Revolução Chinesa de 1949: Guerra, Influência Russa e as Consequências

Entre algumas das mais importantes revoluções que ocorreram no mundo, a Revolução Chinesa de 1949 foi uma das que afetou o mundo como um todo. Parte do que a China se tornou hoje, uma grande potência econômica e ponto principal entre muitos debates sobre o comunismo e o capitalismo é consequência dos eventos dessa revolução e do fim da disputa entre os dois principais partidos políticos do país.

Mas, além disso, a influência do pensamento maoísta em movimentos revolucionários em todo o mundo, a implementação de políticas populacionais rígidas, como a política do filho único, que afetou a demografia chinesa, e a transformação da economia chinesa em uma economia socialista de mercado com características próprias. Além disso, a Revolução Chinesa afetou a geopolítica (definição Wikipédia) mundial, impulsionando a Guerra Fria e a busca por alianças estratégicas entre as superpotências também são coisas que nos fazem pensar na China e tentar refletir sobre sua história ainda hoje.

Vamos falar sobre esse acontecimento histórico marcante na história do mundo e, se você ficar com dúvidas, é só deixar aí nos comentários.

Como tudo começou

Em 1º de outubro de 1949, o líder comunista chinês Mao Zedong (ou Mao Tsé-Tung) declarou a criação da República Popular da China (RPC). Esse anúncio encerrou a dispendiosa guerra civil em grande escala entre o Partido Comunista Chinês (PCC) e o Partido Nacionalista, ou Kuomintang (KMT), que eclodiu imediatamente após a Segunda Guerra Mundial e foi precedida por conflitos intermitentes entre os dois lados, desde a década de 1920. A criação da República Popular da China também completou o longo processo de agitação governamental na China iniciado pela Revolução Chinesa de 1911. A “queda” da China continental para o comunismo em 1949 levou os Estados Unidos a suspender as relações diplomáticas com a República Popular da China por décadas.

O Partido Comunista Chinês, fundado em 1921 em Xangai, existia originalmente como um grupo de estudo trabalhando dentro dos limites da Primeira Frente Unida com o Partido Nacionalista. Os comunistas chineses juntaram-se ao Exército Nacionalista na Expedição do Norte de 1926-27 para livrar a nação dos senhores da guerra que impediam a formação de um forte governo central. Essa colaboração durou até o “Terror Branco” de 1927, quando os nacionalistas se voltaram contra os comunistas, matando-os ou expurgando-os do partido.

Depois que os japoneses invadiram a Manchúria em 1931, o Governo da República da China enfrentou a tripla ameaça de invasão japonesa, revolta comunista e insurreições de senhores da guerra. Frustrado com o foco do líder nacionalista Chiang Kai-shek em ameaças internas em vez do ataque japonês, um grupo de generais sequestrou Chiang em 1937 e o forçou a reconsiderar a cooperação com o exército comunista. Assim como no primeiro esforço de cooperação entre o governo nacionalista e o PCCh, essa Segunda Frente Única teve vida curta. Os nacionalistas gastaram os recursos necessários para conter os comunistas, em vez de se concentrar inteiramente no Japão,

Durante a Segunda Guerra Mundial, o apoio popular aos comunistas aumentou. Funcionários dos EUA na China relataram uma repressão ditatorial da dissidência em áreas controladas pelos nacionalistas. Essas políticas antidemocráticas combinadas com a corrupção do tempo de guerra tornaram o governo da República da China vulnerável à ameaça comunista. O PCCh, por sua vez, obteve sucesso em seus primeiros esforços de reforma agrária e foi elogiado pelos camponeses por seus esforços incansáveis na luta contra os invasores japoneses.

