Talibã: o que você precisa saber

Muito se pergunta sobre o Talibã, especialmente com a nova crise no Afeganistão. O assunto quente pode ser pedido em concursos, vestibulares e ENEM com o tema de geopolítica e atualidades. Confira o que você precisa saber sobre o Talibã:

Talibã: quando tudo começou

Islamismo radical

Para entender melhor a questão do conflito geopolítico no Afeganistão, é preciso entender primeiro a religião muçulmana, o Islamismo. O Islã é uma religião que assim como o judaísmo e cristianismo, foi originada com Abraão, é uma crença monoteísta articulada pelo seu livro sagrado Alcorão, e pelos ensinamentos e exemplos normativos de Maomé, considerado pelos fiéis como o último profeta de Deus (em árabe Alá).

É importante entender o Islã para estudar o Talibã porque o grupo faz parte dos extremistas islâmicos tais quais a Al-Qaeda e Estado Islâmico (ISIS). O principal objetivo do Talibã é a aplicação brutal e distorcida da Sharia, um conjunto de leis muçulmanas, a fim de transformar o Afeganistão em um país fundamentalista, ou seja, um país onde as regras religiosas se tornam as regras do pais.

Porque no Afeganistão

A criação do Talibã está diretamente ligada a polarização da Guerra Fria (1945-1991). Ao estudar a Revolução de Saur (1978), vemos que os socialistas tomaram o poder do Afeganistão na época. Tanto os EUA quanto a URSS tinham grande interesse na região, por conta de sua posição estratégica na Ásia. O país basicamente nasceu de uma tentativa de barrar o avanço da Rússia czarista, e pouco tempo depois se tornou um ponto de interesse entre seus vizinhos e as grandes potencias do globo.

A Rússia por exemplo, tem interesse no Afeganistão porque metade de seus seis vizinhos são aliados do governo russo, sendo esse um contra ponto a influencia americana. A China por sua vez, tem interesse nos minérios da região, usa o país como uma “Nova rota da Seda” e assim como no caso da Rússia, a influência no Afeganistão se torna um forte contra ponto aos EUA. No caso dos americanos, seu primeiro objetivo lá era barrar o avanço socialista no globo, mais recentemente, o combate era contra o avanço do fundamentalismo e os terroristas.

O Irã, a India e o Paquistão possuem interesses no Afeganistão também devido a instabilidade da política local, sendo um ponto de segurança nacional para os vizinhos.

O paquistão foi um dos poucos países a reconhecerem o governo do talibã no passado, o irã também possuí interesse no radicalismo do governo afegão
O Paquistão foi um dos poucos países a reconhecerem o governo do Talibã no passado, o Irã também possuí interesse no radicalismo do governo afegão

A guerra fria e a origem do grupo

Sabendo que em 1978 os socialistas tomaram o poder no Afeganistão, e pela geopolítica da época, não é difícil concluir que os Estados Unidos não gostaram nada da tomada de poder. Nesse momento, os EUA passaram a apoiar e financiar grupos de resistência armada no Afeganistão.

A geografia do local por ser montanhosa, é muito mais favorável a tática de guerrilhas do que um exercito inteiro, e essa lição os americanos já haviam aprendido com o fiasco da Guerra do Vietnã (1955-1975). A Arábia Saudita também financiou os grupos de resistência juntamente com os EUA, um desses grupos vindos de escolas religiosas chamadas Mandrassas, no Paquistão, a maioria de uma etnia chama Pashtu. Isso mesmo que você leu, eram estudantes, talibã é a tradução de estudante para pashtu.

Talibã significa estudante
Talibã significa estudante

Na época conhecidos como Mujahideen, o grupo de ex-guerrilheiros foi formado em 1994. A ajuda militar dos EUA foi decisiva são só para a queda do governo soviético afegão como também para a formação do grupo extremista islâmico. O grupo aceitou lutar contra a URSS devido ao ateísmo que os socialistas pregavam, a derrota no Afeganistão foi chamada como o Vietnã da União Soviética.

Talibã no governo afegão

Em 1991 com a dissolução da URSS, a ajuda financeira para reerguer o país que os guerrilheiros esperavam nunca chegou, causando uma revolta com os americanos. Arruinado pela guerra e pelo confronto de grupos armados lutando pelo poder, o Afeganistão se tornou um verdadeiro caos.

Em 1996 o, agora, Talibã assumiu o poder afegão, e na época foi visto como um alívio para a população ao combater a corrupção local e criminalidade. Prometendo uma versão própria da Sharia, começam então as punições públicas como execução de assassinos, amputações de ladrões e apedrejamento de adulteras.

De 1996 a 2001, o islã se tornou obrigatório no local, e quem não seguisse as regras seria punido. Mulheres e meninas foram proibidas de estudar, viajar, dirigir e trabalhar, não poderiam usar outras vestes se não a burca. Quaisquer resquícios da cultura ocidental foram proibidos.

