Desvendando a Idade Antiga e as Principais Civilizações da Antiguidade

A História Antiga, ou Idade Antiga, ou até mesmo simplesmente “Antiguidade” diz respeito ao período da história que vai desde o surgimento da escrita na Suméria por volta de 3.500 a. C. até a queda do Império Romano do Ocidente em 476 d.C. Trata-se, portanto, de um período bem longo que abrange cerca de quatro mil anos e veio após o período da Pré-História e antes da História Medieval. A História Antiga seguiu-se ao período conhecido como Pré-História.

O estudo da civilização antiga está preocupado com os primeiros segmentos do assunto muito mais amplo chamado história antiga. O período da história antiga começou com a invenção da escrita por volta de 3100 AEC e durou mais de 35 séculos. A humanidade existia muito antes da palavra escrita, mas a escrita tornou possível a manutenção de um registro histórico.

As primeiras sociedades antigas surgiram na Mesopotâmia e no Egito, no Oriente Médio, na região do vale do Indo, onde hoje são o Paquistão e a Índia, no vale do Huang He (Rio Amarelo) da China, na ilha de Creta, no Mar Egeu, e na América Central.

Todas essas civilizações tinham certas características em comum. Eles construíram cidades e inventaram formas de escrita. Eles aprenderam a fazer cerâmica e usar metais. Eles domesticaram animais e criaram estruturas sociais bastante complexas com sistemas de classes. Vamos falar sobre esse período da civilização humana e, se você ficar com dúvidas, é só deixar aí nos comentários.

Surgimento da Escrita

Antes do surgimento da primeira forma de escrita no mundo, as pessoas se utilizavam da oralidade e do uso de desenhos para se comunicarem entre si. Um grande exemplo disso são as famosas pinturas rupestres, desenhos feitos nas paredes das cavernas que datam de muitos, muitos anos atrás. 

Eis que, na Mesopotâmia, por volta de 3.500 a.C., surge a primeira forma de comunicação efetivamente escrita: a escrita cuneiforme. Os responsáveis foram os povos Sumérios, que se utilizavam de argila e materiais em forma de cunha (daí o nome) para a produção de suas “letras”.

Pedra de argila contendo escrita cuneiforme | idade antiga
Exemplo da escrita cuneiforme

A escrita cuneiforme foi amplamente utilizada principalmente na própria região da Mesopotâmia durante cerca de 3 mil anos, apesar de muito complicada. Mais de 2 mil símbolos eram utilizados para a comunicação, e estavam amplamente ligados à própria cultura dos povos da região. Muitos documentos foram registrados neste formato.

Pouco tempo depois, surgiu no Egito a chamada escrita hieroglífica. Você já deve ter ouvido alguém utilizar a palavra “hieróglifos” para designar uma escrita difícil de ser lida, trata-se de um uso comum da palavra nos dias de hoje, que já dá mais ou menos a ideia do que era esse sistema de escrita egípcio.

Por ser extremamente complexa, a escrita hieroglífica era dominada apenas pelos mais poderosos, e era utilizada geralmente em documentos sagrados. Não se sabe, porém, exatamente quando ela começou a ser efetivamente utilizada.

Mas nem só de poderosos vive o Egito, portanto, foi desenvolvida ainda uma outra forma de escrita mais simples e popular, a demótica, utilizada em documentos jurídicos.

Uma curiosidade é que os egípcios utilizavam, para transmitir sua escrita, os chamados papiros, um tipo de papel primitivo, derivados de uma planta com o mesmo nome. Era a primeira vez que não se utilizavam de tipos de pedras ou argila para a confecção da escrita. 

Vários anos depois, ainda datando a.C., os fenícios inventaram o que seria a base dos principais alfabetos existentes e utilizados até os dias de hoje. A diferença é que, ao invés de basear-se em figuras e desenhos, as letras eram baseadas na própria fonética, tornando tudo mais simples e de fácil compreensão e uso.

