Grécia Antiga: A História, a Sociedade, a Política, a Religião e a Cultura

A Grécia é um dos grandes destaques do período da História Antiga. A civilização grega se localizava na Península Balcânica, e se estendeu por diversos locais ao longo da costa do Mediterrâneo. Quando falamos de Grécia, nos dias de hoje, falamos de um país unificado, mas na Antiguidade, a civilização grega era espalhada por diversas cidades-estados (chamadas de pólis) que compartilhavam de uma mesma língua e costumes.

De certo modo ligados à filosofia da época (e também à religião) está a criação dos mitos. Os gregos se baseavam em lendas para explicar os fatos e história. Alguns dos mitos mais famosos são o Mito da Caverna de Platão, o Cavalo de Troia, Minotauro, entre outros. Os mitos estavam sempre ligados à deuses ou heróis, e era frequente a aparição de monstros, como o próprio Minotauro.

História

A história da Grécia Antiga é dividida por historiadores em quatro principais períodos, e mais um após o domínio macedônico, que marcou o fim da Grécia Antiga, com datação aproximada de acordo com acontecimentos da época, que vão desde o seu surgimento até o declínio, quando se tornou um protetorado romano. Seguem os períodos:

Período Pré-Homérico

A datação deste período é de 2.000 a.C. até 1.100 a.C. Trata-se do período de formação da Grécia Antiga e de seu povo. No início, uma grande civilização ocupava as terras do que viria a ser a Grécia Antiga: os cretenses, que tinham este nome por se localizarem principalmente na Ilha de Creta, no mar Egeu (também chamada de minoica, por ter sido fundada pelo Rei Minos). Os cretenses possuíam um comércio muito forte na região mediterrânea, bem como viviam da agricultura e criação de animais.

Os primeiros povos indo-europeus (ou arianos) a chegarem na região foram os aqueus, por volta de 2.000 a.C., o que data o início do Período Pré-Homérico. A partir deles surgiram grandes centros urbanos, como Micenas, o que serviu para caracterizar este povo também como micênicos. 

Depois, vieram os eólios e jônios e sem grandes problemas se estabeleceram em outras terras da região. Em torno de 1.400 a.C., os micênicos se tornaram fortes o suficiente para desafiarem a hegemonia dos cretenses, e invadiram suas terras, dominando não só as cidades mais importantes, como Cnossos e Troia, mas assimilando também seus costumes e cultura.

E ainda houve mais uma invasão, a mais violenta da época: a dos dórios. Os dórios eram um povo tradicionalmente guerreiro e militar. A invasão dória causou uma destruição imensa nos centros urbanos estabelecidos até então.

Como consequência da invasão dória, diversas pessoas que moravam na região foram obrigadas a fugir e se dispersar, o que ficou conhecido como a Primeira Diáspora Grega. A civilização então se tornou caracterizada por pequenos grupos familiares que se estabeleceram em locais cujas terras eram férteis, passando a sobreviver da agricultura de subsistência, e centralizaram o poder nos chefes de família, simplificando as complexas estruturas políticas e econômicas que existiam até então. E este foi o fim do Período Pré-Homérico.

Período Homérico

Este período é datado entre os anos de 1.100 a.C. e 800 a.C. Este período foi nomeado em homenagem ao poeta grego Homero, autor das grandes obras Ilíada e Odisseia. 

Bom, paramos na invasão dos dórios e a Primeira Diáspora Grega. Após uma violenta destruição, a sociedade grega precisava portanto se reestruturar. Chegamos então na palavra-chave do Período Homérico, que teve como principal característica a substituição da cultura micênica pela gentílica, ou seja, organizada em genos.

O genos era uma pequena comunidade formada por membros familiares que descendiam de um mesmo ancestral. Nele, havia um poderoso senso de coletividade, o que gerava uma autossuficiência, ou seja, todos contribuíam com os trabalhos e colhiam seus frutos igualmente, o que garantia o sustento do genos em questão. Os trabalhos eram de agricultura e criação de gado. O poder (político, militar e religioso) era concentrado na figura do pater, o patriarca da família. 

Certo, tudo ocorreu de forma muito harmônica por um tempo, até que as sociedades dos genos começaram a crescer, e o trabalho agrícola não cresceu com a mesma velocidade, se tornando mais difícil o sustento do povo que habitava a comunidade. Com isso, parentes mais distantes do pater passaram a ser negligenciados, recebendo menos bens e alimentos, o que gerou uma divisão de classes, e um grupo de privilegiados dentro dos genos. 

