Marxismo: Entenda o que é esse Termo tão Discutido e Polêmico

Marxismo. Em meio a polarização política atual o termo “marxismo cultural” assim como “socialismo” e “comunismo” surgem de ambos os lados como algo que poderia “salvar ou destruir a sociedade” como conhecemos. É fato que muitos que falam sobre isso simplesmente desconhecem do que se trata a teoria ou compreendem seu real significado, além de demonizar o filósofo alemão Karl Marx. Mas, você sabe exatamente do que se trata o Marxismo? Conhece o contexto cultural e social no qual a teoria foi desenvolvida? Vamos falar sobre isso nessa matéria!

Uma informação importante: Independente de sua validade e aplicabilidade no contexto atual da sociedade, é sempre bom entender do que se trata antes de discutir o assunto. Aqui, pretendemos explicar o contexto histórico e o que é a teoria e não se é algo “bom ou ruim” para a sociedade. Não defendemos ou atacamos as ideias, assim como você, que está estudando deve se atentar na hora da prova a responder sobre o assunto e não colocar como resposta as suas próprias convicções ideológicas.

Fica o conselho: Na hora da prova escreva objetivamente do que se trata o assunto e deixe as opiniões para a redação, caso o tema seja pertinente. E também deixe suas opiniões e suas dúvidas aí nos comentários.

O que é o marxismo?

O marxismo é uma filosofia social, política e econômica em homenagem a Karl Marx e foi formulado publicamente pela primeira vez em 1848 no panfleto “O Manifesto Comunista de Karl Marx e Friedrich Engels”. Ela examina o efeito do capitalismo no trabalho, produtividade e desenvolvimento econômico e defende uma revolução operária para derrubar o capitalismo em favor do comunismo.

A teoria marxista concentra-se nas críticas ao capitalismo, sobre as quais Karl Marx escreveu em seu livro “O Capital”, publicado em 1867 e postula que a luta entre as classes sociais – especificamente entre a burguesia, ou capitalistas, e o proletariado, ou trabalhadores – define as relações econômicas em uma economia capitalista e levará inevitavelmente ao comunismo revolucionário.

Análise da economia e a Mais-Valia

Marx analisou o sistema de economia de mercado (de sua época) em “O Capital”. Nesta obra, ele toma emprestadas a maioria das categorias dos economistas clássicos como o filósofo Adam Smith e o britânico David Ricardo, mas as adapta e introduz novos conceitos, como o de mais-valia.

A mais-valia é produzida pelo emprego da força de trabalho. O capital compra a força de trabalho e paga os salários por ela. Por meio de seu trabalho, o trabalhador cria um novo valor que não pertence a ele, mas ao capitalista. Ele deve trabalhar um certo tempo apenas para reproduzir o valor equivalente de seu salário. Mas quando este valor equivalente é devolvido, ele não cessa o trabalho, mas continua a fazê-lo por mais algumas horas. O novo valor que ele produz durante esse tempo extra, e que, consequentemente, excede o valor de seu salário, constitui mais-valia.

Uma das marcas distintivas de “O Capital” é que nele Marx estuda a economia como um todo e não em um ou outro de seus aspectos. Sua análise baseia-se na ideia de que os seres humanos são seres produtivos e que todo valor econômico vem do trabalho humano. O sistema que ele analisa é principalmente o da Inglaterra de meados do século XIX e, por isso, valido somente neste contexto.

É um sistema de iniciativa privada e competição que surgiu no século XVI a partir do desenvolvimento de rotas marítimas, comércio internacional e colonialismo. Sua ascensão foi facilitada por mudanças nas forças de produção (a divisão do trabalho e a concentração de oficinas), a adoção da mecanização e o progresso técnico visto durante o período da Revolução Industrial. A riqueza das sociedades que colocaram em jogo essa economia foi adquirida por meio de uma “enorme acumulação de mercadorias.” Marx, portanto, começa com o estudo dessa acumulação, analisando as trocas desiguais que ocorrem no mercado.

Segundo Marx, se o capitalista adianta fundos para comprar fios de algodão com os quais produzir tecidos e vende o produto por uma quantia maior do que pagou, ele pode investir a diferença em produção adicional. “Não só o adiantamento de valor se mantém em circulação, mas muda em sua magnitude, acrescenta um ‘a mais’ para si mesmo, faz-se valer mais, e é esse movimento que o transforma em capitais.

A transformação, para Marx, só é possível porque o capitalista se apropriou dos meios de produção, incluindo a força de trabalho do trabalhador. Agora a força de trabalho produz mais do que vale. O valor da força de trabalho é determinado pela quantidade de trabalho necessária para sua reprodução ou, em outras palavras, pela quantidade necessária para o trabalhador subsistir e gerar filhos.