Comparando-se aos 2 mil símbolos da escrita cuneiforme, o alfabeto fenício utilizava-se apenas de 22 signos (ou letras) – BEM mais simples, como já dito – e, por conta das características comerciais deste povo, o alfabeto foi rapidamente espalhado por diversas outras regiões.

A partir do alfabeto fenício (e, bom, depois do alfabeto fenício praticamente todo novo esquema de escrita foi baseado nele), os gregos adaptaram-no para sua própria língua (com novos símbolos e fonéticas, que não existiam no alfabeto original) e montaram seu próprio alfabeto, com 24 letras. A principal diferença gerada pelos gregos (que foi se alterando com o tempo) foi a direção da escrita, que passou do original direta-esquerda para o que conhecemos hoje, da esquerda para a direita. E, bom, este alfabeto grego ainda é utilizado nos dias de hoje.

Outra grande diferença do alfabeto grego para os existentes até então é que ele possuía também valores numéricos, e por isso até hoje na ciência e na matemática utilizamos os símbolos gregos em certas fórmulas e medidas. 

Chegamos então, finalmente, à criação do alfabeto romano, também conhecido como alfabeto latino, derivado do latim. Ele foi amplamente difundido por conta da expansão do Império Romano e do próprio catolicismo pelo mundo, sendo um pouco modificado e adaptado por cada país por conta de diferenças linguísticas (como por exemplo o uso do ç e do til na língua portuguesa), mas mantendo-se a mesma base. E esse é o alfabeto que utilizamos hoje na nossa língua escrita, não só no Brasil, mas como em praticamente todo o Ocidente.

No oriente, a coisa é um pouco diferente. Países como a China, Japão, Coreia, Rússia e países Árabes possuem seus próprios alfabetos, com origens e histórias diferentes, mas isso é história para outro texto. 

Povos da Idade Antiga

Compondo a Idade Antiga temos vários povos que contribuíram economicamente e culturalmente para o avanço da história e crescimento das civilizações. Vamos focar aqui nos povos mais citados desse período e suas respectivas contribuições:

Mesopotâmia

A Mesopotâmia ocupava uma região no Oriente Médio, que nos dias de hoje corresponde principalmente ao Iraque. O nome “Mesopotâmia” deriva do grego, que significa “entre rios”. Portanto, a Mesopotâmia era localizada na região entre os rios Tigre e Eufrates, a chamada Crescente Fértil.

Por tratar-se de uma região com abundância de água e terras férteis, bem como ser uma região por onde muitos povos passavam, diversas civilizações tomaram conta dessa região em momentos diferentes, como os Sumérios, os Assírios, Babilônios, entre outros.

O que fazia a região ser ideal para o crescimento de novas civilizações era o ciclo dos rios, pois nas cheias eles provocavam abundância de água para a sobrevivência dos povos, e nas secas revelavam terras férteis, favorecendo a agricultura. A Mesopotâmia é considerada um dos berços da civilização. Veja alguns povos que habitaram a região:

Sumérios

Estes já foram citados neste texto, responsáveis pela criação da escrita cuneiforme, a primeira linguagem escrita que temos registrada, bem como o que marca o início da História Antiga. Mas, eles foram mais do que isso.

Os Sumérios foram o primeiro povo a habitar a região da Mesopotâmia, fundando as primeiras cidades do local. Cada cidade era independente das outras, o que pode ser chamado de cidade-estado, e eram governadas pelos chamados patesis, um tipo de sacerdote e chefe militar.

Construção de templo em formato de pirâmide chamado zigurate | idade antiga
Exemplo de Zigurate. Cr.: User Hardnfast no Wikimedia Commons

Extremamente voltados aos deuses a que serviam, eles criaram as edificações chamadas de zigurates, um tipo de torre em formato de pirâmide que servia como templo. Atenção! Apesar do formato parecido, não confunda os zigurates com as pirâmides egípcias, ambos possuem funções completamente diferentes.

O zigurate era construído para ser a morada dos deuses, um centro religioso, mais parecido com uma igreja do que com uma pirâmide egípcia, que tinha a função de abrigar os faraós mortos.