A comunidade passou a ser dividida entre os chamados eupátridas, ou “bem-nascidos”, que seriam os membros mais próximos do pater, portanto, os mais privilegiados e abastados, os georgoi, ou “agricultores”, aqueles que possuíam ainda seus pequenos lotes de terra e conseguiam sobreviver, mas sem os grandes privilégios dos eupátridas, e por fim os thetas, ou “marginais”, que não possuíam terras, muito menos privilégios, e ficavam à margem da sociedade. 

Esse crescimento e geração de desigualdade geraram duas características, que marcaram o início do próximo período, o Arcaico.

Período Arcaico

Data-se entre 800 a.C. e 500 a.C. O início do Período Arcaico é marcado pela decadência dos genos, quando o crescimento populacional gerou falta de recursos e desigualdade econômica, o que resultou em duas coisas: primeiro, novamente a dispersão dos povos, geralmente os marginais, em busca de melhores condições de vida, o que marcou a Segunda Diáspora Grega, o que acabou por causar uma grande expansão da cultura grega, e que deu origem à diversas colônias, como Bizâncio (que viria a ser conhecida mais tarde como Constantinopla), Nápoles e Marselha.

Mas provocou também a união entre genos, como um meio de maior proteção e controle das terras, o que formou as fratrias. Com o tempo, as fratrias também começaram a se unir, formando tribos. E foi a união das tribos que formou as primeiras pólis, que ficariam conhecidas como as grandes cidades-estado da Grécia Antiga.

Uma das principais características da sociedade grega é a sua autonomia e descentralização, ou seja, cada pólis por si, seja no aspecto econômico, político, religioso, entre outros. A Grécia Antiga, portanto, não trata de um país com fronteiras limitadas, e sim de um amontoado de comunidades que compartilham da mesma cultura e idioma centrais. Teoriza-se que existiam mais de 100 cidades-estado na Grécia Antiga. 

As pólis tinham como principal fonte de economia a agricultura, mas também desenvolveram o comércio. A Ágora era o espaço público onde se realizavam as feiras e reuniões dos cidadãos, como uma praça. Acrópole (que pode ser traduzido como “cidade alta”) era a parte mais alta da pólis, onde ficavam as construções dos templos dedicados aos deuses. Assim como os genos, cada pólis era autossuficiente por si só.

Na política, cada pólis tinha suas características específicas, mas era formada essencialmente pela Assembleia do Povo, Conselho Aristocrático e os Magistrados. As principais pólis que se desenvolveram no período foram Atenas e Esparta.   

Período Clássico

Trata-se do período de apogeu da civilização grega. Também pode ser chamado de Período das Hegemonias, pois é quando foram travadas as Guerras Médicas e Guerra do Peloponeso, e quando os gregos viveram mudanças de hegemonias, dos atenienses para os espartanos e deles para os tebanos.

O principal momento de desenvolvimento artístico e cultural condiz com a Era de Ouro de Atenas, onde a arte era extremamente valorizada. Pode-se citar como exemplo a construção do Partenon.

Apesar de brilhar na área cultural, o Período Clássico foi principalmente marcado pelas guerras, o que enfraqueceu muito os povos e territórios, e facilitou a invasão e dominação dos macedônios, marcando o declínio dos gregos e o início do Período Helenístico.

Período Helenístico

Para discutir o Período Helenístico, o período final da história da Grécia Antiga, bem como o período que os gregos estiveram sob controle dos poderosos macedônios, é preciso falar primeiro sobre o Império Macedônio.

Império Macedônio

Para começar, apesar de língua e costumes parecidos, os macedônios eram considerados bárbaros ou semibárbaros (estrangeiros, povos que não são parte da civilização grega) pelos gregos. Eles habitavam o norte da Grécia e, a partir de 338 a.C. deram início a uma sucessão de conquistas de territórios avassaladora, o que originou o grande Império Macedônio.

O Império Macedônio durou pouco tempo, mas não se engane: ele foi extremamente importante para História Antiga, pois possibilitou a difusão da cultura grega para o oriente (a fusão dessas culturas é o chamado helenismo, por isso o nome do período).