Mas nas mãos do capitalista a força de trabalho empregada ao longo de um dia produz mais do que o valor do sustento exigido pelo trabalhador e sua família. A diferença entre os dois valores é apropriada pelo capitalista e corresponde exatamente à mais-valia realizada pelos capitalistas no mercado. Marx não está preocupado se na sociedade capitalista existem outras fontes de mais-valia além da exploração do trabalho humano – um fato apontado pelo economista Joseph Schumpeter em “Capitalismo, Socialismo e Democracia” (1942).

Joseph schumpeter
Joseph Schumpeter

Ao longo de sua análise, Marx argumenta que o desenvolvimento do capitalismo é acompanhado por crescentes contradições. Por exemplo, a introdução de máquinas é lucrativa para o capitalista individual porque lhe permite produzir mais bens a um custo menor, mas novas técnicas são logo adotadas por seus concorrentes. O gasto com maquinário cresce mais rápido do que o gasto com salários.

Como somente o trabalho pode produzir a mais-valia da qual deriva o lucro, isso significa que a taxa de lucro do capitalista sobre seu gasto total tende a diminuir. Junto com a taxa decrescente de lucro vem um aumento no desemprego. Assim, o equilíbrio do sistema é precário, sujeito às pressões internas decorrentes de seu próprio desenvolvimento. As crises o sacodem a intervalos regulares, prelúdios da crise geral que o varrerá.

Esta instabilidade é aumentada pela formação de um exército de reserva de trabalhadores, tanto operários fabris como camponeses, cuja pauperização contínua aumentando. “A produção capitalista desenvolve a técnica e a combinação do processo de produção social apenas esgotando ao mesmo tempo as duas fontes de onde brota toda a riqueza: a terra e o trabalhador.” De acordo com a dialética marxista, essas contradições fundamentais só podem ser resolvidas por uma mudança do capitalismo para um novo sistema.

Conflito de classes e o fim do capitalismo

A teoria de classe de Marx retrata o capitalismo como um passo na progressão histórica dos sistemas econômicos que se sucedem em uma sequência natural. Eles são movidos, segundo ele, por vastas forças impessoais da história que se manifestam através do comportamento e conflito entre as classes sociais. Segundo Marx, toda sociedade é dividida em classes sociais, cujos membros têm mais em comum entre si do que com membros de outras classes sociais.

Os elementos das teorias de Marx sobre como o conflito de classes se desenrolaria em um sistema capitalista é composta por duas classes:

  • A burguesia, ou empresários, que controlam os meios de produção;
  • O proletariado, ou trabalhadores, cujo trabalho transforma mercadorias brutas em bens econômicos valiosos.

Trabalhadores comuns, que não possuem os meios de produção, como fábricas, prédios e materiais, têm pouco poder no sistema econômico capitalista. Os trabalhadores também são facilmente substituíveis em períodos de alto desemprego, desvalorizando ainda mais seu valor percebido. Para maximizar os lucros, os empresários têm um incentivo para extrair o máximo de trabalho de seus trabalhadores, pagando-lhes os salários mais baixos possíveis. Isso cria um desequilíbrio injusto entre proprietários e trabalhadores, cujo trabalho os proprietários exploram o trabalhador para seu próprio ganho.

Como os trabalhadores têm pouco interesse pessoal no processo de produção, Marx acreditava que se tornariam alienados dele, bem como de sua própria humanidade, e ficariam ressentidos com os empresários. A burguesia também emprega instituições sociais, incluindo governo, mídia, academia, religião organizada e sistemas bancários e financeiros, como ferramentas e armas contra o proletariado com o objetivo de manter sua posição de poder e privilégio.

Em última análise, as desigualdades inerentes e as relações econômicas de exploração entre essas duas classes levarão a uma revolução na qual a classe trabalhadora se rebelará contra a burguesia, assumirá o controle dos meios de produção e abolirá o capitalismo. Assim, Marx pensava que o sistema capitalista continha inerentemente as sementes de sua própria destruição.

A alienação e exploração do proletariado, que são fundamentais para as relações capitalistas, inevitavelmente levariam a classe trabalhadora a se rebelar contra a burguesia e assumir o controle dos meios de produção. Essa revolução seria liderada por líderes esclarecidos, conhecidos como “a vanguarda do proletariado”, que entendessem a estrutura de classes da sociedade e que uniriam a classe trabalhadora pela conscientização e consciência de classe.

Como resultado da revolução, Marx previu que a propriedade privada dos meios de produção seria substituída pela propriedade coletiva, primeiro sob o socialismo e depois sob o comunismo. Na fase final do desenvolvimento humano, as classes sociais e a luta de classes não mais existiriam.

