Origem da Vida: Conheça as Teorias Evolutivas mais Importantes

Sabemos como a vida, uma vez iniciada, foi capaz de proliferar e diversificar até preencher (e em muitos casos criar) todos os nichos do planeta. No entanto, uma das grandes questões mais óbvias – como a vida surgiu da matéria inorgânica dando origem a diversas espécies – permanece uma grande incógnita.

Existem diversas tentativas para explicar de fato, qual a origem e evolução da vida. Inúmeras teorias foram esboçadas ao longo da história da humanidade e pelas mais variadas culturas. As duas principais hipóteses sobre a origem da vida conhecidas hoje são o criacionismo, pautado em cima da fé judaico-cristã e a teoria de Oparin e Haldane, porém existem mais algumas que podem ser estudadas.

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Criacionismo

No hinduísmo, o deus brahma é responsável pela criação do mundo
No hinduísmo, o deus Brahma é responsável pela criação do mundo

As chamadas hipóteses criacionistas, são as hipóteses criadas dentro de determinadas religiões para definir o princípio do mundo e da vida, elas variam de acordo com a denominação religiosa, mas têm em comum a crença de que seres divinos teriam dado origem à vida. As explicações criacionistas estão presentes na história da humanidade desde a Idade Antiga com a mitologia grega e cultura egípcia, também podem ser observadas em outras civilizações como hindus e chineses.

Religiões como JudaísmoIslamismo Cristianismo, possuem uma hipótese de criação em comum por serem religiões de mesma origem. Por se tratar de explicações amparadas pela fé, as teorias criacionistas são impossíveis de serem testadas. Por isso, elas também não se submetem ao mesmo critério de averiguação, sendo baseada totalmente na fé do indivíduo.

Cada religião possuí suas individualidades, porém no geral, dentro da teoria criacionista, um ser superior dotado de perfeição e santidade teria criado o universo e os seres que neles vivem com suas próprias mãos, explicando a origem e evolução da vida.

Criacionismo de Design Inteligente

O criacionismo de “Design Inteligente” (IDC) é um sucessor do movimento de “ciência da criação”, que remonta à década de 1960. O movimento IDC começou em meados da década de 1980 como um movimento antievolutivo que poderia incluir terra jovem, terra velha e criacionistas progressistas; os evolucionistas teístas, no entanto, não eram bem-vindos. O movimento cresceu em popularidade na década de 1990 com a publicação de livros do professor de direito Phillip Johnson e a fundação em 1996 do Centro para a Renovação da Ciência e Cultura (agora Centro de Ciência e Cultura). adotado como um substituto para a “ciência da criação”, que foi decidida a representar uma crença religiosa particular no caso da Suprema Corte Edwards v. Aguillard em 1987.

Os proponentes da IDC geralmente evitam referências explícitas a Deus, tentando apresentar um verniz de investigação científica secular. Os proponentes da IDC introduziram algumas novas frases na retórica anti-evolução, como “complexidade irredutível” e “complexidade especificada”, mas os princípios básicos por trás essas frases têm uma longa história em ataques criacionistas à evolução. Subjacente a esses dois conceitos, e fundamental para a própria IDC, está uma visão teológica britânica do início do século 19, o “argumento do design”.

A essência do argumento do design é que fenômenos altamente complexos (como a estrutura do olho dos vertebrados) demonstram a ação direta da mão de Deus. Os proponentes modernos do DI tipicamente substituem estruturas celulares ou subcelulares por complexidade anatômica, mas fazem o mesmo argumento: a aparência de complexidade na natureza categoricamente não pode ser explicada por causas naturais; requer a orientação de um “agente inteligente”.

Seguindo a liderança de Phillip Johnson, os promotores da IDC se concentram menos em “provar” o criacionismo e mais em rejeitar a evolução e redefinir a ciência para torná-la mais compatível com sua versão do cristianismo. A IDC defende o ataque à evolução como uma forma de atacar a própria ciência porque acredita que ela é a base da filosofia materialista. Essa estratégia é explicitamente apresentada no The Wedge, um documento de arrecadação de fundos do Centro de Ciência e Cultura que estabelece os “objetivos de governo” do grupo:

  • Derrotar o materialismo científico e seus legados morais, culturais e políticos destrutivos.
  • Substituir explicações materialistas pelo entendimento teísta de que a natureza e os seres humanos são criados por Deus.

