Primavera Árabe, onda de protestos que mobilizou mais de 10 países

A Primavera Árabe foi uma onda revolucionária de manifestações e protestos que ocorreram no Oriente Médio e no Norte da África a partir de 18 de dezembro de 2010, chegando até meados de 2012. O movimento também desencadeou guerras civis de grandes proporções em países como a Síria, Líbia e Iêmen, além do avanço brutal do Estado Islâmico. Hoje com o novo levante do Talibã, a Primavera Árabe pode ser cobrada em vestibulares e concursos como assunto de geopolítica e atualidades.

Onda de protestos no oriente médio foi chamada de primavera árabe
Onda de protestos no Oriente Médio foi chamada de Primavera Árabe

O início da Primavera Árabe

A Primavera Árabe começou com a revolta de Mohammed Bouazizi, um comerciante de rua tunisiano. Em dezembro de 2010, o Wikileaks havia publicado uma série de escândalos envolvendo a Tunísia e seus governantes, em menos de 30 dias, Mohammed Boauzizi, teve seu carrinho de frutas confiscado por policiais e após não conseguir reaver seus produtos na sede do governo local, e movido pela revolta com a corrupção no país, iniciou um protesto por meio da autoimolação (atear fogo a si mesmo). O comerciante sustentava uma família de 8 pessoas com menos de 150 dólares por mês, e constantemente era abordado por policiais pedindo suborno para deixar-lhe trabalhar.

Mohammed bouazizi ateou fogo a si mesmo como forma de protesto
Mohammed Bouazizi ateou fogo a si mesmo como forma de protesto

Após o suicídio do comerciante, a população da Tunísia se revoltou contra a corrupção e políticas repressivas do governo do ditador Zine El Abidine Ben Ali. No dia 14 de janeiro de 2011, Ali foi forçado a deixar o país, o que levou países próximos com contextos semelhantes a iniciarem uma onda de atos políticos que foram nomeados pela imprensa como Primavera Árabe. Ali era presidente desde 1989 e foi destituído do governo com o êxito da Revolução de Jasmim.

Motivações da Primavera Árabe

Embora cada pais que participou da Primavera Árabe tivesse motivos diferentes para isso, possuíam motivações em comum: falta de democracia e liberdade. É comum encontrar na região países com regimes ditatoriais. A crise econômica de 2010 e 2011 afetou diretamente a região, levando a uma grande taxa de desemprego, e a corrupção local também não ajudou.

Os protestos em massa que começaram após o suicídio de Mohammed Boauzizi em alguns países foi suficiente, em outros escancarou a violência do governo piorando o cenário. Egito, Tunísia, Líbia, Síria, Iêmen, Bahrein, Marrocos e Jordânia foram os principais envolvidos na Primavera Árabe.

Alguns países pediam por mais direitos femininos na primavera árabe
Alguns países pediam por mais direitos femininos na primavera árabe

Primavera Árabe na Tunísia

A queda de Ben Ali foi marcada pela transição política no país. Em outubro de 2011, foi realizada a primeira eleição democrática parlamentarista, onde o partido islâmico foi o vencedor. Moncef Marzouki foi eleito presidente com mais de 200 cadeiras no parlamento como aliados. Nos anos seguintes, o país continuou sofrendo com a instabilidade e disputas políticas, resultando no assassinato de políticos da oposição.

Em 2014, a Tunísia adotou uma nova constituição que permitiria eleições mais livres e justas. A Tunísia hoje é considerada a única democracia que emergiu da Primavera Árabe, no entanto em 2021, o país se encontra em crise após o presidente Kais Saied destituir o primeiro-ministro do país e congelar as atividades do parlamento.

Ben ali foi um governante deposto pela primavera árabe
Ben Ali foi um governante deposto pela Primavera Árabe

Primavera Árabe na Líbia

Os protestos contra o regime do coronel Muammar al-Gaddafi (governante desder 1969) começaram em 15 de fevereiro de 2011. A população acusava Muammar de corrupção e detenção de riqueza, enquanto parte do país sofria com a fome. A revolução resultou na primeira guerra civil da Primavera Árabe, em março do mesmo ano o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) entendeu que era necessária a intervenção para proteger os civis, a OTAN, durante 6 meses participou da guerra que deixou 3 mil mortos.

