Sérgio Buarque de Holanda: O Homem Cordial e as Principais Obras

Sérgio Buarque de Holanda (página da SBS) foi um historiador, escritor, sociólogo, jornalista e crítico literário brasileiro. O pensador contribuiu com o movimento modernista brasileiro, resultado da Semana de Arte Moderna de 1922, além de destacar-se como jornalista.

Sérgio foi correspondente de jornais brasileiros em Berlim, sendo responsável por transmitir as noticias internacionais para o Brasil, e atuou como professor universitário na Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Universidade de São Paulo.

Começou como crítico literário e depois se tornou historiador, mas depois voltou à crítica literária e produziu ensaios luminosos e altamente originais. Vamos falar sobre a vida e principais obras do sociólogo e, se você ficar com dúvidas, é só deixar aí nos comentários.

Biografia de Sérgio Buarque de Holanda

Sérgio Buarque de Holanda nasceu em 1902, na cidade de São Paulo. Sérgio Buarque se formou em Direito pela Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro, no ano de 1925. Enquanto estudava ciências jurídicas, escrevia contos e poesias, além de participar como correspondente carioca do movimento modernista brasileiro.

Após formado, se mudou para Berlim, para atuar como correspondente internacional. Nesse período, em que o sociólogo viveu na Alemanha e na Polônia, teve seu primeiro contato com o pensamento do sociólogo clássico alemão Max Weber.

No início da década de 1930, por conta da ascensão do nazismo na Alemanha, retorna ao Brasil, onde passou a trabalhar para agências estatais de notícias. Foi nesse período que o pensador escreveu a sua grande obra historiográfica e sociológica Raízes do Brasil.

O livro foi publicado no ano de 1936 e se logo se tornou uma das maiores obras sobre a formação do povo brasileiro, o que conferiu a Sérgio Buarque prestígio enquanto historiador brasileiro.

Sérgio Buarque passou a trabalhar para jornais, atuar como crítico literário, além de participar e presidir a curadoria de museus e atuar como membro de organizações políticas ligadas ao socialismo brasileiro e contrárias ao governo de Getúlio Vargas.

No ano de 1956, o pensador assumiu uma cátedra interina de História da Civilização Brasileira na Universidade de São Paulo (USP), posto em que permaneceu até 1969. Em 1969, requisitou a sua aposentadoria e se afastou da USP em solidariedade e protesto contra os professores afastados da universidade pelo Ato Institucional n°5 durante o período da Ditadura no Brasil. Ainda nos anos 1980, Sérgio Buarque atuou como crítico literário e escritor, e, no início da década participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT).

Sérgio Buarque de Holanda foi casado com a intelectual e escritora Maria Amélia de Holanda, apelidada Memélia. Teve sete filhos: o músico, cantor e compositor Chico Buarque de Holanda; a cantora e compositora Miúcha; a cantora, compositora, atriz, dramaturga e produtora Ana de Holanda; e a cantora e compositora Cristina Buarque.

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O Homem Cordial

De acordo com o pensador, a população brasileira que se formou a partir da colonização era uma população cordial nos vários sentidos da palavra: aceitavam os mandos da colonização e eram cordiais ao sucumbir às prioridades da formação familiar em detrimento do bem público. Desta forma, o pensador alegava que, desde o início da formação do território do Brasil, havia uma tendência em colocar o âmbito privado à frente do âmbito público. Tornando o povo brasileiro estruturalmente corrupto.

Sérgio Buarque sobre o homem cordial

A “cordialidade”, argumentou Sérgio, dita necessariamente as preferências. O amor, ou afeto, desafia os pressupostos jurídicos e neutros do liberalismo. A benevolência democrática, uma forma de mera polidez, é um comportamento em busca de orientação para equilibrar egoísmos.

Seu ideal humanitário é impessoal porque, ao pregar que o maior amor abrange o maior número, subordina a qualidade à quantidade. Por outro lado, uma “cordialidade” que perde força para além de um círculo estreito jamais consolidará formas ampliadas de organização social. Nem a cordialidade per se é uma fonte de bons princípios.

Para a “cristalização social” requer-se “um elemento normativo sólido, inato na alma do povo ou mesmo implantado pela tirania”. Que a tirania não alcance mudanças duradouras, acreditava Sérgio, é outra ilusão do liberalismo, embora isso por si só não desacredite o liberalismo nem impeça outros remédios além da tirania para consolidar uma sociedade nacional.

Ao conviver com outras culturas e com outras nações, Sérgio Buarque atribuiu essa característica não a uma visão etnocentrista, como era comum na época, mas como culpa dos colonos portugueses. Os portugueses, segundo Buarque, eram desprovidos de qualquer nacionalismo, diferentemente de outros grandes povos europeus, o que fez com que a colônia portuguesa findasse-se de maneira antiética.

Considerado a primeira grande obra de Sérgio, e até hoje seu livro mais lido, Raízes do Brasil (1936), agora em sua décima quarta edição, tem em seu prefácio, Antônio Cândido o comparou com duas outras interpretações do Brasil que iluminaram os horizontes intelectuais de sua própria geração pós-modernista que se preparava para passar do prêmio incandescente de 1922 para uma agenda mais sóbria e crítica.