Embora na década de 1990 os defensores do IDC tenham incentivado o ensino de DI nas aulas de ciências da escola pública como uma alternativa à evolução, no início dos anos 2000 eles mudaram sua estratégia. Atualmente, os IDCs concentram seus esforços em atacar a evolução. Sob disfarces aparentemente inócuos, como “liberdade acadêmica”, “análise crítica da evolução” ou “ensinar os pontos fortes e fracos da evolução”, os IDCs tentam encorajar os professores a ensinar erroneamente aos alunos que há uma “controvérsia” entre os cientistas sobre se ocorreu a evolução. As chamadas “evidências contra a evolução” ou “fraquezas da evolução” consistem nos mesmos tipos de argumentos há muito desacreditados contra a evolução que têm sido um grampo do criacionismo desde a década de 1920 e anteriores.

Origem e evolução da vida de acordo com a ciência

As teorias pautadas pela ciência apresentam hipóteses acerca da origem da vida, de forma que possam ser testadas e contestadas, a fim de chegar numa resposta mais exata. As principais são a teoria da abiogênese, teoria da biogênese, panspermia e a hipótese de Oparin e Haldane que explicam a origem e evolução da vida.

Algumas teorias que buscam explicar a origem e evolução da vida acabam traçando um parentesco em comum entre as espécies
Algumas teorias que buscam explicar a origem e evolução da vida acabam traçando um parentesco em comum entre as espécies

Panspermia 

Essa foi uma das primeiras teorias acerca da origem da vida que se tem registro. Ela é proposta ainda na Grécia Antiga pelo filólogo Anaxágoras, durante a era pré-socrática. Segundo o filosofo, o universo está repleto de “sementes da vida” e a vida na Terra teria sido iniciada quando uma dessas sementes caiu no planeta. Ou seja, a vida teria origem fora da Terra.

Essa hipótese passa a ganhar reforços científicos durante o século XIX, quando os cientistas químicos ThenardVauquelin Berzelius constatam a presença de compostos orgânicos em material extraído de meteoritos

No ano de 1871, William Thomson levantou a hipótese de que os meteoros ou asteroides que colidiram com o planeta poderiam ter trazido as primeiras formas de vida. A descoberta de aminoácidos e outras moléculas orgânicas no meteorito Murchison, em 1969, é outro dado científico que contribui para o fortalecimento dessa teoria. 

A teoria da panspermia se volta para a possibilidade da vida ser originada fora da terra
A teoria da panspermia se volta para a possibilidade da vida ser originada fora da terra

Ainda hoje, diversos cientistas estudam a fim de provar a possibilidade de haver vida inteligente ou não fora do planeta terra. A panspermia, no entanto, não é uma hipótese comprovada. Mas ela também não é descartada, principalmente se olharmos para os avanços da astronomia com novas descobertas de corpos celestes que possuem características similares à do planeta Terra.

Teoria da abiogênese 

Segundo essa explicação, a origem da vida seria uma matéria bruta, um tipo de estrutura sem vida, por exemplo uma pedra. Os primeiros seres vivos teriam surgido de uma geração espontânea (outro nome dado a essa teoria). Ela também data da antiguidade, partindo provavelmente de Aristóteles ao verificar que larvas surgiam nos alimentos que ficavam expostos. Para a teoria da abiogênese, a origem da vida seria uma força vital ou princípio ativo existente na natureza.

Hoje sabemos que não é bem assim que funciona, e que os seres vivos observados por Aristóteles eram postos ali, provavelmente por uma mosca, e após se desenvolverem se tornariam as larvas que iriam se alimentar dos alimentos expostos por ele. Fora isso, hoje temos conhecimento de que existem microrganismos no ar e na água que não podemos ver a olho nu.

Teoria do Barro

A primeira molécula da vida, hidrocarboneto, pode ter surgido no barro. Essas superfícies podem não apenas ter concentrado esses compostos orgânicos, mas também ajudado a organizá-los em padrões muito parecidos com nossos genes. Cristais minerais em argila poderiam ter arranjado moléculas orgânicas em padrões organizados.

Os minerais de argila desempenharam um papel fundamental na evolução química e nas origens da vida devido à sua capacidade de absorver, proteger (das radiações UV), concentrar e catalisar a polimerização de moléculas orgânicas. Os minerais de argila também podem armazenar e replicar defeitos estruturais e substituições iônicas e atuar como “candidatos genéticos”.

Assim, os minerais e as moléculas orgânicas nas camadas de argila favoreceriam a formação e replicação de moléculas biológicas (ex. enzimas, polinucleotídeos) e favorecem a possibilidade de origem da vida através desta teoria.