Gaddafi fazia o uso de armas químicas contra os protestantes, e era visto como um perigo para o resto do globo. Foi capturado e morto em outubro de 2011 por simpatizantes do Conselho Nacional de Transição (CNT), oposição do seu governo na época.

Após a morte do coronel, o país foi divido em inúmeras milícias e ainda hoje sofre com a guerra civil. Apesar de possuir um governo central endossado pela ONU, a violência política ainda prejudica os cidadãos por conta dos constantes conflitos armados.

Protestos da primavera árabe na líbia
Protestos da Primavera Árabe na Líbia

A Primavera Árabe no Egito

No Egito em 11 de fevereiro, o presidente Hosni Mubarak foi forçado a renunciar após 20 anos de governo autoritário. A Suprema Corte das Forças Armadas foi responsável pelo governo até as eleições parlamentares em junho de 2012. O islamita Mohammed Morsi, ganhou as eleições e revogou um decreto que limitava seus poderes. A oposição pública logo foi silenciada.

Após as tentativas de um governo repressivo, manifestantes foram às ruas e Morsi foi detido por militares em junho de 2013. Hoje, o país é comandado pelo ex-comandante do Exército Abdul Fatah Khalik Al-Sisi, responsável por arquitetar o golpe que tirou Morsi do poder. O Egito continua vivendo sob instabilidade e está dividido entre apoiadores do governo e oposição, além da pela repressão política e falência da economia.

Milhares de pessoas foram as ruas no egito durante a primavera árabe
Milhares de pessoas foram as ruas no Egito durante a Primavera Árabe

A Primavera Árabe no Iêmen

Protestos contra o governo de Ali Abdullah Saleh tomaram as ruas em janeiro de 2011, com o objetivo de reformar a constituição para acelerar a economia do país e reduzir as altas taxas de desemprego. Manifestações eram reprimidas com violência, enquanto o grupo terrorista Al Qaeda deu início a atos violentos no sul do país.

O Iêmen só não entrou em guerra civil por conta de um acordo político facilitado pela Arábia Saudita. O governante Saleh assinou a transferência de seus poderes em 23 de novembro de 2011, para dar lugar a um governo de transição liderado pelo vice Abd al-Rab Mansur al-Hadi.

Pouco progresso foi feito no que se diz respeito a democracia. Hoje, o país sofre com disputas entre grupos muçulmanos Sunitas e Xiitas, ataques regulares da Al Qaeda e economia em colapso.

Iêmen protestava na primavera árabe por melhores condições de vida
Iêmen protestava na Primavera Árabe por melhores condições de vida

A Primavera Árabe na Síria

Os primeiros grandes protestos começaram em março de 2011 e se espalharam pelas cidades menores e principais áreas urbanas. A população, como nos outros países afetados pela Primavera Árabe, pedia por um regime mais democrático e flexível, com maiores liberdades políticas além da deposição do presidente Bashar al-Assad.

O governo reagiu com brutalidade e a Síria entrou em guerra civil. A maior parte da população apoia os rebeldes, que é endossada pela Arábia Saudita. Já o regime, que ainda perdura, tem o suporte diplomático da Rússia.

A guerra civil na Síria perdura até hoje, e vem causando diversos danos para o país e seus arredores. Estima-se que o conflito já tenha levado entre 400 mil e 470 pessoas a mortes. Mais de 11 milhões de pessoas foram refugiadas em outros países — mais da metade de sua população. Além disso, o país sofreu perdas econômicas estimadas em US$226 bilhões — cerca de quatro vezes mais do que o valor do seu Produto Interno Bruto.

Crianças atingidas pela guerra se tornaram símbolo da primavera árabe e crise de refugiados na síria
Crianças atingidas pela guerra se tornaram símbolo da Primavera Árabe e crise de refugiados na Síria

A Primavera Árabe no Marrocos

A Primavera Árabe chegou ao Marrocos em fevereiro de 2011, quando milhares de manifestantes se reuniram para exigir limites ao poder do rei Mohammed VI. O monarca respondeu criando emendas constitucionais que limitavam alguns de seus poderes, convocou nova eleição parlamentar e criou fundos estatais para ajudar as famílias de baixa renda.