Apesar de inventados pelos Sumérios, os zigurates foram amplamente utilizados por diversos outros povos da região, como os Assírios e os Babilônios.

Além disso, os Sumérios desenvolveram técnicas de canalização e irrigação dos rios, para não só aperfeiçoar a atividade agrícola na região como utilizar a água disponível da melhor forma para seu povo.

Babilônios

Após os Sumérios, os próximos povos a se estabelecerem na região foram os Acádios. Porém, o período dos Acádios foi breve e com poucos destaques por isso passamos para os Babilônios (também conhecidos como Amoritas), que retiraram os Acádios do local e se estabeleceram na cidade da Babilônia por volta de 2.000 a.C.

A partir do estabelecimento dos Babilônios foi fundado o Primeiro Império Babilônico, governado pelo imperador Hamurabi. A cidade se tornou um dos maiores centros urbanos da época, com importantes rotas comerciais.

As maiores contribuições do Império Babilônico para a história foram duas: A primeira é a criação do Código de Hamurabi. Sim, você já estudou isso, tenho certeza. Não está familiarizado com o nome, deixe que eu te ajudo. O Código de Hamurabi trata de um compilado de leis extremamente severas, que possuem como trecho mais famoso a chamada Lei de Talião, que diz o seguinte: “olho por olho, dente por dente”. Lembrou? Basicamente, ela indica que o crime ou delito cometido deve ser pago na mesma moeda, ou na mesma proporção do tal. Além disso, muitos dos delitos no Código de Hamurabi também são punidos com a morte.

O Código de Hamurabi é o primeiro compilado de leis que temos nota na história, e é considerado a origem do Direito Civil. Ele contém no total 282 leis listadas. A segunda maior contribuição na verdade são duas, e estão na categoria arquitetônica. São elas os Jardins Suspensos e a Torre de Babel. Importante frisar que as duas construções datam não do Primeiro, e sim do Segundo Império Babilônico, dominado pelo povo Caldeu e liderados principalmente por Nabucodonosor.

Os Jardins Suspensos são um grande mistério. Trata-se de uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, mas pouco se sabe sobre o motivo de sua construção ou destruição, bem como nunca foram encontradas evidências da construção. Teoricamente, sua construção foi ordenada por Nabucodonosor para satisfazer as saudades de sua esposa Amitis por sua terra natal. E ele seria exatamente o que o nome sugere, jardins separados em seis andares com um belo sistema de irrigação. A cara da riqueza.

Construção conhecida como a torre de babel pintada por pieter bruegel | idade antiga
Pintura de Pieter Bruegel do que seria a Torre de Babel

Já a Torre de Babel consta na Bíblia, no livro de Gênesis. Na obra consta que ela teria sido construída pelos descendentes de Noé, tão alta a fim de alcançar os deuses. Tal fato provocou a ira de Deus, que não só a destruiu, como alterou a língua dos homens e os espalhou pela Terra, dando origem a diversos povos com diversas linguagens diferentes. 

Na história em si, estudos comparam o conto da Torre de Babel com a torre do templo de Marduk, a capital da civilização Babilônica, que traduzido para hebreu seria Babel (“porta de Deus”). Há quem diga também que a Torre de Babel se tratava de um zigurate, derivado da cultura Suméria.

Assírios

Entre os dois Impérios Babilônicos, estabeleceu-se na Mesopotâmia o povo chamado de Assírios. Os Assírios não tiveram muitos grandes destaques em sua passagem na região. Era um povo extremamente militarizado e guerreador.

Os Assírios eram conhecidos pela brutalidade com que tratavam seus oponentes e prisioneiros, com mutilações e até empalamento.

A principal contribuição Assíria para a história foi a construção da primeira biblioteca, na cidade de Nínive, comandada pelo rei Assurbanipal, o mais importante deste povo. A biblioteca de Nínive continha milhares de placas de argila, registradas com a escrita cuneiforme. 

Após os Assírios, vieram os Caldeus que fundaram o Segundo Império Babilônico, e foram o último povo mesopotâmico a habitar a região, que foi conquistada pelos Persas em 539 a.C.

