Filosofia Medieval: Escolástica e Patrística

A filosofia medieval é a filosofia que se desenvolveu durante o período da Idade Média, desde a queda do Império Romano no século V até a Renascença no século XV e teve, entre outros, São Tomás de Aquino como um dos seus principais pensadores. O estudo da filosofia é dividido em dois períodos:

Patrística é a filosofia cristã nos três primeiros séculos, elaborada pelos primeiros padres da igreja católica. Ela consiste, basicamente, na elaboração da doutrina de fé do cristianismo e, na defesa contra os ataques dos considerados na época pagãos e hereges.

A Filosofia Escolástica, assim como a Patrística, tem origem no clero medieval, mais especificamente nas escolas monásticas cristãs.

Essas escolas buscavam conciliar a fé cristã com um sistema de pensamento racional, especialmente o da filosofia grega e outros assuntos relacionados a filosofia. vamos falar sobre a filosofia medieval e, se ficar com alguma dúvida, é só deixar nos comentários.

A História da Filosofia

A filosofia medieval é a filosofia da Europa Ocidental desde cerca de 400-1400, aproximadamente o período entre a queda de Roma e o Renascimento. Os filósofos medievais são os sucessores históricos dos filósofos da antiguidade, mas na verdade estão apenas parcialmente ligados a eles. Até cerca de 1125, os pensadores medievais tinham acesso a apenas alguns textos da filosofia grega antiga (o mais importante, uma parte da lógica de Aristóteles).

Essa limitação explica a atenção especial que os filósofos medievais dão à lógica e à filosofia da linguagem. Eles ganharam algum conhecimento de outras formas filosóficas gregas (particularmente aquelas do platonismo posterior) indiretamente por meio dos escritos de autores latinos como Agostinho e Boécio. Esses pensadores cristãos deixaram um legado duradouro de especulação metafísica e teológica platônica.

Começando por volta de 1125, o influxo para a Europa Ocidental das primeiras traduções latinas das obras remanescentes de Aristóteles transformou dramaticamente o pensamento medieval. As discussões e disputas filosóficas dos séculos XIII e XIV registram os esforços sustentados dos pensadores medievais posteriores para entender o novo material aristotélico e assimilá-lo em um sistema filosófico unificado.

A influência extra filosófica mais significativa na filosofia medieval ao longo de sua história milenar é o cristianismo. As instituições cristãs sustentam a vida intelectual medieval, e os textos e ideias do cristianismo fornecem um rico assunto para a reflexão filosófica.

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Embora a maioria dos maiores pensadores do período fossem teólogos altamente treinados, seu trabalho aborda questões filosóficas perenes e adota uma abordagem genuinamente filosófica para a compreensão do mundo. Mesmo a discussão de questões especificamente teológicas é tipicamente filosófica, permeada de ideias filosóficas, argumentação rigorosa e análise lógica e conceitual sofisticada. O empreendimento da teologia filosófica é uma das maiores conquistas da filosofia medieval.

Comentário Textual e a Discussão

A maneira como a filosofia medieval se desenvolve em diálogo com os textos da filosofia antiga e da tradição cristã primitiva (incluindo a filosofia patrística) é exibida em suas duas formas pedagógicas e literárias distintas, o comentário textual e a discussão.

Em comentários explícitos sobre textos como as obras de Aristóteles, os tratados teológicos de Boécio e o livro clássico de teologia de Pedro Lombardo, as Sentenças, os pensadores medievais lutaram novamente com as tradições que chegaram até eles.

Em contraste, a disputa – a forma de discurso característica do ambiente universitário do final da Idade Média – não se concentra em textos particulares, mas em questões filosóficas ou teológicas específicas. Assim, permite que os filósofos medievais reúnam passagens e argumentos relevantes espalhados por toda a literatura oficial e julguem suas reivindicações concorrentes de maneira sistemática.

Essas formas dialéticas de pensamento e intercâmbio encorajam o desenvolvimento de poderosas ferramentas de interpretação, análise e argumentação ideais para a investigação filosófica. É a natureza altamente técnica desses modos de pensamento acadêmicos (ou escolásticos), porém, que provocou as hostilidades dos humanistas renascentistas, cujos ataques puseram fim ao período da filosofia medieval.

Filosofia dos Padres Apostólicos

A Filosofia dos Padres Apostólicos e a Filosofia dos Padres Apologistas são duas correntes filosóficas que surgiram nos primeiros séculos do Cristianismo. Elas representam a fusão entre o pensamento filosófico greco-romano e os princípios teológicos do Cristianismo nascente.