Teoria da biogênese

Essa perspectiva surge em oposição à teoria da abiogênese e afirma que a vida surge a partir de outro ser vivo pré-existente. O desenvolvimento dessa perspectiva foi comandado pelos cientistas Francesco Redi, Lazzaro Spallanzani e Louis Pasteur, que realizaram experimentos supervisionados a fim de comprovar que não era possível surgir vida a partir da não-vida, de forma espontânea. Essa teoria ganhou muitos adeptos, mas não conseguiu explicar como teria surgido o primeiro ser vivo.  

Hipótese de Oparin e Haldane 

A mais aceita das hipóteses de origem da vida, proposta pelos cientistas Oparin e Haldane, afirma que os compostos que existiam no planeta após seu surgimento sofreram mutações em decorrência da ação dos raios solares. Com as reações químicas, teriam surgido os primeiros compostos orgânicos, os aminoácidos, que por ação das águas das chuvas teriam sido levados para o fundo dos oceanos. 

Nesse novo ambiente, com descargas elétricas e meio salino, os aminoácidos teriam se fundido e dado origem a estruturas semelhantes a uma proteína, que por sua vez originaram os coacervados – aglomerado de moléculas proteicas, e posteriormente dado origem a indivíduos unicelulares – bactérias primitivas e com o passar dos anos resultariam na vida que conhecemos hoje.

A experiência de miller confirmou a hipótese de oparin e haldane
A experiência de Miller confirmou a hipótese de Oparin e Haldane

Mais tarde, a experiência de Miller e Urey concebida para testar a hipótese sobre a origem da vida, recriou os elementos da terra primitiva em laboratório, que consistia em um sistema fechado, sem oxigênio gasoso, onde se inseriu os principais gases atmosféricos e vapor d’água, com descargas elétricas, se obteve como resultado, a criação de aminoácidos, comprovando assim a hipótese de Oparin e Haldane.

Teorias evolutivas

Após entender a origem, passamos a estudar a evolução da vida e como ela chegou ao que é hoje. De acordo com as Teorias da Evolução, os indivíduos passaram por modificações necessárias para a sua sobrevivência.

O primeiro a propor uma teoria evolutiva foi o biólogo francês Jean-Baptiste de Lamarck, que em 1809 publicou a obra “Filosofia Zoológica”. No entanto, o britânico naturalista Charles Robert Darwin, autor do livro “Origem das Espécies”, criado em 1850, possuí a teoria mais aceita.

Teoria do Lamarckismo

Lamarck acreditava que mudanças no ambiente causavam mudanças nas necessidades dos organismos que ali viviam, causando mudanças no seu comportamento. Baseava-se em dois princípios básicos: lei do uso e desuso e lei da herança de características adquiridas, que em sua visão definiriam a origem e evolução da vida como a conhecemos.

As cobras por serem repteis provavelmente um dia tiveram membros, Lamarck acreditava que a não utilidade desses membros resultou no desuso deles, fazendo com que as cobras passassem a se evoluir para não terem mais esses membros e seus descendentes adquiririam essa característica.

Outro exemplo são as girafas. Lamarck acreditava que as girafas possuíam pescoços pequenos, mas com a necessidade de alcançar folhas mais altas passaram a possuir pescoços cada vez maiores e seus descendentes também.

No entanto, existem algumas falhas na teoria de Lamarck. Seu erro foi supor que essas leis explicavam a transformação de todos os organismos, desde os primórdios da vida na Terra, e que sua ação era imediata, de uma geração a outra. Olhando por esse princípio, se um individuo, por exemplo, perdesse um dos olhos, seus descendentes teriam herdado a característica, o que não faz tanto sentido.

Características da teoria de Lamarck

  • O meio cria necessidades que induzem mudanças nos hábitos e nas formas dos indivíduos
  • As novas características são adquiridas pelo uso ou desuso repetido de um órgão ou parte do corpo
  • As características adquiridas são transmitidas aos seus descendentes, todas as mudanças desenvolvidas pelas espécies serão herdadas

Teoria do Darwinismo

Afim de definir uma origem e evolução da vida, Charles Darwin publicou a obra “Origem das espécies”. Para Darwin as espécies evoluem através do processo de descendência, sendo estes modificados dando origem às outras espécies, isto é, organismos vivos evoluem através de um processo que chamou de “seleção natural“.