Fenícia

O povo fenício se estabeleceu em uma região litorânea onde hoje estão localizados o litoral da Síria e Líbano. A principal característica dos fenícios era o comércio e navegação.

Ao contrário da região da Mesopotâmia, a Fenícia não tinha tantas terras férteis, o que dificultava a realização da agricultura.

Utilizando-se do material que lhes era oferecido na região, as grandes florestas permitiram a eles a construção de barcos, e a localização litorânea favorecia as viagens. Pronto, os fenícios se especializaram no comércio marítimo (além da produção naval).

Isso tudo também facilitou para eles a colonização e construção de diversas outras cidades pelo Mar Mediterrâneo, como Palermo, Málaga e Cartago.

Como já é esperado de um local com forte atividade comercial, os comerciantes atingiram um grande poder político, o que pode ser dominado de talassocracia, que traduz-se por domínio político simbolizado pelo poder das rotas comerciais marítimas. Devido também a esse domínio dos mares, os fenícios também tiveram importantes produções em relação à matemática.

Na arquitetura, destaca-se a construção do primeiro Templo de Jerusalém, que pode ser denominado Templo de Salomão, levando o nome do rei que ordenou a construção. No futuro, o Templo de Jerusalém mostrou-se extremamente importante, principalmente na história do cristianismo.

E por último mas não menos importante – pelo contrário – está a principal contribuição dos fenícios para a história e para o mundo: o já citado alfabeto, simplificando as complicadas formas de escrita existentes até então.

Egito

Você provavelmente já sabe a localização do Egito atual, e a civilização do Egito Antigo não diferia muito dessa localização (nordeste da África), ela se desenvolveu basicamente às margens do Rio Nilo. O Rio Nilo é um dos mais extensos do mundo, e de grande importância para o povo do Egito Antigo, uma vez que sua atividade econômica era baseada no ciclo do mesmo (assim como na Mesopotâmia, os períodos de seca do rio geravam uma área fértil, boa para agricultura).

No início, o Antigo Egito era formado por povos diversos, organizados em clãs chamados nomos. Até que eles se uniram formando dois reinos (Alto Egito e Baixo Egito), que em 3.200 a.C. foram unificados por Menés, formando o Estado Egípcio. Menés então se tornou o primeiro faraó (rei) do Estado. Começou aí a época do auge da sociedade egípcia na história, conhecida como “época dos grandes faraós”.

O povo egípcio, assim como quase todos os outros povos citados aqui eram politeístas, ou seja, acreditavam na existência de vários deuses, a particularidade dos deuses egípcios é que eles misturavam características humanas e animais. Esses são apenas alguns dos deuses cultuados pelos egípcios antigos. Você já deve ter ouvido falar dos deuses egípcios, mas seguem alguns nomes:

DeusDomínio
O deus do sol. Ou Amon-Rá. Era o deus principal;
NutA personificação do céu e dos corpos celestes. Conhecida como a mãe de todos os deuses;
OsírisO deus dos mortos. Deu origem ao Tribunal de Osíris, no qual ao morrer a pessoa teria seu coração pesado em uma balança e no qual ao morrer a pessoa teria seu coração pesado em uma balança para conseguir aprovação para entrar no Duat, o mundo dos mortos. Caso não fosse aprovado no Tribunal, o morto teria sua cabeça devorada;
TuérisDeusa hipopótamo protetora das mães, parto e protetora das crianças;
ÍsisDeusa da fertilidade, amor e magia. Ísis era esposa e irmã de Osíris;
HórusDeus dos céus. Filho de Osíris e Ísis, representava o poder, a realeza e a luz;
SetO deus do caos. Representava a guerra e a violência e passou a ser enxergado como a encarnação do mal;
SekhmetDeusa da destruição. Ela reflete os aspectos destrutivos do sol assim como o protege;
NéftisA deusa do pôr do sol. Era esposa de Set, porém os dois não conseguiam ter filhos então ela passou uma noite com Osíris, o que deu origem a Anúbis e gerou a descoberta de que Set era estéril;
AnúbisO guia dos mortos. Responsável por guiar as almas até o mundo dos mortos, assim como possui a função de embalsamador.
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Taweret, ou Tuéris, apareceu na série Cavaleiro da Lua da Marvel Comics (fonte: Marvel/Disney)

