Mesopotâmia: o Berço da Civilização

A Mesopotâmia foi uma das principais regiões da História Antiga, ocupando um lugar de extrema importância na história da humanidade por ser considerada o berço da civilização, abrigando as primeiras cidades que se tem registro no mundo.

Sobre a Mesopotâmia

A Mesopotâmia ocupava uma região no Oriente Médio, que nos dias de hoje corresponde principalmente ao Iraque. O nome “Mesopotâmia” tem origem no grego, que significa “terra entre rios”. Portanto, a Mesopotâmia era localizada na região entre os rios Tigre e Eufrates, na chamada Crescente Fértil.

Mapa da região da mesopotâmia no oriente médio
Mapa da região da Mesopotâmia. Cr.: usuários Jcwf e Renato de carvalho ferreira na Wikimedia Commons

Este nome foi dado por tratar-se de uma região com abundância de água e terras férteis, favorecendo a agricultura, e também por ter um formato de lua crescente. A região da Mesopotâmia não era a única a ocupar a Crescente Fértil, que também abrigava os egípcios, fenícios, persas, entre outros.

Pelo fato de possuir muitas terras férteis, bem como ser uma região por onde muitos povos passavam, diversas civilizações tomaram conta dessa região em momentos diferentes.

O que fazia a região ser ideal para o crescimento de novas civilizações era o ciclo dos rios, pois nas cheias eles provocavam abundância de água para a sobrevivência dos povos, e nas secas revelavam terras férteis, favorecendo a agricultura. Os principais povos que habitaram a região foram os Sumérios, Acádios, Amoritas, Assírios e Caldeus. Veja um pouco mais sobre esses povos:

Principais Povos:

Sumérios

Os Sumérios foram o primeiro povo a habitar a região da Mesopotâmia, fundando as primeiras cidades do local. Cada cidade era independente das outras em relação a autonomia e administração, o que pode ser chamado de cidade-estado, e eram governadas pelos chamados patesis, um tipo de sacerdote e chefe militar.

Extremamente voltados aos deuses a que serviam, eles criaram as edificações chamadas de zigurates, um tipo de torre em formato de pirâmide que servia como templo. Atenção! Apesar do formato parecido, não confunda os zigurates com as pirâmides egípcias, ambos possuem funções completamente diferentes. O zigurate era construído para ser a morada dos deuses, um centro religioso, mais parecido com uma igreja do que com uma pirâmide egípcia, que tinha a função de abrigar os faraós mortos.

Construção de templo em formato de pirâmide chamado zigurate
Exemplo de Zigurate. Cr.: User Hardnfast no Wikimedia Commons

Apesar de inventados pelos Sumérios, os zigurates foram amplamente utilizados por diversos outros povos da região, como os Assírios e os Babilônios.

Além disso, os Sumérios desenvolveram técnicas de canalização e irrigação dos rios, para não só aperfeiçoar a atividade agrícola na região como utilizar a água disponível da melhor forma para seu povo.

Mas a contribuição mais marcante dos Sumérios para a história foi a criação da escrita, marco que deu início ao período da história chamado de História Antiga por volta de 3.500 a.C. Confira uma breve história sobre a criação da escrita:

Surgimento da Escrita

Pedra de argila contendo escrita cuneiforme
Exemplo da escrita cuneiforme

Antes do surgimento da primeira forma de escrita no mundo, as pessoas se utilizavam da oralidade e do uso de desenhos para se comunicarem entre si. Um grande exemplo disso são as famosas pinturas rupestres, desenhos feitos nas paredes das cavernas que datam de muitos, muitos anos atrás. 

Eis que, na Mesopotâmia, por volta de 3.500 a.C., surge a primeira forma de comunicação efetivamente escrita: a escrita cuneiforme. Os responsáveis foram os povos Sumérios, que se utilizavam de argila e materiais em forma de cunha (daí o nome) para a produção de suas “letras”.

A escrita cuneiforme foi amplamente utilizada principalmente na própria região da Mesopotâmia durante cerca de 3 mil anos, apesar de muito complicada. Mais de 2 mil símbolos eram utilizados para a comunicação, e estavam amplamente ligados à própria cultura dos povos da região. Muitos documentos foram registrados neste formato.

