Entenda as Mudanças Climáticas: O Que É, as Causas e Consequências

As mudanças climáticas são um dos maiores desafios da sociedade atual. As alterações no clima estão longe de atingir apenas os polos e os animais que lá vivem, uma vez em que os impactos das mudanças climáticas são significativos e afetam desde a nossa saúde até a produção de alimentos mundo a fora.

As diversas mudanças no clima do planeta são relacionados a mudanças no clima, tratados em tema da geopolítica, como os Créditos de Carbono, e as atitudes dos seres humanos.

As temperaturas globais subiram cerca de 1,1°C de 1901 a 2020, de acordo com estudos feitos pela NASA, mas a mudança climática refere-se a mais do que um aumento na temperatura. Também inclui aumento do nível do mar, mudanças nos padrões climáticos, como secas e inundações, e muito mais.

Coisas das quais dependemos e valorizamos – água, energia, transporte, vida selvagem, agricultura, ecossistemas e saúde humana – estão sofrendo os efeitos de uma mudança climática. Vamos falar sobre essas mudanças e seus efeitos e, se você ficar com dúvidas, é só deixar nos comentários.

O que são e quais as causas

As mudanças climáticas são alterações provocadas nos padrões climáticos a longo prazo com base nas alternâncias meteorológicas. Tais mudanças sempre existiram, tanto que possuímos evidências de Eras Glaciais no período pré-histórico, mas com as Elas podem ser causadas por processos naturais e também pela ação do homem. Acompanhe o quadro a seguir:

Causas naturaisCausas resultantes da ação humana
Incidência solar combustíveis fósseis
Órbita da Terradesmatamento
EL Niño e La Niñagases poluentes
Atividade vulcânicapoluição do solo e dos recursos hídricos

Mudanças no clima

Nos últimos 150 anos o planeta teve a temperatura aumentada além do considerável normal, devido a ação do homem. De acordo com a NASA e a NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica Nacional, a temperatura registrada na Terra em 2018 foi a quarta mais alta nos últimos 140 anos.

A OMM (Organização Meteorológica Mundial), indica que o planeta está mais quente devido ao período de processo de industrialização. Ou seja, as revoluções industriais tiveram impacto direto no meio ambiente, e não apenas no âmbito socioeconômico.

Além da poluição atmosférica, a industrialização também influenciou no consumo exagerado e a produção elevada, o que leva ao aumento da exploração dos recursos naturais. A hiperprodução também acelerou o desmatamento, provocando ainda mais alterações no clima.

IPCC

O IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) é um órgão responsável por realizar avaliações a respeito das mudanças climáticas, sendo encarregado por criar documentos que mostrem de maneira fidedigna o que se passa no planeta Terra, no que se diz respeito a evolução das mudanças climáticas, o papel da sociedade nesse processo e quais as perspectivas futuras desse impacto.

O primeiro relatório do IPCC foi publicado em 1990. Esse documento foi essencial para a criação da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC).

Deste então, o IPCC publica de forma periódica dados importantes sobre as mudanças climáticas no mundo, usados principalmente para a formulação de políticas internacionais voltadas para o clima.

O quinto relatório emitido pelo IPCC forneceu base científica para a criação do Acordo de Paris, que possui como um de seus objetivos manter o aumento da temperatura média global abaixo de 2ºC em relação a temperatura mundial da época pré-industrial.

De acordo com o IPCC, é essencial que a temperatura global não suba em 2º C pois isso poderia trazer consequências catastróficas para o planeta Terra, como por exemplo, a perda de biodiversidade, destruição de ecossistemas, etc.

Efeito Estufa

A atmosfera terrestre é formada por gases como oxigênionitrogêniodióxido de carbono e também vapor d’água. Esses gases, principalmente o gás carbônico, possuem a capacidade de absorver a radiação solar emitida à superfície terrestre, fazendo com que esta atinja a Terra com menor intensidade, enquanto o restante da radiação se dissipa no espaço.

Esse processo faz com que exista um equilíbrio energético, evitando uma grande amplitude térmica. Esse processo é natural e benéfico para o planeta, e é o que chamamos de Efeito Estufa. Ao manter a temperatura média da Terra em torno de 14°C, a Terra apresenta então condições favoráveis à existência de vida.