Os Padres Apostólicos eram líderes e escritores cristãos dos primeiros séculos após a morte de Jesus Cristo, que mantiveram uma conexão direta ou indireta com os apóstolos. Eles desempenharam um papel fundamental na disseminação e consolidação do Cristianismo primitivo. Embora a Filosofia dos Padres Apostólicos não seja um sistema filosófico formal, ela reflete a abordagem filosófica adotada pelos primeiros cristãos na tentativa de compreender e explicar sua fé.

A Filosofia dos Padres Apostólicos baseava-se em elementos filosóficos pré-cristãos, principalmente do estoicismo e do platonismo. Os Padres Apostólicos incorporaram conceitos filosóficos como a ética estoica, o idealismo platônico e a noção de Logos (palavra ou razão divina) em sua teologia. Eles buscaram estabelecer uma harmonia entre a fé cristã e a razão humana, argumentando que a verdade divina não era incompatível com a sabedoria filosófica.

Filosofia dos Padres Apologistas

Já a Filosofia dos Padres Apologistas surgiu em um período posterior, no século II, e estava intimamente ligada à defesa intelectual do Cristianismo contra as críticas e acusações da época. Os Padres Apologistas foram escritores cristãos que procuraram justificar e defender a fé cristã perante a cultura greco-romana e as escolas filosóficas predominantes. Eles usaram conceitos filosóficos e argumentos racionais para demonstrar a racionalidade e a verdade do Cristianismo.

Os Padres Apologistas desenvolveram um diálogo com a filosofia greco-romana, buscando pontos de convergência e utilizando argumentos racionais para defender a existência de Deus, a natureza divina de Jesus Cristo e a validade dos ensinamentos cristãos. Entre os Padres Apologistas mais conhecidos estão Justino Mártir, Tertuliano, Clemente de Alexandria e Orígenes.

Tanto a Filosofia dos Padres Apostólicos quanto a Filosofia dos Padres Apologistas foram importantes na formação do pensamento cristão primitivo. Elas ajudaram a estabelecer as bases para a síntese entre a fé cristã e o pensamento filosófico, que teve um impacto duradouro no desenvolvimento da teologia cristã ao longo da história.

Filosofia Patrística

A filosofia escolástica e patrística são as filosofias pensadas pelo clero medieval
A filosofia escolástica e patrística são as filosofias pensadas pelo clero medieval

A Filosofia Patrística foi considerada a primeira fase do estudo filosófico durante a Idade Média. Esse pensamento foi explorada por diversos padres da época que buscavam compreender e traçar um paralelo que relacionasse a fé divina e o racionalismo científico.

Santo Agostinho (354-430) foi o principal representante da patrística. Os temas explorados por ele estavam diretamente ligados com o ecletismo, maniqueísmo, ceticismoneoplatonismo e, principalmente, a filosofia de Platão.

Agostinho abordou além desse assuntos, a superioridade da alma sobre o corpo, o livre-arbítrio, a predestinação divina e o pecado.

A medida do amor é amar sem medida

Santo Agostinho

Características da Patrística

A doutrina filosófica dessa escola foi representada pelo pensamento dos padres medievais da Igreja Católica, que gradualmente auxiliaram na construção da teologia cristã e disseminação dela pelo mundo moderno.

Era um pensamento baseado na filosofia grega, os pensadores desse período tinham um objetivo central: compreender a relação entre a fé e divino e a ciência racional.

Os principais questionamentos se concentravam na criação do mundo de uma forma que ligasse o criacionismo a hipóteses comprováveis, ressurreição e encarnação de Jesus Cristo, conceitos de corpo e alma, pecados, livre arbítrio e a predestinação divina.

Santo Agostinho

Santo Agostinho (354-430) foi um teólogo, bispo, filósofo e o principal pensador patrístico. Seus estudos estiveram voltados para a luta do bem contra o mal, chamada maniqueísmo, bem como o neoplatonismo, usando a filosofia da Grécia Antiga com referencial. Também teve bastante intensidade ao estudar o conceito do “pecado original” de Adão e Eva, bem como o “livre arbítrio” como forma de livrar do mal.

Agostinho acreditava profundamente na possibilidade de fundir a fé e razão para encontrar a verdade como um todo. Desta forma, ele enxergava a possibilidade de as duas poderem trabalhar em conjunto, uma vez que a razão auxiliaria a busca da fé, e esta não poderia ser atingida sem o pensamento racional.