A primeira, “Casa Grande & Senzala”, de Gilberto Freyre e publicada em 1933, abriu caminho do “naturalismo do final do século” para a sociologia moderna, mas cuja visão entrópica da mudança social implicava um saudosismo que o próprio Antônio Cândido estava pronto para criticar no início 1940.

O outro livro foi “Formação do Brasil Contemporâneo (1942)”, de Caio Prado Junior, que interpretou o passado do Brasil como um produto evolutivo de funções econômicas, uma interpretação não sentimental e transparente que seria apreciada durante as décadas de 1960 e 1970, quando ajudou a regularizar a ligação profana entre o empirismo anglo-americano e o marxismo subequatorial.

O que Raízes consegue é relacionar o processo institucional ao ethos cultural. O muitas vezes incompreendido “homem cordial” de Sérgio não é um patrão amável que lubrifica as engrenagens da opressão no interesse de uma acomodação “pacífica”. Em vez disso, ele se opõe à invasão da racionalização e do “desencantamento” weberianos.

Principais Obras de Sergio Buarque

Sérgio Buarque de Holanda também escreveu ensaios, artigos e outros livros, abordando temas como história, literatura e política. Sua contribuição intelectual foi fundamental para o entendimento da formação histórica e cultural do Brasil e sua influência perdura até os dias de hoje. Embora tenha escrito diversas obras ao longo de sua carreira, algumas das principais são:

Raízes do Brasil

Raízes do brasil
Raízes do Brasil

O primeiro e mais famoso livro de Sérgio Buarque, Raízes do Brasil, aborda a formação do povo brasileiro. Para alguns críticos a teoria de Sérgio Buarque de Holanda apenas tentava superar o racismo das teorias sociológicas racistas sobre a formação do povo brasileiro.

Sérgio Buarque foi responsável por identificar uma interessante diferença de migração dos colonos que resultou numa diferente formação dos povos: enquanto os colonos norte-americanos foram para as terras da América do Norte com suas famílias, os primeiros colonos portugueses vieram para o Brasil acompanhados de expedições aventureiras compostas apenas por homens.

Segundo Buarque, isso teria resultado na imensa miscigenação do povo brasileiro. Porém, assim como Freyre, Sérgio Buarque desconsiderou que a miscigenação teria ocorrido de maneira forçada. O traço mais forte da formação do povo brasileiro identificado pela sociologia de Sérgio Buarque foi a questão da prioridade das relações privadas em relação às relações públicas.

Caminhos e Fronteiras

Neste livro, Buarque de Holanda aborda a história do bandeirantismo, um movimento de formação do território que ocorreu no Brasil colonial e explora os caminhos trilhados pelos bandeirantes, destacando sua importância na exploração e ocupação do território brasileiro. Ele analisa as motivações que impulsionaram essas expedições, como a busca por riquezas minerais, a captura de indígenas para o trabalho escravo e a expansão das fronteiras coloniais.

O autor também investiga as relações entre os bandeirantes e os povos indígenas, examinando os conflitos, as alianças e as influências culturais resultantes desses encontros. Ele ressalta o caráter violento e exploratório das expedições bandeirantes, mas também reconhece a importância desses movimentos na formação territorial do Brasil.

Caminhos e fronteiras
Caminhos e Fronteiras

O livro contribui significativamente para a compreensão da história do Brasil, ao trazer uma análise crítica e aprofundada sobre o papel dos bandeirantes na formação do país e discute não apenas os aspectos históricos, mas também os impactos culturais e sociais dessas expedições, proporcionando uma visão mais completa do processo de colonização do Brasil.

Outras Obras

TítuloAno
Raízes do Brasil1936
Cobra de Vidro1944
Monções1945
Expansão Paulista em Fins do Século XVI e Princípio do Século XVII1948
Caminhos e Fronteiras1957
Visão do Paraíso: Os motivos edênicos no descobrimento e colonização do Brasil1959
Do Império à República1972
Tentativas de Mitologia1979
O Extremo Oeste1986 –postumamente

FAQ Rápido

Quem foi Sérgio Buarque de Holanda?

Sérgio Buarque de Holanda foi um renomado historiador, sociólogo, escritor e professor brasileiro, considerado uma das principais figuras do pensamento social brasileiro.

Qual é a obra mais famosa de Sérgio Buarque de Holanda?

A obra mais famosa de Sérgio Buarque de Holanda é “Raízes do Brasil”, publicada em 1936. Neste livro, ele oferece uma análise crítica sobre a formação da sociedade brasileira, abordando aspectos como o individualismo, o patrimonialismo e a influência das culturas indígena e africana.

Quais contribuições intelectuais de Sérgio Buarque de Holanda?

Além de suas contribuições como historiador, Sérgio Buarque de Holanda também se destacou como sociólogo, abordando temas como a formação social brasileira e as dinâmicas culturais. Ele também foi um escritor prolífico, produzindo obras literárias, ensaios e artigos de grande relevância.

Qual o legado de Sérgio Buarque de Holanda para Sociologia?

Suas obras fornecem uma compreensão crítica e profunda da formação histórica, cultural e social do Brasil, abordando temas como a colonização, as relações raciais, a identidade nacional e as desigualdades sociais. Ele trouxe contribuições fundamentais para a reflexão sobre a sociedade brasileira e suas peculiaridades.

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