A rendição japonesa preparou o terreno para o ressurgimento da guerra civil na China. Embora apenas nominalmente democrático, o governo nacionalista de Chiang Kai-shek continuou a receber o apoio dos EUA tanto como seu antigo aliado de guerra quanto como a única opção para impedir o controle comunista da China. As forças dos EUA levaram dezenas de milhares de tropas nacionalistas chinesas para o território controlado pelos japoneses e permitiram que aceitassem a rendição japonesa. A União Soviética, por sua vez, ocupou a Manchúria e só se retirou quando as forças comunistas chinesas chegaram para reivindicar aquele território.

Guerra Civil

Chiang kai-shek
Chiang Kai-shek

O conflito que começou em 1927, quando o Partido Nacionalista (também conhecido como Kuomintang) liderado por Chiang Kai-shek lançou uma campanha de repressão contra os comunistas, que haviam se unido aos nacionalistas na luta contra as forças japonesas invasoras. Os comunistas foram expulsos das cidades e iniciaram uma campanha de guerrilha nas áreas rurais.

Durante a Segunda Guerra Mundial, os comunistas e os nacionalistas colaboraram para resistir à invasão japonesa, mas a trégua entre os dois lados foi efêmera. Com o fim da guerra, a luta entre comunistas e nacionalistas recomeçou em 1945. Desta vez, os comunistas conseguiram obter vitórias decisivas, expandindo seu controle para o interior do país e consolidando sua base de apoio entre os camponeses.

Em 1949, os comunistas finalmente conquistaram Pequim, forçando o governo nacionalista a fugir para Taiwan, onde estabeleceram um governo em exílio. Em 1º de outubro de 1949, Mao Zedong proclamou a fundação da República Popular da China, estabelecendo um regime comunista no país.

Este foi um dos conflitos mais mortais da história moderna, com estimativas de até 4 milhões de mortos. Além disso, a guerra teve consequências significativas para a China, incluindo a separação de Taiwan, que se tornou um refúgio para os nacionalistas, a perda de Hong Kong para os britânicos e a influência das potências estrangeiras na China. A vitória do Partido Comunista Chinês estabeleceu um regime comunista na China que perdura até os dias de hoje e afetou significativamente a política e a economia global.

A Longa Marcha

A Longa Marcha foi uma campanha militar realizada pelo Exército Vermelho do Partido Comunista Chinês em 1934-1935, durante a Guerra Civil Chinesa. O objetivo da campanha era escapar do cerco das forças nacionalistas, lideradas por Chiang Kai-shek, e estabelecer uma nova base de operações no interior do país, uma jornada de cerca de 12.500 km e durou cerca de um ano.

A campanha começou em outubro de 1934, quando as forças comunistas iniciaram uma retirada estratégica de suas bases no sul da China. Eles enfrentaram muitos desafios ao longo do caminho, incluindo ataques das forças nacionalistas, fome, doenças e más condições climáticas. Em uma série de batalhas e escaramuças, as forças comunistas conseguiram abrir caminho através das forças nacionalistas e chegar ao interior da China.

No final, apenas cerca de 10% dos soldados que iniciaram a marcha sobreviveram. No entanto, a campanha foi um marco importante na história do Partido Comunista Chinês. Durante a marcha, Mao Zedong emergiu como o líder indiscutível do partido e desenvolveu suas teorias sobre a guerra revolucionária e a construção de uma base rural para o movimento comunista.

A Longa Marcha também ajudou a estabelecer uma nova base para o Exército Vermelho nas áreas rurais do norte da China, que se tornou um reduto para os comunistas durante a Guerra Civil Chinesa. A campanha se tornou um símbolo da resistência e da determinação dos comunistas chineses e é considerada um dos eventos mais importantes da história da China.

Influência Russa e os Senhores da Guerra

A Revolução de 1917 na Rússia foi liderada pelo Partido Bolchevique e culminou na derrubada do governo provisório liderado por Alexander Kerensky em outubro de 1917. O líder do Partido Bolchevique, Vladimir Lenin, liderou a formação do primeiro Estado socialista do mundo, a União Soviética. A Revolução de 1917 teve um impacto significativo no movimento comunista internacional, inspirando a luta revolucionária em outros países, incluindo a China.

