Conheça as 4 teorias demográficas

Você já ouviu falar nas teorias demográficas? Há muitos anos, os índices de crescimento populacional são alvo de estudos e preocupações por parte de demógrafos, geógrafos, sociólogos e economistas do mundo inteiro.

Diversos estudos e apontamentos sobre o crescimento, a diminuição e a estabilização dos quantitativos populacionais em todo o mundo são realizados anualmente, a fim de explicar, de uma forma sistemática, essas dinâmicas. Esses estudos são as chamadas teorias demográficas.

As principais teorias demográficas são: malthusianismo, reformismo, neomalthusianismo e transição demográfica.

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As principais teorias demográficas são: malthusianismo, reformismo, neomalthusianismo e transição demográfica
As principais teorias demográficas são: malthusianismo, reformismo, neomalthusianismo e transição demográfica

Teorias demográficas

Teoria malthusiana

A primeira teoria demográfica, e uma das mais conhecidas, foi elaborada por pelo pensador que nomeia a teoria, Thomas Robert Malthus, que em 1798, publicou uma obra chamada Ensaio sobre o princípio da população. Em seu trabalho, o estudioso refletia, de certa forma, as preocupações de sua época. Para entender seus conceitos, é necessário também entender o contexto histórico foram elaborados.

Na Inglaterra do século XVIII estava sendo iniciado o processo de Revolução Industrial, o que contribuía para um rápido crescimento das populações urbanas, principalmente Londres. O número de habitantes dobrava em pouco tempo e de uma forma que não se via antes, e desta forma, os salários insuficientes somados e às condições de trabalho e moradia insalubres eram diretamente proporcionais ao aumento da miséria e da pobreza nos centros urbanos europeus.

Diante disso, Malthus, em sua teoria demográfica, considerou que os problemas sociais estavam relacionados com o excesso de população no espaço das cidades, prevendo também que a população tendia a crescer ainda mais rapidamente, e desta forma, o crescimento demográfico seria superior ao ritmo de produção de alimentos.

teoria malthusiana diz que o número de pessoas aumentava conforme uma progressão geométrica enquanto a produção de alimentos e bens de consumo crescia conforme uma progressão aritmética. Sendo assim, para evitar a ocorrência de tragédias sociais, Malthus defendia o que chamou de “controle moral” da população. Um exemplo palpável desse controle moral, era que os casais só deveriam possuir filhos se tivessem condições para sustentá-los.

A teoria malthusiana diz que o número de pessoas aumentava conforme uma progressão geométrica enquanto a produção de alimentos e bens de consumo crescia conforme uma progressão aritmética
teoria malthusiana diz que o número de pessoas aumentava conforme uma progressão geométrica enquanto a produção de alimentos e bens de consumo crescia conforme uma progressão aritmética

Teoria neomalthusiana

Após a Segunda Guerra Mundial, o pensamento de Malthus foi revisitado, naquilo que ficou conhecido como teoria neomalthusiana. Durante o período pós-guerra, houve um rápido crescimento da população, o que foi chamado de explosão demográfica ou baby boom, um período em que o número de nascimentos foi muito superior ao número de mortes, popularizando a teoria.

Nesse sentido, com as mesmas preocupações de Malthus, os teóricos neomalthusianos afirmavam que era necessário estabelecer um controle do crescimento populacional, a fim de barrar um eventual colapso na capacidade alimentícia do mundo. No entanto, diferentemente do malthusianismo, o neomalthusianismo defendia o uso de métodos contraceptivos. Com isso, o neomalthusianismo foi adotado como política de governo por parte de inúmeros países, incluindo o Brasil, que passaram a estabelecer políticas de controle sobre o aumento de seus habitantes.

Diferentemente do malthusianismo, o neomalthusianismo defendia o uso de métodos contraceptivos
Diferentemente do malthusianismo, o neomalthusianismo defendia o uso de métodos contraceptivos

Teoria reformista

A teoria reformista foi elaborada em resposta à teoria malthusiana. Segundo a teoria reformista, uma população jovem e numerosa, em virtude de elevadas taxas de natalidade, não é causa, mas consequência do subdesenvolvimento.

Portanto, nos países desenvolvidos, onde o padrão de vida da população é alto, o controle da natalidade ocorre paralelamente à melhoria da qualidade de vida da população e de forma espontânea, de uma geração para outra.

De forma inversa, nos países subdesenvolvidos, uma população jovem numerosa só se torna empecilho ao desenvolvimento de suas atividades econômicas quando não são realizados investimentos sociais, em especial na educação e na saúde. Gerando portanto, uma mão de obra gigantesca e desqualificada que ingressa anualmente no mercado de trabalho. Desta maneira, para os reformistas, para que a dinâmica demográfica entre em equilíbrio, é necessário enfrentar em primeiro lugar as questões sociais e econômicas.

A teoria constata que quanto maior a escolaridade feminina em um pais, menor será o número de filhos e a taxa de mortalidade infantil. De todas as a teorias, a reformista é a mais aceita por retratar os fatores que geram o subdesenvolvimento político, social e econômico.