Passando para a sociedade egípcia, ela era organizada de forma muito clara onde cada um tinha um papel específico, mas com pouca ou nenhuma chance de mobilidade. Regida pelo faraó, que estava no topo da pirâmide, pode ser denominada como uma sociedade teocrática, pois o faraó era visto como o intermediário entre os deuses e os humanos, e era venerado como um deus. O faraó era extremamente rico, e o poder passava de pai para filho. Junto com os faraós, no topo da sociedade estavam as suas famílias.

Logo abaixo dos faraós vinham os sacerdotes. Os sacerdotes eram responsáveis pelas tarefas religiosas, como rituais e organização dos templos, por isso estavam tão acima na sociedade egípcia. Junto com eles podem ser colocados os nobres.

Depois vinham os escribas. Com alta formação escolar, os escribas sabiam ler e escrever (dominavam os hieróglifos, extremamente difíceis) e eram responsáveis pela documentação de fatos importantes e da vida do faraó, bem como auxílio das atividades comerciais e administrativas.

Mais abaixo se encontrava o resto da população comum, formada por soldados, comerciantes, artesãos, camponeses, entre outros. Tinham uma posição pouco privilegiada, e uma vida mais simples. Entre eles, destacavam-se os soldados e comerciantes, um pouco melhores de vida e mais bem vistos. Na base da pirâmide da sociedade egípcia estão exatamente os escravos, capturados em guerras. Estes trabalhavam sem receber pagamento, apenas o necessário para sua sobrevivência.

Uma característica muito interessante da sociedade egípcia está na posição das mulheres. Diferentemente das outras civilizações da época, elas possuíam basicamente os mesmos direitos dos homens, e liberdade para fazer o que queriam, podendo trabalhar e ser remuneradas, bem como atingir posições de destaque, e até se tornarem faraós, como foi o caso de Cleópatra.

Sobre as contribuições da sociedade egípcia antiga para a história, uma das principais foi a escrita em hieróglifos, que já foi comentada neste texto, bem como a utilização (e plantação) de papiro para seus registros. Um outro fato interessante que devemos aos egípcios antigos seria a divisão do calendário em 365 dias, e a separação de cada dia em 24 horas, o que é usado até os dias de hoje.

Mas o que provavelmente mais chama a atenção é a arte egípcia. Obviamente, tudo era muito voltado para a religião, portanto temos pinturas dos faraós e a construção de grandes templos. Mas as pinturas também podiam representar cenas do cotidiano, hoje em dia é possível reconstruir o dia-a-dia dos egípcios a partir de suas pinturas.

E o grande destaque são, claro, as pirâmides. Todo mundo conhece as pirâmides egípcias, mas você sabe qual era realmente o seu propósito?

Os egípcios tinham uma crença forte na vida pós a morte, portanto era tomado um extremo cuidado com os mortos. Ao morrer, a pessoa passava pelo processo de mumificação.

Não é muito agradável, mas vamos lá: o cadáver tinha todos os seus órgãos retirados do corpo (até o cérebro), e então este corpo era repousado em uma mistura de água e sal por um período de tempo. Depois, para evitar a deterioração ele era preenchido com ervas e outras substâncias e só então era enfaixado completamente.

Maior pirâmide egípcia, quéops | idade antiga
A grande pirâmide de Quéops

Após terminada a mumificação, o corpo enfaixado era colocado em um sarcófago, uma espécie de caixão, e só então depositado no túmulo. A partir do túmulo, era possível afirmar a qual classe social a pessoa pertencia, sendo diferentes túmulos para diferentes classes.

E é aí que entram as pirâmides. Elas eram os maiores e melhores túmulos reservados para faraós. Lá, eles eram “enterrados” junto com suas riquezas e até alimentos para o seu pós-vida. Familiares próximos e sacerdotes podiam ser “enterrados” junto com seu respectivo faraó.