Comunismo vs. Socialismo vs. Capitalismo

As ideias de Marx e Engels lançaram as bases para a teoria e a prática do comunismo, que defende um sistema sem classes em que toda propriedade e riqueza são de propriedade comunal (e não privada). Embora a antiga União Soviética, China e Cuba (entre outras nações) tenham tido governos nominalmente comunistas, nunca houve um estado puramente comunista que tenha eliminado completamente a propriedade pessoal, o dinheiro e os sistemas de classes.

O socialismo antecede o comunismo em várias décadas. Seus primeiros adeptos clamavam por uma distribuição mais igualitária da riqueza, solidariedade entre os trabalhadores, melhores condições de trabalho e propriedade comum de terras e equipamentos de fabricação. O socialismo é baseado na ideia de propriedade pública dos meios de produção, mas os indivíduos ainda podem possuir propriedade. Em vez de surgir de uma revolução de classe, a reforma socialista ocorre dentro das estruturas sociais e políticas existentes, sejam elas democráticas, tecnocráticas, oligárquicas ou totalitárias.

Tanto o comunismo quanto o socialismo se opõem ao capitalismo, um sistema econômico caracterizado pela propriedade privada e um sistema de leis que protegem o direito de possuir ou transferir a propriedade privada. Em uma economia capitalista, indivíduos e empresas privadas possuem os meios de produção e o direito de lucrar com eles. As teorias comunistas e socialistas visam corrigir os erros do sistema de livre mercado do capitalismo. Estes incluem a exploração dos trabalhadores e as desigualdades entre ricos e pobres.

As contradições da teoria da luta de classes

Marx herdou as ideias de classe e luta de classes do socialismo utópico e das teorias de Henri de Saint-Simon. Estes haviam recebido substância pelos escritos de historiadores franceses como Adolphe Thiers e François Guizot sobre a Revolução Francesa de 1789. Mas, ao contrário dos historiadores franceses, Marx fez da luta de classes o fato central da evolução social. “A história de toda a sociedade humana existente até agora é a história das lutas de classes.”

Na visão de Marx, a natureza dialética da história se expressa na luta de classes. Com o desenvolvimento do capitalismo, a luta de classes toma uma forma aguda. Duas classes básicas, em torno das quais se agrupam outras menos importantes, se opõem no sistema capitalista: os donos dos meios de produção, ou burguesia e os trabalhadores, ou proletariado.

A burguesia produz seus próprios coveiros. A queda da burguesia e a vitória do proletariado são igualmente inevitáveis” (O Manifesto Comunista) porque as relações burguesas de produção são a última forma contraditória do processo de produção social, contraditória não no sentido de uma contradição individual, mas de uma contradição que nasce das condições de existência social dos indivíduos; no entanto, as forças de produção que se desenvolvem no seio da sociedade burguesa criam ao mesmo tempo as condições materiais para resolver esta contradição. Com este desenvolvimento social termina a pré-história da sociedade humana.

Segundo ele, quando as pessoas se conscientizarem de sua perda, de sua alienação, como uma situação não humana universal, será possível proceder a uma transformação radical de sua situação por uma revolução. Esta revolução será o prelúdio do estabelecimento do comunismo e do reino da liberdade reconquistado. “No lugar da velha sociedade burguesa com suas classes e seus antagonismos de classe, haverá uma associação na qual o livre desenvolvimento de cada um é a condição para o livre desenvolvimento de todos.”

Mas para Marx há duas visões de revolução. Uma é a de uma conflagração final, “uma supressão violenta das velhas condições de produção”, que ocorre quando a oposição entre burguesia e proletariado chega ao extremo. Essa concepção é apresentada de maneira inspirada na dialética hegeliana do senhor e do escravo, em Die heilige Familie (A Sagrada Família – 1845). A outra concepção é a de uma revolução permanente envolvendo uma coalizão provisória entre o proletariado e a pequena burguesia que se rebela contra um capitalismo que é apenas superficialmente unido.

Uma vez conquistada a maioria para a coalizão, uma autoridade proletária não oficial se constitui ao lado da autoridade burguesa revolucionária. Sua missão é a educação política e revolucionária do proletariado, assegurando gradualmente a transferência do poder legal da burguesia revolucionária para o proletariado revolucionário.

Se lermos com atenção o Manifesto Comunista, descobriremos inconsistências que indicam que Marx não havia conciliado os conceitos de revolução catastrófica e de revolução permanente. Além disso, Marx nunca analisou as classes como grupos específicos de pessoas que se opunham a outros grupos de pessoas. Dependendo dos escritos e dos períodos, o número de aulas varia; e infelizmente a pena caiu da mão de Marx no momento em que, em “O Capital” (vol. 3), ele estava prestes a abordar a questão. Lendo o livro, fica-se, além disso, com uma ambígua impressão em relação à destruição do capitalismo: será o resultado da “crise geral” que Marx espera, ou da ação do proletariado consciente, ou de ambos ao mesmo tempo?