Níveis de mortalidade infantil no mundo sendo vermelho maior que 175 mortos a cada 1000 nascimentos e azul 1 morto a cada 1000 nascimentos
Níveis de mortalidade infantil no mundo sendo vermelho maior que 175 mortos a cada 1000 nascimentos e azul 1 morto a cada 1000 nascimentos

Transição demográfica

A teoria da Transição Demográfica foi criada pelo americano Warren Thompson no fim da década de 1920, e também possuía o objetivo de contestar a Teoria Malthusiana. De acordo com a teoria de Thompson, ou teoria de transição demográfica, não é a população que possui um crescimento acelerado, mas sim o crescimento que possui oscilações periódicas, que alternam em crescimentos, desacelerações e períodos de estabilidade demográficas.

A referência base utilizada por Thompson foi o período da Revolução Industrial e por consequência, o estabelecimento da sociedade moderna. Durante os períodos anteriores a esse, as taxas de mortalidade e natalidade eram elevadas de forma constante, o que acarretava em certa estabilidade demográfica.

Porém, com a ocorrência da urbanização, ocorreu uma grande melhoria nas condições de vida, resultando também na elevação da expectativa de vida e consequentemente, a queda das taxas de mortalidade. Seria então essa combinação entre esses índices demográficos o responsável pelo súbito aumento da população em um curto período de tempo

Devido às variações entre as taxas de natalidade e mortalidade, considera-se que a Transição Demográfica possui quatro fases.

1ª Fase 

Também chamada de Pré-Transição, é marcada por elevadas taxas de natalidade e mortalidade, o que culmina em um pequeno crescimento populacional. Essa fase é caracterizada por populações que se concentram no meio rural, onde não existem as facilidades da vida urbana.

Nesta fase, a taxa de natalidade se apresenta elevada porque o planejamento familiar é praticamente nulo. Além disso, pelo fato da maioria das sociedades da primeira fase serem rurais, o grande número de filhos representava grande quantidade de mão-de-obra disponível para os trabalhos familiares.

Sendo que, a alta taxa de mortalidade dessa fase é dada pelo baixo desenvolvimento da medicina, péssimas condições sanitárias e possíveis guerras, conflitos e epidemias ocorridas durante esse período.

A primeira fase da Transição Demográfica ocorreu na Europa desde o surgimento das primeiras civilizações até o meio do século XVIII. No Brasil, o período Pré-Transição perdurou até a década de 1940. Atualmente, não há países no mundo que encontram-se nessa fase.

2ª Fase

Durante a segunda fase da Transição Demográfica, a taxa de natalidade se mantém elevada enquanto a taxa de mortalidade apresenta uma queda. A combinação desses fatores leva então, à um grande crescimento populacional, conhecido como explosão demográfica.

Nos países europeus, essa fase está estritamente relacionada com a Revolução Industrial, devido ao surgimento de tratamentos para doenças, melhores condições sanitárias e mais médico-hospitalares, além da produção de alimentos em larga escala, marcando também o início da urbanização e da superação da condição rural. 

Atualmente, o Haiti e alguns países africanos são exemplos de nações que se encontram nessa fase.

3ª Fase

Na terceira fase da Transição Demográfica, a taxa de mortalidade se mantém baixa e a taxa de natalidade passa a ser menor. O crescimento vegetativo ocorre, mas em menor velocidade, devido a estabilidade social. A consolidação da vida na cidade em detrimento à vida rural é uma característica marcante dessa fase.

Além disso, com o crescente ingresso da população feminina no mercado de trabalho, não só tornou mais difícil para casais terem muitos filhos, da forma que era comum anteriormente, como também, ter filhos se tornou menos desejável, uma vez que outros objetivos passaram a fazer parte de suas preocupações diárias. Neste período surgem também a maioria dos métodos contraceptivos, que auxiliarão em um planejamento familiar melhor.

Neste período encontram-se a maior parte dos países subdesenvolvidos industrializados, como o Brasil, Índia e México.

4ª Fase

A quarta fase da Transição Demográfica é resultado da continuação das tendências da fase anterior, ou seja, a taxa de natalidade que apresenta quedas consideradas que se estabilizam em valores baixos e a taxa de mortalidade continua baixa também. Com isso, o crescimento vegetativo da população permanece é baixo.

Essa fase é marcada, principalmente, pelo envelhecimento da população, a idade média nos países que passam por esse período é relativamente alta. Esse envelhecimento populacional se deve à elevada expectativa de vida (que é diretamente relacionada com a baixa mortalidade), associada com o pequeno número de filhos por casal.

Quando um país se encontra nessa fase, consideramos que sua Transição Demográfica foi encerrada. São exemplos de países dessa fase o Japão, a Noruega e a Suécia.

Apesar de o modelo de Transição Demográfica apresentada por Thompson descrever apenas quatro fases, atualmente estuda também a possibilidade de uma quinta fase, onde ocorre uma diminuição na população absoluta. Essa diminuição se deve a uma queda ainda maior na taxa de natalidade, que chega a ficar menor que a taxa de mortalidade, e assim, gerando um crescimento vegetativo negativo. Este fenômeno pode ser prejudicial aos países e já pode ser observado em países como a Alemanha, Itália, Lituânia e Canadá, e constantemente oferecem oportunidades de acolherem jovens de outros países para fortalecer a mão de obra.