Mas por que uma pirâmide? Bem, acreditava-se que ela facilitaria a ascensão do governante aos céus.

As pirâmides mais conhecidas (e maiores) são as pirâmides de Gizé, sendo até uma das sete maravilhas do mundo antigo (a única das sete que resistiu ao tempo e ainda existe praticamente intacta). São elas: Quéops, Quéfren e Miquerinos. Como regra, as pirâmides recebem o nome do faraó que está guardado nelas. 

Hebreus

De acordo com os relatos bíblicos, os hebreus estão diretamente ligados a Abraão, que, através de uma profecia, os fez migrarem da região da Mesopotâmia para Canaã, a terra prometida. A história dos hebreus está muito ligada à Bíblia.

Primeiro, um fato curioso sobre os hebreus é o fato de, ao contrário da grande maioria dos povos estudados nesta época, serem monoteístas. Ou seja, eles acreditavam e cultuavam um só Deus. Outra coisa, através dos hebreus que surgiu o judaísmo.

Apesar da história contada na Bíblia, não se pode saber se as coisas aconteceram realmente desta maneira, o que se sabe efetivamente sobre os hebreus é que se tratava de um povo seminômade que se estabeleceu de alguma forma em Canaã, na região que hoje é localizada a Palestina.

A história dos hebreus é um pouco confusa e cheia de movimentações (por serem um povo seminômade), e pode ser dividida em três fases: 

O período dos patriarcas, quando a sociedade era governada, exatamente, pelos patriarcas, sendo Abraão o primeiro deles. O patriarca era um chefe de família, que acabava por governar todo o povo. Isaac e Jacó são outros exemplos de patriarcas, isto ainda segundo os relatos da Bíblia. Neste período, ocorreram várias dificuldades, como disputas locais com povos que já viviam na região de Canaã, após a migração. Depois de um tempo, eles efetivamente conseguiram seu espaço, porém foram assolados por dificuldades na agricultura, como a seca. 

Sem alimentos, os hebreus resolveram migrar novamente, desta vez para o Egito. Essa migração coincidiu com a época que um povo denominado hicsos havia dominado a região, o que garantiu proteção e condições favoráveis ao estabelecimento dos hebreus.

Após a expulsão dos hicsos, os hebreus foram vistos como auxiliares dos invasores então se tornaram escravos. A libertação dos hebreus veio a partir de Moisés, com o chamado Êxodo (exato, quando Moisés dividiu o Mar Vermelho para o seu povo escapar). Fato é que os hebreus conseguiram escapar da escravidão, e foram para a Península do Sinai, onde viveram por um tempo até retornarem a Canaã.

Lá, eles encontraram, novamente, outros povos estabelecidos na região, como os cananeus e filisteus. De acordo com historiadores, lentamente eles foram reconquistando o seu espaço. E foi aí que se originou o segundo período, o período dos juízes, no qual os juízes, chefes militares, seriam os governantes do povo hebreu.

Ufa, eles finalmente conseguiram se restabelecer em Israel. O juíz denominado Samuel, então, decidiu coroar Saul como rei, dando início à terceira fase, o período dos reis. E qual seria o principal motivo para o início da monarquia? Proteção. Novos povos representavam ameaças para o povo hebreu, portanto um rei poderia garantir melhor proteção da sociedade. Os três principais reis dos hebreus foram Saul, Davi e Salomão.

No reinado de Davi, ocorreu a conquista da cidade que se tornou capital dos hebreus, e que hoje é conhecida como Jerusalém. No reinado de Salomão, período de grande prosperidade, ocorreu a construção do segundo Templo de Jerusalém.

Depois da calmaria, a tempestade. Após o reinado de Salomão, o reino de Israel enfraqueceu e foi conquistado por diversos povos como Assírios, Caldeus, Persas, Macedônios e Romanos. Com o domínio dos caldeus, veio a destruição do Templo e a escravização, novamente, do povo, desta vez na Babilônia.