O efeito estufa é erroneamente associado a coisas ruins, no entanto, ele é essencial para a existência da vida na Terra. O X da questão em relação ao efeito estufa é que esse processo tem sido agravado pela ação humana, devido as atividades industriais e o aumento de veículos que emitem à atmosfera gases responsáveis pela maior concentração de gases.

Esses gases atuam na absorção de calor, e por isso esse calor tem sido impedido de ser devolvido ao espaço, ficando então preso na atmosfera do planeta. É isso o que provoca o aumento das temperaturas da Terra, e ainda associado aos altos níveis de desmatamento e poluição, provoca o chamado aquecimento global.

Previsões do ipcc sobre o aquecimento global
Previsões do IPCC sobre o aquecimento global

Impactos ambientais

As mudanças climáticas geram uma série de consequências ambientais graves, que inclusive, já podem ser observadas no nosso dia a dia. Uma das principais consequências do aumento da temperatura do planeta é o aumento do nível do mar, causado pelo derretimento das calotas polares, podendo resultar na inundação e na submersão de áreas litorâneas.

Uma das mudanças que já podem ser observadas são o surgimento de grandes secas, que ocasionam diversos problemas em relação à produção de alimentos. Com a diminuição da produção da indústria alimentícia e o consequente aumento dos preços de produtos ofertados, muitas pessoas sofrerão com a insegurança alimentar e miséria.

Essa seca também pode ser relacionada ao aumento de focos de incêndio e com escassez de água. É uma questão que podemos observar por exemplo, nos focos de incêndio em Goiás BR e California EUA, além das altas temperaturas registradas no Canadá, que ultrapassaram 50°C.

Os ursos polares são um dos animais considerados como mais afetados pelas mudanças climáticas
Os ursos polares são considerados mais afetados pelas mudanças climáticas

aumento das chuvas também já pode ser observado ao redor do globo, principalmente na Europa e China e pode levar a problemas como inundações e deslizamento de terras.

Diversos animais e plantas, podem ser diretamente afetados pelas mudanças climáticas, que causarão desequilíbrio em seu habitat. Podendo causar até a extinção de uma grande quantidade de espécies.

Podemos ressaltar também que, além da poluição atmosférica agravar diversas questões no que se diz respeito ao clima, também pode acabar ocasionando doenças cardiovasculares e respiratórias, e algumas doenças, como dengue e malária, nas áreas mais afetadas pela poluição.

Acordo de Paris

O famoso Acordo de Paris, se trada de um compromisso mundial sobre as mudanças climáticas, que prevê metas para a redução da emissão de gases do efeito estufa. Nele, é necessário que os países que representam cerca de 55% da emissão de gases de efeito estufa concordem em adotar as medidas. No dia 12 de dezembro de 2015, o acordo foi assinado após várias negociações, entrando em vigor em 4 de novembro de 2016. Hoje, 196 países fazem parte do contrato.

Objetivo

Reduzir as emissões de gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono, e manter o aumento da temperatura do planeta abaixo dos 2 º C em referencia aos dados pré-industriais.

Metas

As metas do Acordo de Paris consistem em:

  • estimular os países desenvolvidos a dar suporte financeiro e tecnológico aos países subdesenvolvidos, afim de que estes possam ter mais sucesso nas medidas de redução
  • a cada cinco anos os governos comuniquem de forma voluntária os mecanismos para a revisão das suas contribuições para que essas metas possam ser elevadas
  •  países desenvolvidos encontram-se à frente do acordo e devem estabelecer metas numéricas a serem alcançadas em relação à emissão de gases de efeito estufa
  • países subdesenvolvidos precisam elevar os esforços para continuar atingindo as metas propostas
  • reduzir as emissões de gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono

Países que não aderiram ao Acordo de Paris

Por causa da guerra civil na Síria, o país não faz parte do acordo.

A Nicarágua, alegou, a princípio alegou que o acordo era ambicioso e que seria ineficaz, mas em 2017, decidiu aderir ao acordo.