Na China, o Partido Comunista Chinês (PCC) foi fundado em 1921 e iniciou uma luta revolucionária contra o governo nacionalista liderado por Chiang Kai-shek. Durante a Segunda Guerra Mundial, os comunistas chineses colaboraram com o Kuomintang (partido nacionalista) para resistir à invasão japonesa, mas a trégua foi efêmera. A guerra civil chinesa reiniciou em 1945 e o Exército Vermelho Chinês liderado por Mao Zedong obteve vitórias decisivas contra as forças nacionalistas. Em 1º de outubro de 1949, Mao proclamou a fundação da República Popular da China, estabelecendo um regime comunista no país.

Estes movimentos eram liderados pelos “Senhores da Guerra”, líderes militares regionais que controlavam diferentes partes do país após a queda do governo Qing em 1912. Eles mantinham exércitos privados e disputavam o poder central em Pequim. A instabilidade política causada pelos senhores da guerra foi um fator que enfraqueceu o governo nacionalista de Chiang Kai-shek e abriu espaço para a ascensão do PCC durante a guerra civil. A luta contra os senhores da guerra foi uma das principais frentes da campanha revolucionária liderada pelo PCC.

Governo Pós-Guerra

Em 1945, os líderes dos partidos nacionalista e comunista, Chiang Kai-shek e Mao Zedong, reuniram-se para uma série de conversas sobre a formação de um governo pós-guerra. Ambos concordaram com a importância da democracia, forças armadas unificadas e igualdade para todos os partidos políticos chineses. A trégua foi tênue, no entanto, e, apesar dos repetidos esforços do general americano George Marshall para negociar um acordo, em 1946 os dois lados estavam travando uma guerra civil total. Anos de desconfiança entre os dois lados frustraram os esforços para formar um governo de coalizão.

À medida que a guerra civil ganhou força de 1947 a 1949, a eventual vitória comunista parecia cada vez mais provável. Embora os comunistas não controlassem nenhuma cidade importante após a Segunda Guerra Mundial, eles tinham forte apoio popular, organização militar e moral superiores e grandes estoques de armas apreendidas de suprimentos japoneses na Manchúria. Anos de corrupção e má administração corroeram o apoio popular ao governo nacionalista. No início de 1947, o governo ROC já estava olhando para a província insular de Taiwan, na costa da província de Fujian, como um potencial ponto de retirada.

Embora os funcionários do governo de Harry S. Truman (1945-1953) não estivessem convencidos da importância estratégica para os Estados Unidos de manter relações com a China nacionalista, ninguém no governo dos EUA queria ser acusado de facilitar a “perda” da China para o comunismo. A ajuda militar e financeira aos nacionalistas em dificuldades continuou, embora não no nível que Chiang Kai-shek gostaria. Em outubro de 1949, após uma série de vitórias militares, Mao Zedong proclamou o estabelecimento da República Popular da China; Chiang e suas forças fugiram para Taiwan para se reagrupar e planejar seus esforços para retomar o continente. O governo queria ser acusado de facilitar a “perda” da China para o comunismo.

A capacidade da República Popular da China e dos Estados Unidos de encontrar um terreno comum após o estabelecimento do novo estado chinês foi prejudicada pela política doméstica e pelas tensões globais. Em agosto de 1949, o governo Truman publicou o “Livro Branco da China”, que explicava a política anterior dos EUA em relação à China com base no princípio de que apenas as forças chinesas poderiam determinar o resultado de sua guerra civil. Infelizmente para Truman, essa medida falhou em proteger seu governo das acusações de ter “perdido” a China.

A natureza inacabada da revolução, deixando um governo e exército nacionalista quebrado e exilado, mas ainda vocal em Taiwan, apenas aumentou o sentimento entre os EUA anticomunistas que o resultado da luta poderia ser revertido. A eclosão da Guerra da Coreia, que colocou a República Popular da China e os Estados Unidos em lados opostos de um conflito internacional, acabou com qualquer oportunidade de acomodação entre a República Popular da China e os Estados Unidos. O desejo de Truman de impedir que o conflito coreano se espalhasse para o sul levou à política dos EUA de proteger o governo de Chiang Kai-shek em Taiwan.