Crítica ao marxismo

Embora Marx tenha inspirado multidões de seguidores, muitas de suas previsões não se concretizaram. Marx acreditava que o aumento da concorrência não produziria bens melhores para os consumidores; em vez disso, levaria à bancarrota dos capitalistas e à ascensão dos monopólios, à medida que cada vez menos restava para controlar a produção. Ex-capitalistas falidos se juntariam ao proletariado, eventualmente criando um exército de desempregados. Além disso, a economia de mercado, que por sua natureza não é planejada, enfrentaria enormes problemas de oferta e demanda e causaria graves depressões.

No entanto, ao longo dos anos, o capitalismo não entrou em colapso como resultado de uma competição feroz. Embora os mercados tenham mudado ao longo do tempo, eles não levaram a uma preponderância de monopólios. Os salários aumentaram e os lucros não diminuíram, embora a desigualdade econômica tenha aumentado em muitas sociedades capitalistas. E embora tenha havido recessões e depressões, elas não são consideradas características inerentes ao livre mercado. De fato, uma sociedade sem competição, dinheiro e propriedade privada nunca se materializou, e a história do século 20 sugere que é provavelmente um conceito impraticável.

A questão é que o capitalismo muda e evolui. Passou por muitas transformações. O capitalismo que Marx pensou que entraria em colapso sob suas próprias contradições não é o capitalismo de hoje – aquele ao qual o seu livro e sua teoria se refere. No mundo animal, os organismos evoluem. Eles respondem às crises e mudam. Algo semelhante acontece com nossas práticas sociais. Eles evoluem e se adaptam a novas circunstâncias.

O capitalismo enfrentou muitas crises e, a cada vez, evoluiu e mudou. Cada vez, uma nova forma de capitalismo surgiu para resolver os problemas que seu antecessor enfrentou. É assim que os seres humanos progridem. Resolvemos nossos problemas adaptando nossas práticas. O capitalismo certamente enfrentou uma crise em 2008, mas ainda está conosco, ainda não desmoronou.

Ele está evoluindo e respondendo às mudanças que são necessárias e, como antes, quando a poeira da crise baixar, será uma nova versão do capitalismo que vai gerar mais riqueza e expandir as oportunidades abertas à humanidade. A atual Revolução Industrial, ou Indústria 4.0, com suas novas formas de comunicação, troca de informações e até mesmo a produção de conteúdo e serviços dentro do Metaverso era algo que certamente Marx não tinha como prever.

Essa nova versão do capitalismo que surgir terá que ser uma que, de alguma forma, consiga manter à distância os políticos que desejam influenciar seus resultados para obter vantagens políticas. Banqueiros gananciosos só podem assumir riscos imprudentes se os políticos tornarem barato para eles fazer isso, abrindo as torneiras de crédito e dinheiro.

Os políticos gostam de booms e bolhas porque os ajudam a ganhar eleições e cargos, portanto, devem ser encontrados procedimentos que limitem sua capacidade de fazer isso. Aqueles cuja ganância é pelo poder não são menos mortais do que aqueles cuja ganância é pelo ganho, e ambos precisam de regras para circunscrever seu escopo de ação.

FAQ Rápido

O que é o marxismo em termos simples?

É uma teoria política e econômica onde uma sociedade não tem classes. Cada pessoa dentro da sociedade trabalha para um bem comum, e a luta de classes teoricamente terminou.

Que tipo de filosofia é o marxismo?

O marxismo é uma filosofia desenvolvida por Karl Marx na segunda metade do século XIX que unifica a teoria social, política e econômica. Preocupa-se principalmente com a batalha entre a classe trabalhadora e a classe proprietária e favorece o comunismo e o socialismo sobre o capitalismo.

O que Marx previu para o futuro?

Marx pensava que o sistema capitalista inevitavelmente se destruiria. Os trabalhadores oprimidos se tornariam alienados e, em última análise, derrubariam os proprietários para assumir o controle dos meios de produção, inaugurando uma sociedade sem classes.

Marx estava certo?

Alguns países, como a antiga União Soviética, China e Cuba, tentaram criar uma sociedade comunista, mas foram ou foram incapazes de eliminar completamente a propriedade pessoal, o dinheiro e os sistemas de classes. Em 2021, o capitalismo, em suas várias formas, continua sendo o sistema econômico dominante.

Agora, fale conosco se você ficou com alguma dúvida sobre o Marxismo? Concorda com a teoria de Marx ou discorda dela? Deixe um comentário e aproveite para estudar mais sobre a História Geral, como essa matéria sobre a Segunda Guerra Mundial, no nosso site.

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