Os EUA por sua vez participavam do Acordo, saíram e mais tarde retornaram, confira no tópico abaixo.

EUA no Acordo de Paris

No ano de 2017, o até então presidente americano, Donald Trump, decidiu sair do acordo de Paris. Trump era considerado cético em relação às mudanças climáticas. Na época, o presidente Jair Bolsonaro, chegou a afirmar que o Brasil também poderia sair do acordo, mas a declaração não chegou a ser concretizada.

Entre os quase 200 países que assinaram o acordo em 2015, apenas os EUA saiu. A decisão dos EUA foi vista pela entidade como decepcionante, uma vez que os Estados Unidos são o segundo maior emissor desse tipo de gás, perdendo apenas para a China. No início de 2021, Joe Biden, até o momento, presidente dos Estados Unidos, retornou o país ao Acordo de Paris. No momento da assinatura, Biden promete reduzir as emissões de gases estufa nos EUA nos próximos anos e zerar as emissões até 2050.

Joe biden assinando o acordo de paris em 2021
Joe Biden assinando o Acordo de Paris em 2021

Participação do Brasil no Acordo de Paris

O Brasil assinou o Acordo de Paris em 2015, durante o governo de Dilma Rousseff, onde o país se comprometeu a reduzir até 2025 as suas emissões de gases de efeito estufa em até 37%, estendendo essa meta para 43% até 2030.

As principais metas do governo brasileiro são:

  • aumentar o uso de fontes alternativas de energia
  • aumentar a participação de bioenergias sustentáveis na matriz energética brasileira para 18% até 2030
  • utilizar tecnologias e combustíveis limpas nas indústrias
  • melhorar a infraestrutura dos transportes
  • combater o desmatamento
  • restaurar e reflorestar em 12 milhões de hectares

Protocolo de Kyoto

O Protocolo de Kyoto tem como principal objetivo firmar acordos e discussões internacionais para então estabelecer metas e maneiras de conseguir alcançar a redução na emissão de gases-estufa na atmosfera terrestre, tendo em vista, principalmente a parte dos países mais industrializados, além disso, o protocolo também visa formas de criar um desenvolvimento mais sustentável, de maneira menos impactante àqueles países subdesenvolvidos e subdesenvolvidos em desenvolvimento.

Diante da efetivação do Protocolo de Kyoto, diversas metas de redução de gases estufa foram implantadas. O Protocolo de Kyoto foi implantado de forma definitiva no ano de 1997, na cidade japonesa de Kyoto, que deu origem ao nome da entidade. Foram oitenta e quatro países dispostos a aderir ao protocolo e assiná-lo, onde se comprometeram a implantar medidas com intuito de diminuir a emissão de gases estufa.

Assim como o acordo de paris, o protocolo de kyoto visa diminuir a emissão de gases do efeito estufa
Assim como o Acordo de Paris, o Protocolo de Kyoto visa diminuir a emissão de gases do efeito estufa

As metas de redução desses gases estufa não são idênticas em todos os países, desta forma, são colocados níveis diferenciados de redução para os 38 países que mais emitem os gases. Sendo que, o protocolo ainda prevê a diminuição da emissão de gases dos países que compõe a União Europeia em 8%, os Estados Unidos em 7% e, por fim, o Japão em 6%. Aqueles países que se encontram em pleno desenvolvimento como Brasil, México, Argentina, Índia e China, não receberam metas de redução, pelo menos por hora.

O Protocolo de Kyoto não somente discute e implanta medidas de redução de gases, mas também incentiva e estabelece medidas com intuito de substituir produtos oriundos do petróleo por outros que provocam menos ou nenhum impacto. Diante dessas metas estabelecidas, o maior emissor de gases do mundo, Estados Unidos, abandonou o protocolo no ano de, alegando que a redução iria comprometer o desenvolvimento social e econômico do país.

As etapas do Protocolo de Kyoto

Em 1988, a primeira reunião do Protocolo de Kyoto ocorreu em uma cidade canadense chamada de Toronto. A conferência reuniu líderes de países e representantes da classe científica para discutir sobre as mudanças climáticas. Durante a reunião foi dito que as mudanças climáticas possuem impacto superado somente por uma guerra nuclear (na época, o mundo estava vivendo o cenário da Guerra Fria).