Escultura de alexandre magno | grécia antiga
Busto de Alexandre, o Grande

Quem deu início ao Império Macedônio foi o rei Filipe II, mas ele apenas atingiu seu auge após a Ascenção de Alexandre Magno (ou Alexandre, o Grande) ao poder em 336 a.C. 13 anos. Este foi o tempo que Alexandre esteve no poder, e ele conseguiu criar o maior império da História Antiga neste tempo.

Alexandre começou suas conquistas pelo poderoso Império Persa, que nesta época já estava em decadência, sejamos francos. Mas nem por isso foi uma conquista fácil. Em várias batalhas, ele foi conseguindo controle sobre as regiões da Jônia, Fenícia, Líbano, parte da Síria, Israel, Palestina e Egito, quando finalmente conseguiu domínio total sobre a Pérsia em 331 a.C.

Após a Pérsia, Alexandre partiu para a conquista da Índia, conseguindo domínio sobre alguns de seus territórios. Em 323 a.C., porém, ele teve uma morte precoce e não deixou herdeiros, o que marcou o início do declínio do grande e breve Império Macedônio.

Após a morte de Alexandre, o grande império foi dividido em três, e passou a ficar sob o controle de três de seus generais. Porém ele ficou extremamente enfraquecido, e logo foi dominado pelos romanos, marcando não só o fim do Império Macedônio como também da Grécia Antiga.

Como resultado desta grande expansão Macedônia, como já comentei, houve a expansão da cultura grega por todo o oriente, fundindo-se à cultura já existente nesses locais, o que criou a cultura helenística.

O ponto principal da cultura helenística está nas esculturas. Moldadas no modelo grego, seguindo o ideal de beleza dos mesmos, exaltavam o corpo e a natureza. Um exemplo de escultura helenística é a chamada Lacoonte e seus Filhos.

Mas também houve uma grande mudança na filosofia, surgindo quatro novas escolas: estoicismo, na qual o homem deveria aceitar as imposições do destino para a sua vida, e só assim ele atingiria a verdadeira felicidade, epicurismo, que incentiva a busca ao prazer para a libertação, ceticismo, a dúvida permanente, tudo questionar e o cinismo, que cultuava a indiferença, a total rejeição pelos bens materiais e riquezas.

Foi a cultura helenística também que deu origem à famosa Biblioteca de Alexandria, que foi uma das maiores e mais importantes bibliotecas da Idade Antiga. Porém, ela foi alvo de um incêndio em 48 a.C. (comandado por Júlio César), além de grande quantidade de saques e invasões, o que destruiu todo o empreendimento.

Religião e Cultura Grega

Escultura de uma nereida andando a cavalo | grécia antiga
Exemplo de escultura grega

Por fim, vamos tratar de religião e cultura. Quando se fala de cultura, a Grécia Antiga contribuiu com muitas coisas para a história, principalmente a cidade-estado de Atenas em sua Era de Ouro.

O ponto alto da cultura da Grécia Antiga eram as esculturas. Exaltando a beleza humana e as proporções, as esculturas feitas por artistas gregos são famosas até os dias de hoje, devido a perfeição dos movimentos e detalhes. A palavra-chave da escultura grega é idealismo.

Além da escultura, pode-se citar como de grande importância dentro da cultura grega o teatro. O teatro grego era uma grande celebração, na qual a população se reunia ao ar livre nos anfiteatros para assistir aos atores, que utilizavam máscaras em suas atuações. As peças eram divididas principalmente em tragédias e comédias (daí veio a identificação de teatro com as tão conhecidas máscaras feliz e triste).

Uma curiosidade é que nas peças poderiam ser encontrados tanto personagens femininos quanto masculinos, porém as mulheres não podiam interpretar, pois não eram cidadãs. Todos os papeis eram portanto interpretados por homens.

Bom, não dá pra falar de cultura grega sem citar a filosofia, já que a Grécia foi o grande berço da filosofia antiga. Grandes nomes como Aristóteles, Platão e Sócrates viveram neste momento. A filosofia grega pode ser separada em três momentos:

Máscaras feliz e triste em preto e branco | grécia antiga
Símbolo já conhecido do teatro, as máscaras simbolizam os dois gêneros de peças da Grécia Antiga
  • Período Pré-Socrático: como o nome já diz, filósofos que vieram antes de Sócrates. As reflexões deste período eram centradas na natureza. O grande destaque deste período foi Tales de Mileto;
  • Período Socrático: quando os filósofos começam a pensar sobre os seres humanos. Aqui, se encaixam Sócrates, Aristóteles e Platão;
  • Período Helenístico: focava na busca pela felicidade e realizações humanas. Entre os nomes desta época estão Epícteto e Marco Aurélio.
Escultura de aristóteles | grécia antiga
Busto de Aristóteles