Por mais de vinte anos após a revolução chinesa de 1949, houve poucos contatos, comércio limitado e nenhuma relação diplomática entre os dois países. Até a década de 1970, os Estados Unidos continuaram a reconhecer a República da China, localizada em Taiwan, como o verdadeiro governo da China e apoiaram a posse do assento chinês nas Nações Unidas.

As consequências da Revolução Chinesa de 1949

A Revolução Chinesa de 1949 teve um impacto significativo no mundo, tanto imediatamente quanto ao longo das décadas seguintes. Algumas das principais consequências foram:

  • Fundação da República Popular da China: A Revolução Chinesa levou à fundação da República Popular da China, com o Partido Comunista Chinês (PCC) no poder. Isso alterou drasticamente a dinâmica geopolítica da região, bem como as relações da China com outras potências globais.
  • Guerra Fria: A Revolução Chinesa ocorreu em meio à Guerra Fria, e a ascensão da China comunista levou a uma nova dinâmica no conflito entre os Estados Unidos e a União Soviética. A China se tornou um importante aliado da União Soviética, e a Guerra Fria afetou a política global por décadas.
  • Mudanças sociais e econômicas na China: A Revolução Chinesa também levou a mudanças significativas na sociedade e economia da China. O governo comunista implementou políticas como a coletivização da agricultura e a nacionalização da indústria, bem como a criação de programas de saúde e educação. Essas políticas ajudaram a modernizar a China, mas também tiveram custos significativos.
  • Conflitos com Taiwan: A Revolução Chinesa levou à divisão da China em duas partes, com a República da China (Taiwan) se separando da República Popular da China. Esse conflito persiste até os dias de hoje, e a China continua reivindicando Taiwan como parte de seu território.
  • Revoluções comunistas em outras partes do mundo: A Revolução Chinesa inspirou outras revoluções comunistas em todo o mundo, incluindo em países como Vietnã e Cuba. Isso levou a uma maior polarização política e ideológica em muitos lugares.
  • A ascensão da China como potência mundial: A Revolução Chinesa foi o ponto de partida para o rápido desenvolvimento da China nas últimas décadas. A China se tornou uma das maiores economias do mundo, e está cada vez mais influente nos assuntos globais. Essa ascensão tem implicações significativas para a política global e para as relações entre os Estados Unidos e a China.

FAQ Rápido

O que foi a Revolução Chinesa de 1949?

A Revolução Chinesa de 1949 foi um movimento liderado pelo Partido Comunista Chinês para derrubar o governo nacionalista do país e estabelecer uma nova ordem socialista.

Quais foram as principais causas da Revolução Chinesa de 1949?

As principais causas da Revolução Chinesa de 1949 foram a instabilidade política e econômica do país, a corrupção generalizada do governo nacionalista, a pobreza generalizada da população chinesa e a crescente insatisfação com o governo.

Como o Partido Comunista Chinês conseguiu vencer a Guerra Civil Chinesa?

O Partido Comunista Chinês conseguiu vencer a Guerra Civil Chinesa graças a uma série de fatores, incluindo a liderança forte de Mao Zedong, o apoio popular, o sucesso na mobilização da população rural e a habilidade em adaptar-se às condições de guerra.

Quais foram as principais consequências da Revolução Chinesa de 1949?

As principais consequências da Revolução Chinesa de 1949 foram a criação da República Popular da China, a nacionalização de indústrias e terras, a coletivização agrícola e a implementação de políticas socialistas que mudaram radicalmente a sociedade chinesa.

A Revolução Chinesa também teve um impacto significativo nas relações internacionais, contribuindo para a Guerra Fria e influenciando outras revoluções socialistas em todo o mundo.

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