No ano de 1992, as discussões foram realizadas na Eco-92, que contou com a participação de mais de 160 líderes de Estado que assinaram a Convenção Marco Sobre Mudanças Climáticas. Na reunião, foram estabelecidas metas para que os países mais industrializados mantivessem durante o ano de 2000 os mesmos índices de emissão de gases estufa do ano de 1990. As discussões levaram à conclusão de que todos os países, independentemente de seu tamanho, devem ter sua responsabilidade de conservação e preservação das condições climáticas e métodos de combate as mudanças climáticas.

No ano de 1995, o IPCC declarou que as mudanças climáticas já davam sinais claros causados pela atividade humana.

Finalmente, no ano de 1997, foi assinado o Protocolo de Kyoto, para firmar o compromisso, por parte dos países desenvolvidos, em reduzir a emissão dos gases estufa. No entanto, o protocolo não estabelece meios concretos pelos quais serão colocadas em prática as medidas de redução e se realmente todos envolvidos irão aderir.

No ano de 2004 ocorreu uma reunião na Argentina que fez para aumentar a pressão para que se estabelecessem metas de redução na emissão de gases por parte dos países em desenvolvimento até 2012. O ano que marcou o início efetivo do Protocolo de Kyoto foi 2005, vigorando a partir do mês de fevereiro.

Greta Thunberg

Greta thunberg se tornou um símbolo na luta contra as mudanças climáticas
Greta Thunberg se tornou um símbolo na luta contra as mudanças climáticas

Greta Tintin Eleonora Ernman Thunberg é uma ativista ambiental sueca de 18 anos. A jovem ficou conhecida por ter protestado fora do prédio do parlamento sueco, e por ser a líder do movimento Greve das escolas pelo clima. A ativista está nos holofotes do mundo há um bom tempo. Foi eleita como a Pessoa do Ano pela revista Time em 2019, desde muito nova, ela bate de frente com os líderes mundiais exigindo que tomem atitudes em relação as mudanças climáticas. Ela chegou a concorrer ao prêmio Nobel pela paz.

A jovem ativista viralizou após discursar em uma reunião de alto nível sobre o clima na Conferência sobre Mudança Climática da ONU, em Madri que ocorreu no ano de 2019, onde falou, dentre outros assuntos, sobre a responsabilidade dos governantes e sociedade como um todo sobre as futuras e novas gerações. Confira o discurso na integra:

FAQ Rápido

Quais são os 5 efeitos das mudanças climáticas?

Secas mais frequentes e intensas, tempestades, ondas de calor, aumento do nível do mar, derretimento de geleiras e aquecimento dos oceanos podem prejudicar diretamente os animais, destruir os lugares onde vivem e causar estragos nos meios de subsistência e nas comunidades das pessoas.

Como as mudanças climáticas nos afetam?

Os impactos das mudanças climáticas em diferentes setores da sociedade estão inter-relacionados. A seca pode prejudicar a produção de alimentos e a saúde humana. As inundações podem levar à propagação de doenças e danos aos ecossistemas e infraestrutura. Problemas de saúde humana podem aumentar a mortalidade, afetar a disponibilidade de alimentos e limitar a produtividade do trabalhador.

Como você explica as mudanças climáticas?

A mudança climática refere-se a mudanças de longo prazo nas temperaturas e nos padrões climáticos. Essas mudanças podem ser naturais, como por meio de variações no ciclo solar. Mas desde 1800, as atividades humanas têm sido o principal fator da mudança climática, principalmente devido à queima de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás.

Como as mudanças climáticas podem ser resolvidas?

Reduzir os gases de efeito estufa é uma maneira direta de ajudar a retardar ou interromper as mudanças climáticas, uma vez que o excesso de gases de efeito estufa é o que está causando o aquecimento do clima. Isso pode significar mudar para fontes de energia que não emitam gases de efeito estufa e retirar dióxido de carbono do ar plantando florestas e conservando ecossistemas.

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