura era a grande novidade trazida pelos fenícios, para tingimento de roupas. O uso da cor púrpura nas sociedades da época demonstrava dinheiro e elevada posição social, portanto já dá pra imaginar que eles ganharam muito com isso.

E é exatamente da cor púrpura que veio o nome “fenícios”, tradução da palavra grega que quer dizer, exatamente, “púrpura”. O nome original do povo é cananeu, portanto não se confunda caso vir esse nome por aí.

Sobre o comércio em si, inicialmente era feito essencialmente por trocas de mercadorias, mas, com o tempo, foram surgindo as moedas, nas quais eles se destacavam no processo de cunhagem, colocando nelas seus barcos e mitos.

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As principais cidades-estado fenícias e as rotas comerciais. Fonte: TodaMatéria

Sociedade

Como já é esperado de um local com forte atividade comercial, os comerciantes atingiram um grande poder político, o que pode ser dominado de talassocracia, que traduz-se por domínio político simbolizado pelo poder das rotas comerciais marítimas.

A sociedade fenícia era separada em castas, ou seja, cada pessoa pertencia à uma classe de acordo com seu nascimento, e havia pouca ou nenhuma chance de ascensão. Além do nascimento, o que determinava sua posição na sociedade fenícia era a riqueza, e era aí que se escondia a pequena possibilidade de ascensão social. Fique rico, e ascenda na pirâmide social dos fenícios, bem simples, não?

Havia um governante central, um rei, que exercia seu poder em conjunto com uma elite aristocrática denominada de sufetas. Abaixo destes, vinham os grandes comerciantes marítimos e donos de oficinas de artesanato, bem como os funcionários e sacerdotes do rei, abaixo destes vinham os comerciantes menores, artesãos, pescadores, marinheiros. A última camada era composta pelos mais pobres e escravos.

Imagem de um barco | fenícia
Imagem de barco fenício encontrada em um sarcófago. Cr.: Elias Ziade

Arte e Religião

A cultura fenícia não foi de muita expressão, utilizando-se de elementos de outras culturas que iam sendo assimiladas, com poucas características originais.

No artesanato, os fenícios destacaram-se por serem excelentes artesãos. Eram grandes produtores de vidros, joias e metais, além de, claro, a produção de embarcações e tecidos (com o uso da púrpura, como citado no início do texto).

Na arquitetura, destaca-se o auxílio na construção do primeiro Templo de Jerusalém, que pode ser denominado Templo de Salomão, levando o nome do rei que ordenou a construção. No futuro, o templo foi destruído pelos neobabilônios no cerco à Jerusalém, comandados pelo rei Nabucodonosor II em 586 a.C.

Devido também ao domínio dos mares, os fenícios também tiveram importantes produções em relação à matemática e navegação (conhecimentos em astronomia).

Em relação à religião, assim como a maioria dos povos da época, os fenícios eram politeístas. O maior detaque às suas práticas religiosas estão em suas características animistas, ou seja, eles adoravam os elementos da natureza, como florestas e montanhas.

Pouco se tem documentado sobre a religião fenícia, mas um de seus principais deuses era Baal, sendo citado na própria Bíblia. Uma outra prática fenícia era a realização de rituais e adorações em locais abertos, e neles ocorriam a realização de sacrifícios, incluindo de humanos.

Alfabeto Fenício

As 22 letras do alfabeto fenício | fenícia
O alfabeto fenício

E por último mas não menos importante – pelo contrário – está a principal contribuição dos fenícios para a história e para o mundo: o alfabeto.

Até então, povos como os egípcios escreviam utilizando uma série de símbolos que representavam objetos ou ações (como o complicado hieróglifo, ou as formas em cunha da escrita cuneiforme). Os fenícios foram os primeiros a utilizar fonemas, traduzindo-os em letras, quase como as que conhecemos hoje.

O alfabeto fenício era composto por 22 letras, escritas da direita para a esquerda. A particularidade é que o alfabeto fenício não continha nenhuma vogal. Este alfabeto depois foi adaptado pelos gregos, que adicionaram as vogais, bem como números, e mudaram a direção da escrita para esquerda-direita, como conhecemos hoje.

O alfabeto grego ainda foi adaptado pelos etruscos antes de chegar aos romanos, que criaram o alfabeto latino, originário do que usamos no português.

Persas x Fenícios – O Fim da Fenícia

A Pérsia se localizava onde hoje conhecemos como Irã (que, inclusive, mudou de nome apenas em 1935). O Império Persa em si teve início com a unificação do povo persa com os medos, realizada pelo rei Ciro, o Grande. 

Dario I foi o principal imperador persa, e um dos principais governantes de toda a antiguidade. Em seu governo, inseriu-se a organização administrativa em satrapias, um tipo de província, e cada uma tinha seu governante, o sátrapa. E, para fiscalizar as atividades nas satrapias haviam os conhecidos “olhos e ouvidos do rei”, que observavam tudo que acontecia nas províncias e relatavam. Foi até criada a sua própria moeda, o dárico.

Moeda persa conhecida como dárico | idade antiga
O Dárico. Cr.: Wikimedia Commons

Foi também no reinado de Dario I que foi construída a Estrada Real, via que interligava todas as províncias e a partir da qual se tornou mais fácil a movimentação entre os locais, favorecendo o comércio, as comunicações e o recebimento de impostos.

Sobre a religião, também tratava-se de algo único: o Zoroastrismo. Ela possui esse nome devido ao profeta que a fundou, Zoroastro. O Zoroastrismo se baseia na dualidade do bem (Ahura Mazda) e do mal (Aritmã), que vivem em luta um contra o outro. Luta que irá culminar, um dia, no fim dos tempos.

Mas no que o povo persa se destacou foi em criar um grande império, conquistando diversas regiões. Pérsia e Fenícia tinham até que uma boa convivência de vizinhos, com algumas transações comerciais aqui e ali, pois os fenícios mantinham relações comerciais com praticamente todos os povos da região.

Mas em 539 a.C., comandados por Ciro, o Grande, os persas conquistaram a região da Fenícia, assimilando-a ao grande Império Persa. A região foi então separada em quatro reinos: Sidon, Tiro, Arwad e Biblos. Os reinos até prosperaram, mas grande parte da população fenícia migrou para Cartago a partir da dominação, diminuindo a influência fenícia por si na área.

A cultura fenícia, portanto, começou a se perder, pois a região foi conquistada então por Alexandre Magno, que invadiu o reino de Tiro em uma investida avassaladora conhecida como Cerco de Tiro. A cultura helenística, portanto, passou a preencher o local.

Quanto a Cartago, ela foi dominada pelos romanos ao fim das três Guerras Púnicas em 146 a.C. A cidade foi destruída na ocasião, acabando, por fim, com toda a influência e cultura fenícia.

🎯 Teste seus conhecimentos respondendo a alguns exercícios sobre os fenícios: exercícios 1 e exercícios 2.

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