Pouco tempo depois, surgiu no Egito a chamada escrita hieroglífica. Você já deve ter ouvido alguém utilizar a palavra “hieróglifos” para designar uma escrita difícil de ser lida, trata-se de um uso comum da palavra nos dias de hoje, que já dá mais ou menos a ideia do que era esse sistema de escrita egípcio.

Por ser extremamente complexa, a escrita hieroglífica era dominada apenas pelos mais poderosos, e era utilizada geralmente em documentos sagrados. Não se sabe, porém, exatamente quando ela começou a ser efetivamente utilizada.

Mas nem só de poderosos vive o Egito, portanto, foi desenvolvida ainda uma outra forma de escrita mais simples e popular, a demótica, utilizada em documentos jurídicos.

Uma curiosidade é que os egípcios utilizavam, para transmitir sua escrita, os chamados papiros, um tipo de papel primitivo, derivados de uma planta com o mesmo nome. Era a primeira vez que não se utilizavam de tipos de pedras ou argila para a confecção da escrita. 

Vários anos depois, ainda datando a.C., os fenícios inventaram o que seria a base dos principais alfabetos existentes e utilizados até os dias de hoje. A diferença é que, ao invés de basear-se em figuras e desenhos, as letras eram baseadas na própria fonética, tornando tudo mais simples e de fácil compreensão e uso.

Comparando-se aos 2 mil símbolos da escrita cuneiforme, o alfabeto fenício utilizava-se apenas de 22 signos (ou letras) – BEM mais simples, como já dito – e, por conta das características comerciais deste povo, o alfabeto foi rapidamente espalhado por diversas outras regiões.

A partir do alfabeto fenício (e, bom, depois do alfabeto fenício praticamente todo novo esquema de escrita foi baseado nele), os gregos adaptaram-o para sua própria língua (com novos símbolos e fonéticas, que não existiam no alfabeto original) e montaram seu próprio alfabeto, com 24 letras. A principal diferença gerada pelos gregos (que foi se alterando com o tempo) foi a direção da escrita, que passou do original direta-esquerda para o que conhecemos hoje, da esquerda para a direita. E, bom, este alfabeto grego ainda é utilizado nos dias de hoje.

Outra grande diferença do alfabeto grego para os existentes até então é que ele possuía também valores numéricos, e por isso até hoje na ciência e na matemática utilizamos os símbolos gregos em certas fórmulas e medidas. 

Chegamos então, finalmente, à criação do alfabeto romano, também conhecido como alfabeto latino, derivado do latim. Ele foi amplamente difundido por conta da expansão do Império Romano e do próprio catolicismo pelo mundo, sendo um pouco modificado e adaptado por cada país por conta de diferenças linguísticas (como por exemplo o uso do ç e do til na língua portuguesa), mas mantendo-se a mesma base. E esse é o alfabeto que utilizamos hoje na nossa língua escrita, não só no Brasil, mas como em praticamente todo o Ocidente.

No oriente, a coisa é um pouco diferente. Países como a China, Japão, Coreia, Rússia e países Árabes possuem seus próprios alfabetos, com origens e histórias diferentes, mas isso é história para outro texto. 

Amoritas – Primeiro Império Babilônico

Após os Sumérios, os próximos povos a se estabelecerem na região foram os Acádios. Porém, o período dos Acádios foi breve e com poucos destaques. A principal característica dos Acádios foi a centralização do poder nas mãos de um rei, tendo sido um dos primeiros da humanidade do tipo.

Passamos então para os primeiros Babilônios (também conhecidos como Amoritas), que retiraram os Acádios do local e se estabeleceram na cidade da Babilônia por volta de 2.000 a.C.

A partir do estabelecimento dos Amoritas foi fundado o Primeiro Império Babilônico, governado pelo imperador Hamurabi. A cidade se tornou um dos maiores centros urbanos da época, com importantes rotas comerciais.