Mulheres no afeganistão pré-talibã podiam escolher as roupas que quisessem, em 1996 o uso da burca se tornou obrigatório
Mulheres no Afeganistão pré-talibã podiam escolher as roupas que quisessem, em 1996 o uso da burca se tornou obrigatório

Em 1997 o Afeganistão é renomeado pelo Talibã e passa a se chamar de Emirados Islâmicos do Afeganistão. Só foi reconhecido oficialmente por três países: Emirados Árabes, Paquistão e Arábia Saudita. No mesmo ano, o Talibã cria um laço com Osama Bin Laden e a Al-Qaeda, que muda sua base para Kandahar no Afeganistão.

Até 2001 o grupo continuou no poder. Em menos de um mês após o atentado de 11 de setembro, forças americanas invadem o Afeganistão para impedir que o Talibã desse refugio para a Al-Qaeda. A eficiência americana no combate contra os radicais foi tamanha que em dezembro de 2001 o Talibã havia sido derrotado.

Derrota e resistência

Desde a invasão dos americanos em 2001 até 2008 o grupo foi cada vez mais perdendo força, voltando aos poucos a se comportar como guerrilheiros. O avanço do exército americano foi minando o Talibã até que em 2011, o grupo assume a responsabilidade pela fuga de 541 presos afegãos.

A partir desde momento, uma série de atentados terroristas arquitetados pelo Talibã. Entre diversas disputas de poder no país, o Talibã expandiu e perdeu controle em variados pontos no país. Uma série de acordos politicos e disputas por controle envolvendo o grupo extremista, os EUA e o próprio governo afegão foram feitas e em 2020 foi feito um acordo de paz que abriu a possibilidade de retirada das tropas americanas com a condição de compromissos em ambos os lados.

Nova assenção ao poder

A retirada das tropas americanas iniciada em 2020 pelo governo Trump e finalizada em 2021 pelo governo Biden expos a fragilidade do governo afegão. O Talibã já havia conseguido dominar todas as cidades importantes do Afeganistão, com exceção da capital, e com a retirada total das tropas, o grupo avançou, levando o líder do governo Ghani a abandonar o país.

Após 20 anos de guerra, o Talibã domina a capital do Afeganistão novamente, causando uma onda de pânico pelo país. Em poucos dias foram divulgadas imagens de diversos afegãos tentando deixar o país ao se segurarem em um avião. Protestos começaram a pipocar pedindo por um governo democrático e humanitário e foram reprimidos com muita violência. Especialistas temem uma nova crise de refugiados vindos do Afeganistão.

Mulheres mulçumanas protestando contra o talibã
Mulheres mulçumanas protestando contra o Talibã

Apesar do histórico, o Talibã afirma que pretende fazer uma passagem de poder pacifica, e que pretende conservar os direitos femininos, bem como a atividade da mídia e diplomatas. Também garantiram em entrevista que os moradores da capital terão suas vidas e propriedades resguardadas.

Malala Yousafzai e o Talibã

Malala é uma paquistanesa que viveu e cresceu sob o domínio do Talibã. A estudante ficou conhecida em 2008 aos 11 anos por escrever um blog sob um pseudônimo sobre o direito de meninas a educação, direito esse que fora negado a ela por conta do domínio extremista.

A região em que Malala morava era dominada pelo Talibã, mas não o país inteiro. Sendo assim, para estudar, Malala escondia o uniforme da escola na bolsa e pegava um ônibus para ir a escola em outro local. Nessa época, um documentário do The New York Times era gravado onde Malala afirmava que gostaria de ser médica. Com o tempo, a garota foi ficando cada vez mais conhecida por ministrar palestras, entrevistas e militar pelo direito a educação.

No dia 9 de outubro de 2012, com 15 anos, em uma dessas viagens de ônibus que fazia para poder estudar, o percurso foi interrompido por membros do Talibã que subiram no veículo perguntando por Malala. Embora ninguém tenha respondido, um dos homens a reconheceu e disparou três tiros na cabeça da jovem.

A moça foi socorrida e depois transferida para Birmingham na Inglaterra onde recebeu um tratamento especializado para ferimentos de guerra. Malala vive em Birmingham até hoje em exilio político.

Malala publicou sua historia em uma autobiografia e criou um fundo de investimento para educação de meninas no Paquistão. Feito que lhe rendeu um Prêmio Nobel da Paz em 2014 com apenas 17 anos, sendo a pessoa mais jovem a receber a honraria.

Malala foi proibida pelo talibã de frequentar a escola
Malala foi proibida pelo Talibã de frequentar a escola

Hoje, com a tomada do poder no Afeganistão, Malala manifesta sua preocupação com os direitos femininos e pede a lideres mundiais que tomem atitudes mais ousadas para garantir a democracia no país.

Linha do tempo

Relembre os principais fatos e momentos na história do Talibã, organização islâmica sunita que opera principalmente no Afeganistão e no Paquistão aqui.

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