Mas eles se libertaram mais uma vez, e reconstruíram o Templo. Para ele ser mais uma vez destruído, desta vez pelos romanos. No domínio dos romanos houveram diversas rebeliões, que foram denominadas como Guerras Romano-Judaicas. Elas culminaram não só na destruição do Templo, mas de toda a Jerusalém, o que forçou os hebreu a fugirem das terras, o que ficou conhecido como Diáspora.

E essa Diáspora durou mais de dezoito séculos. O povo hebreu só foi capaz de reaver seu território com a criação de Israel em 1948.

Pérsia

A Pérsia se localizava onde hoje conhecemos como Irã (que, inclusive, mudou de nome apenas em 1935). O Império Persa em si teve início com a unificação do povo persa com os medos, realizada pelo rei Ciro, o Grande. O Império Persa se expandiu de grande forma, conquistando reinos como a Babilônia (foi o rei persa que ordenou a libertação dos hebreus em 539 a.C.), Lídia, Fenícia, Síria, Palestina e regiões da Ásia Menor.

Moeda persa conhecida como dárico | idade antiga
O Dárico. Cr.: Wikimedia Commons

A principal característica da dominação persa se deve ao respeito às culturas dos povos dominados, sem imposições de costume, língua ou crenças, mantendo o aspecto original.

Dario I foi o principal imperador persa, e um dos principais governantes de toda a antiguidade. Em seu governo, inseriu-se a organização administrativa em satrapias, um tipo de província, e cada uma tinha seu governante, o sátrapa.

E, para fiscalizar as atividades nas satrapias haviam os conhecidos “olhos e ouvidos do rei”, que observavam tudo que acontecia nas províncias e relatavam. Foi até criada a sua própria moeda, o dárico.

Foi também no reinado de Dario I que foi construída a Estrada Real, via que interligava todas as províncias e a partir da qual se tornou mais fácil a movimentação entre os locais, favorecendo o comércio, as comunicações e o recebimento de impostos.

Sobre a religião, também tratava-se de algo único: o Zoroastrismo. Ela possui esse nome devido ao profeta que a fundou, Zoroastro. O Zoroastrismo se baseia na dualidade do bem (Ahura Mazda) e do mal (Aritmã), que vivem em luta um contra o outro. Luta que irá culminar, um dia, no fim dos tempos.

Bom, o Império Persa conquistou diversos territórios, já falamos disso, porém, existem dois deles sobre os quais os persas não conseguiram triunfar: os gregos, contra os quais travaram guerras como as Guerras Médicas (o nome deriva de medos, como os persas eram conhecidos pelos gregos), uma série de conflitos que culminaram, obviamente, em vitória grega, e os Macedônios, batalha a qual culminou no fim de toda a sua homogeneidade pela região, ou seja, o fim do grande Império Persa.

Estes foram alguns dos principais povos que contribuíram para a construção da história na Antiguidade. Você pode continuar a sua leitura nos próximos textos sobre Antiguidade, onde falaremos sobre as grandes nações Grécia e Roma.

FAQ Rápido sobre a Idade Antiga

Qual é o Período abrange a Antiguidade?

A Antiguidade compreende o período da história que vai desde o surgimento da escrita na Suméria por volta de 3.500 a. C. até a queda do Império Romano do Ocidente em 476 d.C.

Qual o fato mais importante da História Antiga?

O surgimento da Escrita. A escrita cuneiforme foi amplamente utilizada principalmente na própria região da Mesopotâmia durante cerca de 3 mil anos, apesar de muito complicada.

Quantos símbolos haviam na Escrita Cuneiforme?

Mais de 2 mil símbolos eram utilizados para a comunicação, e estavam amplamente ligados à própria cultura dos povos da região. Muitos documentos foram registrados neste formato.

Quando terminou a Idade Antiga?

O fim da Idade Antiga aconteceu em 476 EC. Estudiosos ocidentais geralmente datam o fim da história antiga com a queda do Império Romano do Ocidente em 476 EC, a morte do imperador Justiniano I em 565 EC ou a chegada do Islã em 632 EC como o fim da antiguidade clássica.

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