Mais um ponto importante da cultura grega está na criação dos Jogos Olímpicos. Segundo historiadores, as primeiras Olimpíadas datam de 776 a.C., e eram eventos nos quais representantes das cidades-estado se reuniam na cidade de Olímpia (daí o nome) para várias atividades esportivas. O objetivo era homenagear os deuses, e ao mesmo tempo criar uma harmonia entre as cidades.

Por último, é importante citar também a literatura da época. A poesia era o gênero mais escrito, com destaque à poesia épica, ou epopeia, que tratava de fatos grandes, como a Ilíada e a Odisseia, obras de Homero, que foi o principal escritor da Grécia Antiga. A tragédia e a comédia também eram modelos populares de escrita na época.

Agora, a religião. Os gregos, assim como a maior parte dos povos da Antiguidade, eram politeístas, ou seja, acreditavam na existência de vários deuses. Não só deuses, também havia a existência de semideuses, heróis e ninfas. Os deuses gregos tinham forma humana, bem como sentimentos humanos. Eles até se relacionavam com humanos e tinham filhos, daí de onde surgiram os principais heróis, como Hércules, filho de Zeus e Alcmena.

A cultura grega está amplamente ligada à religião, pois muitos dos feitos dos homens eram formas de cultuar os deuses, como o surgimento do teatro, que seria uma celebração para Dionísio, muitas peças também, principalmente as comédias, retratavam deuses em sua história. Aqui estão os principais deuses gregos:

DivindadeDomínio
Zeusdeus de todos os deuses, o governante
Atenadeusa da sabedoria
Hadesdeus do submundo
Heradeusa da maternidade e casamentos
Poseidondeus dos mares
Afroditedeusa do amor e da beleza
Apolodeus da luz
Ártemisdeusa da caça
Hermesmensageiro dos deuses, deus das viagens, do comércio, da linguagem, entre outros
Hefestodeus do fogo
Dionísiodeus do vinho e das festas

Mais tarde, a religião grega influenciou a religião romana, mudando o nome dos deuses, mas mantendo seus mesmos aspectos. Em alguns casos, o nome greco-romano se tornou mais popular do que o nome original, como é o caso de Baco, deus do vinho, ou Vênus, celebrado pelo quadro “Nascimento de Vênus”, ou na cultura pop das histórias em quadrinhos como o personagem Mercúrio (não Hermes) da Marvel Comics. Um caso famoso dessa transformação é o herói mitológico Hercules. No caso do personagem, Hercules é o seu nome greco-romano e seu nome grego é Héracles. Os deuses greco-romanos são:

DivindadeNome Romano
ZeusJúpiter
AtenaMinerva
HadesPlutão
HeraJuno
PoseidonNetuno
AfroditeVênus
ApoloFebo
ÁrtemisDiana
HermesMercúrio
HefestoVulcano
DionísioBaco

FAQ Rápido

Por que a Grécia Antiga é mais conhecida?

Os gregos fizeram importantes contribuições para a filosofia, matemática, astronomia e medicina. A literatura e o teatro foram aspectos importantes da cultura grega e influenciaram o drama moderno. Os gregos eram conhecidos por sua escultura e arquitetura sofisticadas.

O que marcou o fim da Grécia Antiga?

Uma seca de 300 anos pode ter causado o desaparecimento de várias culturas mediterrâneas, incluindo a Grécia antiga, sugere uma pesquisa. Uma queda acentuada nas chuvas pode ter levado ao colapso de várias civilizações do Mediterrâneo oriental, incluindo a Grécia antiga, há cerca de 3.200 anos.

Quantos deuses gregos existem?

Doze deuses. A religião grega antiga baseava-se na crença de que havia doze deuses e deusas que governavam o universo a partir do Monte Olimpo, na Grécia.

Como nasceu a Grécia Antiga?

No século VIII AC, a Grécia começou a emergir da Idade das Trevas, que se seguiu à queda da civilização micênica. A alfabetização havia sido perdida e a escrita micênica esquecida, mas os gregos criaram o alfabeto grego, provavelmente modificando o fenício.

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