Muitos marroquinos se contentaram com as mudanças do governo de forma gradual e por isso ainda há protestos a favor de uma real monarquia constitucional. Nesse caso, os poderes do rei seriam bastante limitados e o primeiro-ministro, atualmente Saadeddine Othmani, assumiria os deveres no Executivo.

No marrocos, a primavera árabe foi mais pacífica
No Marrocos, a Primavera Árabe foi mais pacífica

A Primavera Árabe na Jordânia

Assim como no Marrocos, os protestos na Jordânia tinham o objetivo de reformar a monarquia sem a abolir. O rei Abdullah II teria seus poderes limitados pela figura do primeiro ministro em uma monarquia constitucional. Em janeiro de 2011 a população foi às ruas protestar contra más condições de vida e corrupção política.

Abdullah II conseguiu controlar a Primavera Árabe no país fazendo mudanças no sistema político e reorganizando o governo, temendo que uma situação semelhante ao caos instalado na Síria atingisse a Jordânia. Uma das principais medidas foi a nomeação de um novo primeiro ministro, Maaruf Bahkit.

Hoje a região continua instável e o povo pede por mais reformas políticas, econômicas e sociais. Além disso, a Jordânia sofre constantes ataques terroristas do grupo extremista Estado Islâmico e abriga mais de 600 mil refugiados sírios desde 2011.

Maaruf bahkit foi nomeado primeiro-ministro na jordânia após os protestos da primavera árabe no país
Maaruf Bahkit foi nomeado primeiro-ministro na Jordânia após os protestos da Primavera Árabe no país

A Primavera Árabe na Argélia

Os protestos na Argélia começaram em 2011, buscavam responsabilizavam o governo por corrupção, restrições à liberdade de imprensa e más condições de vida. O presidente Abdelaziz Bouteflika criou então uma emenda na constituição para fortalecer a democracia. A Argélia se encontrava em “estado de emergência” desde 1991, quando militares tomaram o poder para conter os extremistas islâmicos.

Durante a Primavera Árabe, Abdelaziz aboliu o “estado de emergência” para dar mais liberdade política ao povo.  Também permitiu a criação de estações de rádio e TV privadas e lançou um programa para reduzir as taxas de desemprego e diversificar a economia do país. O presidente continuou no poder até 2019 e hoje o país é governado por Abdelmadjid Tebboune.

Argélia ainda vive momentos de tensão causados pela primavera árabe
Argélia ainda vive momentos de tensão causados pela Primavera Árabe

A Primavera Árabe na Arábia Saudita

Os protestos na Arábia Saudita foram menores do que nos outros países. Os manifestantes pediam pela implementação de uma monarquia constitucional, divisão de poderes e mais direitos para as mulheres.  O país era governado pelo rei Abdullah bin Absul Aziz desde 1995. Ele se manteve no poder por 10 anos e foi sucedido pelo meio-irmão, o atual rei Salman.

As manifestações foram reprimidas. Hoje, ainda há protestos esporádicos pedindo por reformas políticas e mais liberdade para as mulheres.

Na arábia saudita ainda existem protestos da primavera árabe
Na Arábia Saudita ainda existem protestos da Primavera Árabe

FAQ – Perguntas frequentes

O que foi a Primavera Árabe?

Foi uma onda revolucionária de manifestações e protestos que ocorreram no Oriente Médio e no Norte da África a partir de 18 de dezembro de 2010, chegando até meados de 2012.

Quem foi Mohammed Bouazizi?

Um comerciante que teve seu carrinho de frutas confiscado por policiais e após não conseguir reaver seus produtos na sede do governo local, e movido pela revolta com a corrupção no país, iniciou um protesto por meio da autoimolação (atear fogo a si mesmo), dando início a Primavera Árabe

Quais países participaram?

Egito, Tunísia, Líbia, Síria, Iêmen, Bahrein, Marrocos e Jordânia foram os principais envolvidos na Primavera Árabe.

Os desdobramentos e conflitos vividos no Oriente Médio são temas constantemente abordados por concursos e vestibulares, você pode conferir outros temas relacionados aqui.

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