As maiores contribuições do Primeiro Império Babilônico para a história foi a criação do Código de Hamurabi. Sim, você já estudou isso, tenho certeza. Não está familiarizado com o nome, deixe que eu te ajudo. O Código de Hamurabi trata de um compilado de leis extremamente severas, que possuem como trecho mais famoso a chamada Lei de Talião, que diz o seguinte: “olho por olho, dente por dente”. Lembrou? Basicamente, ela indica que o crime ou delito cometido deve ser pago na mesma moeda, ou na mesma proporção do tal. Além disso, muitos dos delitos no Código de Hamurabi também são punidos com a morte.

O Código de Hamurabi é o primeiro compilado de leis que temos nota na história, e é considerado a origem do Direito Civil. Ele contém no total 282 leis listadas. O responsável por esse Código foi exatamente o homem que deu nome a ele, Hamurabi.

Além do Código de Hamurabi, o rei foi responsável por expandir as fronteiras do Império, além de um grande desenvolvimento agrícola, a partir da criação de novos canais de irrigação.

Assírios

Após a morte de Hamurabi, o Império Babilônico se enfraqueceu muito, e foi dominado então pelos Assírios. Os Assírios não tiveram muitos grandes destaques em sua passagem na região. Era um povo extremamente militarizado e guerreador.

Os Assírios eram conhecidos pela brutalidade com que tratavam seus oponentes e prisioneiros, com mutilações e até empalamento. Após conquistarem a região da Babilônia, com seu exército profissional, eles continuaram a colecionar conquistas em toda a Mesopotâmia, garantindo controle de quase toda a região.

A principal contribuição Assíria para a história foi a construção da primeira biblioteca, na cidade de Nínive, comandada pelo rei Assurbanipal, o mais importante deste povo. A biblioteca de Nínive continha milhares de placas de argila, registradas com a escrita cuneiforme. 

Após os Assírios, vieram os Caldeus que fundaram o Segundo Império Babilônico.

Caldeus – Segundo Império Babilônico

Os Caldeus foram auxiliados pelos Medos na vitória sobre os Assírios, estabelecendo-se principalmente na cidade da Babilônia, e formando então o Segundo Império Babilônico, ou Império Neobabilônico.

O governante principal do Segundo Império Babilônico foi Nabucodonosor, que expandiu seu império para várias outras partes, derrotando completamente os Assírios. Diz-se que ele foi o responsável pela destruição de Jerusalém e seu templo.

A maior contribuição dos Caldeus na história na verdade são duas, e estão na categoria arquitetônica. São elas os Jardins Suspensos e a Torre de Babel.

Os Jardins Suspensos são um grande mistério. Trata-se de uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, mas pouco se sabe sobre o motivo de sua construção ou destruição, bem como nunca foram encontradas evidências da construção. Teoricamente, sua construção foi ordenada por Nabucodonosor para satisfazer as saudades de sua esposa Amitis por sua terra natal. E ele seria exatamente o que o nome sugere, jardins separados em seis andares com um belo sistema de irrigação. A cara da riqueza.

Já a Torre de Babel consta na Bíblia, no livro de Gênesis. Na obra consta que ela teria sido construída pelos descendentes de Noé, tão alta a fim de alcançar os deuses. Tal fato provocou a ira de Deus, que não só a destruiu, como alterou a língua dos homens e os espalhou pela Terra, dando origem a diversos povos com diversas linguagens diferentes. 

Construção conhecida como a torre de babel pintada por pieter bruegel
Pintura de pieter bruegel do que seria a torre de babel

Na história em si, estudos comparam o conto da Torre de Babel com a torre do templo de Marduk, a capital da civilização Babilônica, que traduzido para hebreu seria Babel (“porta de Deus”). Há quem diga também que a Torre de Babel se tratava de um zigurate, derivado da cultura Suméria.

Os Caldeus foram o último povo mesopotâmico a habitar a região, que foi conquistada pelos Persas em 539 a.C.

E essa foi a história principal dos povos que dominaram a região da Mesopotâmia na Antiguidade. Teste seus conhecimentos respondendo a alguns exercícios sobre a Mesopotâmia.

Quer ler mais sobre história? Veja os principais acontecimentos no período que antecedeu a História Antiga e os acontecimentos na Mesopotâmia, a Pré-História.

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