Ilustração de agostinho separando a razão e a fé para o estudo da filosofia
Ilustração de Agostinho separando a razão e a fé para o estudo da filosofia

Filosofia Escolástica

A Filosofia Escolástica foi uma das vertentes da filosofia medieval. Ela tem seu surgimento na Europa durante século IX e permaneceu até o início da Renascimento, no século XVI. O principal pensador escolástico foi o teólogo e filósofo São Tomás de Aquino conhecido também como “Príncipe da Escolástica”. Além de ser uma corrente filosófica, pode ser considerada o método de pensamento crítico responsável por influenciar as áreas do conhecimento das Universidades Medievais. Dentro dessa escola eram estudadas duas partes da filosofia, Trivium e Quadrivium:

  • Trivium: gramática, retórica e dialética
  • Quadrivium: aritmética, geometria, astronomia e música

Características da Filosofia Escolástica

A Escolástica sempre esteve inspirada nos ideais dos filósofos gregos antigos Platão e Aristóteles, além de ter uma fundamentação cristã baseada na revelações bíblicas. Durante a segunda fase da filosofia medieval, a Igreja possuía grande poder e ditava em diversos aspectos sendo eles sociais, políticos e ou econômicos.

São Tomás de Aquino foi o principal filósofo dessa corrente. Segundo ele, assim como a corrente precursora, o segredo da filosofia era racionalizar o pensamento cristão e refletir sobre a aproximação entre a fé e a razão, estabelecendo uma relação entre o divino e a ciência.

São Tomás de Aquino

Tomás de Aquino (1225-1274) foi o principal entre os representantes da Escolástica. Responsável por sistematizar aspectos do cristianismo apoiado sobretudo na filosofia Aristotélica.

A humildade é o primeiro degrau para a sabedoria.

Sua própria filosofia ficou conhecida como Tomismo e dentre os principais temas explorados ele podemos citar:

  • Realidade sensorial
  • Princípio da não-contradição
  • Princípio da Substância
  • Princípio da Causa Eficiente
  • Princípio da Finalidade
  • Princípio do Ato e da Potência

Principais diferenças entre a escolástica e patrística

De forma geral, há poucas diferenças entre as duas vertentes. É possível até mesmo apontar um tipo de padrão na continuidade ideológica geral entre as duas escolas filosóficas. Porém, é possível diferencia-las principalmente pelos modos como constroem a sua filosofia e defendem o seu ponto principal: a compatibilização entre as verdades da filosofia e as verdades da Fé.

Os adeptos da filosofia patrística muitas vezes condenavam como “hereges” os filósofos antigos, de modo a se aproximar mais da fé que  da razão, já os pensadores da escolástica usavam pensadores como Aristóteles como base para uma forma de compreender os mistérios da Fé, buscando compatibilizar as duas questões.

De forma geral:

patrística é a filosofia dos padres da igreja católica, com objetivo único em juntar a religião e com a filosofia, fazendo entrar na sociedade medieval ideais cristãos tais quais a criação do mundo e livre-arbítrio. Por outro lado, a escolástica era um tipo de vida intelectual e educativa, contribuindo para o estabelecimento das universidades, a mesma simboliza o declínio da era medieval e do modelo feudal.

Essa decadência levou a Europa a vivenciar momentos históricos como a Revolução Industrial, Revolução Francesa, Reforma Protestante e muito mais, você pode aprender um pouco mais sobre esses momentos da história no nosso site.

FAQ Rápido

O que é filosofia medieval?

A filosofia medieval é a filosofia que se desenvolveu durante o período da Idade Média, desde a queda do Império Romano no século V até a Renascença no século XV.

O que é filosofia patrística?

A Filosofia Patrística foi considerada a primeira fase do estudo filosófico durante a Idade Média. Esse pensamento foi explorada por diversos padres da época que buscavam compreender e traçar um paralelo que relacionasse a fé divina e o racionalismo científico.

O que é filosofia escolástica?

A Filosofia Escolástica foi uma das vertentes da filosofia medieval. Ela tem seu surgimento na Europa durante século IX e permaneceu até o início da Renascimento, no século XVI.

Em quantos períodos se divide a Filosofia Medieval?

Dividido em dois períodos:
Patrística que consiste, basicamente, na elaboração da doutrina de fé do cristianismo e, na defesa contra os ataques dos considerados na época pagãos e hereges.
Filosofia Escolástica que buscava concilia a fé cristã com um sistema de pensamento racional, especialmente o da filosofia grega.

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