Apesar de o modelo de transição demográfica apresentada por thompson descrever apenas quatro fases, atualmente estuda também a possibilidade de uma quinta fase, onde ocorre uma diminuição na população absoluta
Apesar de o modelo de Transição Demográfica apresentada por Thompson descrever apenas quatro fases, atualmente estuda também a possibilidade de uma quinta fase, onde ocorre uma diminuição na população absoluta

FAQ – Perguntas frequentes

O que são teorias demográficas?

Diversos estudos e apontamentos sobre o crescimento, a diminuição e a estabilização dos quantitativos populacionais em todo o mundo são realizados anualmente, a fim de explicar, de uma forma sistemática, essas dinâmicas. Esses estudos são as chamadas teorias demográficas.

Quais são as teorias demográficas?

As principais teorias demográficas são: malthusianismo, reformismo, neomalthusianismo e transição demográfica.

O que é a teoria malthusiana?

teoria malthusiana diz que o número de pessoas aumentava conforme uma progressão geométrica enquanto a produção de alimentos e bens de consumo crescia conforme uma progressão aritmética. Sendo assim, para evitar a ocorrência de tragédias sociais, Malthus defendia o que chamou de “controle moral” da população. Um exemplo palpável desse controle moral, era que os casais só deveriam possuir filhos se tivessem condições para sustentá-los.

O que é a teoria neomalthusiana?

Após a Segunda Guerra Mundial, o pensamento de Malthus foi revisitado, naquilo que ficou conhecido como teoria neomalthusiana. Durante o período pós-guerra, houve um rápido crescimento da população, o que foi chamado de explosão demográfica ou baby boom, um período em que o número de nascimentos foi muito superior ao número de mortes, popularizando a teoria.
Nesse sentido, com as mesmas preocupações de Malthus, os teóricos neomalthusianos afirmavam que era necessário estabelecer um controle do crescimento populacional, a fim de barrar um eventual colapso na capacidade alimentícia do mundo. No entanto, diferentemente do malthusianismo, o neomalthusianismo defendia o uso de métodos contraceptivos. Com isso, o neomalthusianismo foi adotado como política de governo por parte de inúmeros países, incluindo o Brasil, que passaram a estabelecer políticas de controle sobre o aumento de seus habitantes.

O que é a teoria reformista?

A teoria reformista foi elaborada em resposta à teoria malthusiana. Segundo a teoria reformista, uma população jovem e numerosa, em virtude de elevadas taxas de natalidade, não é causa, mas consequência do subdesenvolvimento.

O que é a teoria de transição demográfica?

A teoria da Transição Demográfica foi criada pelo americano Warren Thompson no fim da década de 1920, e também possuía o objetivo de contestar a Teoria Malthusiana. De acordo com a teoria de Thompson, ou teoria de transição demográfica, não é a população que possui um crescimento acelerado, mas sim o crescimento que possui oscilações periódicas, que alternam em crescimentos, desacelerações e períodos de estabilidade demográficas.

O que caracteriza a primeira fase da teoria de transição demográfica?

Também chamada de Pré-Transição, é marcada por elevadas taxas de natalidade e mortalidade, o que culmina em um pequeno crescimento populacional. Essa fase é caracterizada por populações que se concentram no meio rural, onde não existem as facilidades da vida urbana.

O que caracteriza a segunda fase da teoria de transição demográfica?

Durante a segunda fase da Transição Demográfica, a taxa de natalidade se mantém elevada enquanto a taxa de mortalidade apresenta uma queda. A combinação desses fatores leva então, à um grande crescimento populacional, conhecido como explosão demográfica.

O que caracteriza a terceira fase da teoria de transição demográfica?

Na terceira fase da Transição Demográfica, a taxa de mortalidade se mantém baixa e a taxa de natalidade passa a ser menor. O crescimento vegetativo ocorre, mas em menor velocidade, devido a estabilidade social. A consolidação da vida na cidade em detrimento à vida rural é uma característica marcante dessa fase.

O que caracteriza a quarta fase da teoria de transição demográfica?

A quarta fase da Transição Demográfica é resultado da continuação das tendências da fase anterior, ou seja, a taxa de natalidade que apresenta quedas consideradas que se estabilizam em valores baixos e a taxa de mortalidade continua baixa também. Com isso, o crescimento vegetativo da população permanece é baixo.

O que seria a quinta fase da teoria de transição demográfica?

Apesar de o modelo de Transição Demográfica apresentada por Thompson descrever apenas quatro fases, atualmente estuda também a possibilidade de uma quinta fase, onde ocorre uma diminuição na população absoluta. Essa diminuição se deve a uma queda ainda maior na taxa de natalidade, que chega a ficar menor que a taxa de mortalidade, e assim, gerando um crescimento vegetativo negativo. Este fenômeno pode ser prejudicial aos países e já pode ser observado em países como a Alemanha, Itália, Lituânia e Canadá, e constantemente oferecem oportunidades de acolherem jovens de outros países para fortalecer a mão de obra.

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