Desta forma, se olharmos para o caso da cobra, Darwin afirma que existiam cobras com membros desenvolvidos, mas que, devido a necessidade de se adaptar, os indivíduos da espécie passaram a escolher pares para o acasalamento com os membros cada vez menos desenvolvidos, até chegar na cobra que conhecemos hoje.

Ao olharmos para o exemplo da girafa, o exemplo é mais palpável. Existiam girafas com pescoços longos e curtos, no entanto as girafas com pescoços logos tinham mais chance de sobreviver devido a capacidade de alcançar os alimentos, e apenas essas procriavam enquanto que as demais morriam de fome ou por predadores. Desta forma, a população de girafas com pescoços curtos foi diminuindo até sua extinção, sobrevivendo apenas a girafa que conhecemos hoje, que por sua vez, possuí um parente evolutivo com supostas girafas de pescoço curtos.

Exemplo da girafa segundo o darwinismo
Exemplo da girafa segundo o darwinismo

Características na teoria de Darwin

  • Estabelece a seleção natural como mecanismo da evolução
  • O meio exerce uma seleção natural que favorece os indivíduos portadores das características mais apropriadas para um determinado ambiente e em um determinado tempo
  • No centro de uma população, certos indivíduos apresentam características que lhes conferem uma melhor adaptação em relação ao outro 
  • Os mais aptos vivem mais tempo, reproduzem mais e transmitem as suas características aos descendentes
  • Darwin diz que as espécies evoluem através do processo de descendência, sendo estes modificados dando origem às outras espécies

Neodarwinismo

Também conhecida como Teoria Sintética da Evolução, o neodarwinismo é um aperfeiçoamento dos conceitos desenvolvidos pelo naturalista Charles Robert Darwin, revisitando pontos que que a teoria inicial não explicava. A Teoria da Evolução proposta pelo neodarwinismo inclui a recombinação genética e a mutação, na teoria de Darwin.

Estas dúvidas foram sendo esclarecidas por meio dos experimentos feitos pelo botânico Gregor Mendel, que realizou diversas experiências a partir do cruzamento de plantas, sendo o mais famoso o experimento desenvolvido com as ervilhas, que deu origem as leis da segregação dos fatores e da segregação independente, você pode conferi-las no nosso site.

FAQ – Perguntas frequentes

Como surgiu a vida?

As duas principais hipóteses sobre a origem da vida conhecidas hoje são o criacionismo, pautado em cima da fé judaico-cristã e a teoria de Oparin e Haldane, porém existem mais algumas que podem ser estudadas.

O que é criacionismo?

As chamadas hipóteses criacionistas, são as hipóteses criadas dentro de determinadas religiões para definir o princípio do mundo e da vida, elas variam de acordo com a denominação religiosa, mas têm em comum a crença de que seres divinos teriam dado origem à vida

O que é a Panspermia ?

Essa foi uma das primeiras teorias acerca da origem da vida que se tem registro e diz que o universo está repleto de “sementes da vida” e que uma dessas sementes caiu no planeta.

Qual a Teoria da abiogênese?

Segundo essa explicação, a origem da vida seria uma matéria bruta, um tipo de estrutura sem vida, por exemplo uma pedra e os primeiros seres vivos teriam surgido de uma geração espontânea.

Qual a Teoria da biogênese?

Essa perspectiva surge em oposição à teoria da abiogênese e afirma que a vida surge a partir de outro ser vivo pré-existente.

Qual a teoria de Oparin e Haldane?

A mais aceita das hipóteses de origem da vida, proposta pelos cientistas Oparin e Haldane, afirma que os compostos que existiam no planeta após seu surgimento sofreram mutações em decorrência da ação dos raios solares.

Quais as Teorias da evolução?

Após entender a origem, passamos a estudar a evolução da vida e como ela chegou ao que é hoje. De acordo com as Teorias da Evolução, os indivíduos passaram por modificações necessárias para a sua sobrevivência.

O que é o Lamarckismo?

Lamarck acreditava que mudanças no ambiente causavam mudanças nas necessidades dos organismos que ali viviam, causando mudanças no seu comportamento.

O que é Darwinismo?

Para Darwin as espécies evoluem através do processo de descendência, sendo estes modificados dando origem às outras espécies, isto é, organismos vivos evoluem através de um processo que chamou de “seleção natural“.

O que é Neodarwinismo?

A Teoria da Evolução proposta pelo neodarwinismo inclui a recombinação genética e a mutação, na teoria de Darwin. Estas dúvidas foram sendo esclarecidas por meio dos experimentos feitos pelo botânico Gregor Mendel.

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